LivroCD 8

LivroCD 8
São oito palavras, oito letras, oito sonhos, são oito textos, oito poemas, oito desenhos. São sete vidas. E oito cartas, e oito músicas. São oito oitos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Enquanto digo sim


Sim, chegou dezembro.

E com ele a sensação de já acabou, de agora temos que esperar pro ano novo começar.

Mas e o presente? E se hoje for o último dia da minha vida? Quando falei com minha prima sobre acordar todo dia e dizer: "Eu vivo hoje o meu presente", tentei falar um pouco da necessidade que tenho agora de agora. De ver o novo hoje como presente, mas presente mesmo, gift, dádiva, bênção, espécie de regalo de Deus. Pra quê ficar esperando um mês pra ser feliz, pra dizer "eu te amo", pra dizer "putz!, foi mal, mas não vai rolar", "obrigado", "desculpa", "me dá um aumento", "estou farto disto", "estou de saco cheio daquilo", "sinto muito"...

Espere a morte do dia, espere a morte da semana, espere a morte do mês. Quem sabe assim, você não aprende a esperar outra morte?

Ou apenas aprenda a dizer "não" pra espera, "sim" para o movimento, "vamos!" para a vida.

- Vamos!?!

*na foto, uma flor que conheci ao dizer "sim" para um domingo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Onde dentro



É uma pena que não posso contar onde é esta cachoeira.
A peregrinação do domingo, dia 29 foi muito especial.
Seis pessoas com vontade de re-conhecer a natureza, encontrar o saudável, o bom, o belo, dar espaço para a poesia visual.
É uma pena que não posso contar onde é esta cachoeira.
De jipe, calango nas rochas e terra da estrada, subimos e descemos rumo ao lá longe. Onde não há. Onde é dentro, em nós, brotando água e irrigando sonhos. Poços de esperança em um mundo onde não se pode contar onde é esta cachoeira. Mas vale procurar. Nas reentrâncias dos morros, onde a paisagem faz curva, detrás da expectativa, em baixo da cama do cotidiano.
Procure lá, no aqui de dentro de si.

*Veja o vídeo...

video

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

La montagne et le garçon


Faço aulas de francês.
Gosto muito. Comecei a fazer as aulas antes de entrar no mestrado porque sabia, de um modo ou de outro, que meu trabalho de mestrado ia passar pela França, só não sabia como.
Intuí.
Cíntia, minha professora, cabelos curtos, olhos atentos, mente aberta, simpatia em pessoa, é culta. E gosta do que faz. É interessada, procura coisas que se parecem com os alunos para enriquecer suas aulas, faz por onde, faz por merecer. Atualmente, minhas aulas têm sido às quartas, de sete às nove da manhã.
Hoje, propus uma coisa talvez interessante, talvez diferente, talvez rica, talvez minha para minha amiga professora Cíntia: fazer a aula de quarta-feira que vem, de 5:30 às 7:30 da manhã, aproximadamente.
Sim.
Vou pegar minha amiga Cíntia e subir uma montanha próxima a Belo Horizonte, na saída para o Rio de Janeiro, para ver o sol nascer fazendo um piquenique.
Cíntia topou na hora.
Em plena quarta-feira, dia de trabalho comum, normal, dia como outro qualquer.
Sim.
Há mais ou menos dois ou três anos atrás, eu quis comemorar o dia do meu aniversário desta mesmíssima maneira, só que não era dia de semana, era em um final de semana, era o meu aniversário, dia considerado ótimo para programas considerados "exóticos"- se é que posso definir assim, tendendo ao senso comum...
Pois meus amigos não quiseram me dar este presente de aniversário.
À época, pensei: ou troco o meu presente, ou troco os meus amigos.
Decidi trocar de presente.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Na Corcunda do Dragão

