LivroCD 8

LivroCD 8
São oito palavras, oito letras, oito sonhos, são oito textos, oito poemas, oito desenhos. São sete vidas. E oito cartas, e oito músicas. São oito oitos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ter-me


Sabe-se lá quem vai ler isso.
Posso mandar mil recados. Escondidos, velados, partidos, ousados.
Posso escutar de mim os meus fardos.
Sei do meu gosto pelo simples, meus medesejos, sonhouvidos.
Sei de todos, corações partidos.
Ante ao mistério do ser, ter-me em mais mil movimentos, entre tantos lamentos.
Hoje rio com gosto. (Foi bom ouvir te ver mais cedo.)
Pre-ocupo-me com meu caminhar. Agora corro, agora morro, sei despertar.
Sou grato.
E o tempo que balança os humores sabe como acoitar.
Sim, sento. E o vejo chegar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Os pés do tempo


"Seu pé não mudou, não. Só cresceu. Esse é o mesmo pezinho sentado na tampa de cimento da casinha do botijão de gás do quintal da casa da vovó. Engraçado... me lembro como se fosse hoje, você sentadinho, chupando manga..." - disse minha mãe, ontem, acariciando meu pé em seu colo.

Ontem, pouco antes, quando corria no Belvedere, vi as quaresmeiras da Zuzu Angel.
Em fevereiro do ano passado escrevi aqui sobre elas. Estão floridas novamente.
Seus pezinhos são os mesmos, mas cresceram, floriram, correram, pegaram vento, chuva, sol, fizeram seu Caminho de Santiago, viram seu amor correndo, viram seu amor chegando, viram seu amor partindo, conheceram jardineiros prantos, encontraram encantos. Prometeram sofrer não mais