Domingo, dia 22 de novembro, fiz uma caminhada na Serra da Moeda. Convidado por Thiago Barros, que na foto se encontra à esquerda, ao lado do Zen Betão e do Mestre de Yoga Manjit, subimos o "Topo do Mundo" vindo lá de baixo, de onde lá de cima só se vê do tamanho de formiguinhas. Betão nos convidou a subir a imponente montanha passando por dentro de sua casa, dentro de sua fazenda, dentro de seus sonhos, onde futuramente será a instalação de uma linda pousada com vários chalés pra quem gosta do verde, da paz e da alternativa viável de ser feliz no mundo contemporâneo.
Caminhamos não mais do que 10km. Se não fosse o sol inclemente e a subida muito íngreme, seria uma caminhada fácil. Mas as dificuldades se apresentaram para nós como desafios, e não como problemas, fazendo com que o Caminho do domingo se tornasse estimulante ao invés de se tornar um fardo.
Foi delicioso beber água pura da fonte, ver o céu azul com vários navegadores que saltam do topo do mundo rumo ao desconhecido, rumo a alegria sem medida. Foi muito bom brindar com meus dois primos e meus três amigos o motivo de estar vivo, a experiência enriquecedora de ser e experimentar com consciência e satisfação umas tantas belezas do mundo.
Uma lagarta incrível, uma minúscula flor azul, um raminho de flor alaranjada, uma graciosa flor laranja, o pêlo da montanha em forma de vegetação rasteira, verdinha, sedutora... A corcunda do dragão adormecido da montanha que os cavaleiros templários de Minas ousaram subir e tentar domar, escalando cada escama, ousando acreditar...
Uns decidiram dormir até mais tarde no domingo passado. E levantaram de suas camas uma hora da tarde. Nós levantamos de nossas camas às seis horas da manhã. E decidimos sonhar até a uma da tarde...
Obrigado peregrinos.
Talvez eu deva contar um segredetalhe da nossa expedição deste domingo: quando coloquei a mesma roupa que eu caminhava em Santiago de Compostela para me encontrar, e encontrar com vocês, senti uma emoção que me fez chorar por dentro...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Orinoco flow


Eu vou ao Orinoco.
É difícil ir ao Orinoco. Muitos não conseguem. Muitos não tem como.
São bonitas as pessoas, como são bonitas... Elas todas e suas calças jeans, seus vestidos, seus batons, seus penteados. Todas olham no espelho para os outros. Quando vão olhar para si?
São tantos os encontros e a vontade de ser, tantos amores e a vontade de se dar, se entregar, se envolver. Temos tanto medo de tudo e deixamos de lado o amor de verdade, escapando água, escorrendo frio, sumindo fantasma no meio do tudo.
A vida não dá trégua, ela quer coragem, como já disseram. A vida agridoce se expande sabor na gente deitando. Quem é que acha que pode deitar pra dormir? Quem é que acha que pode deitar pra viver? E sonhar e sonhar...
A entrega se dá na medida da dor, a entrega se dá na medida do amor.
Quantos nós rasgamos a cada dia, desfazendo, refazendo, refazenda?
Vamos fazer uma caravana para o Orinoco, gente. Vamos dar vazão ao rio da nossa alma. A terceira margem de Guimarães não é dele. É de cada um dos eus.
"Dos eus". Notou a semelhança?
Basta dizer em voz alta.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Para Gabriela


O amor é.
Pedra de gelo, o meu sonho.
Balde de prata?

Talvez isso ajude a minha irmã. Talvez não. Explicar poesia é como contar o fim da piada. Como diria de um jeito poético Rubem Alves, a gente não explica uma árvore. A gente se deita à sua sombra.
Minha irmã não entendeu nada desse "haikai tratado". E, por mais que eu dissesse à ela que não é pra entender, é pra ler e sentir o que rola, isso não a convenceu.
Tudo bem. É assim que as coisas são.
A experimentação do Haikai sem pontuação torna mais aberta a interpretação para o ousado, enquanto afroxa o gosto do reto de espírito.
Meu espírito é como minha tatuagem. Como a capa do meu livroCD que está aí na gravura no alto deste blog. Uma trama de oitos. Só que esta trama é um pouquinho diferente...
Meu espírito ganhou novos planos no Caminho de Santiago. E agora experimenta novos sentidos, novas emoções, circula, vagueia, s0be em espiral e transcende em amor e alegria.
O amor é, Gabriela.
Essa é uma das chaves para se entender poesia, esta poesia, a vida da poesia, a poesia da vida.
O meu sonho sim, é pedra de gelo. Não me importo se derrete. A vida derrete sob nossos olhos. O mistério da vida é também morrer a cada dia, tornando o sopro que ainda resta mais vivo, mais vida, mais essencial. Se o futuro é uma ilusão e o passado apenas um livro de fotos, que se abraça de olhos apertados ou se joga fora no entulho do tempo, só nos resta a dádiva do presente, a pedra de gelo que gela, que sai fumaça, que produz arrepio, que não se pode segurar, engaiolar, conter... Existiria mesmo um balde pra isso, Gabriela? E, sigo pensando(?): até quando nossa ilusão vai se ater na prata do balde, se nem balde pra isso me parece haver...
Vou continuar caminhando. Alegre, feliz, amando, gelado, quente, sonhando.
Quem quer caminhar comigo? Você, Gabriela?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tratado sobre o amor




o amor é
pedra de gelo
o meu sonho
balde de prata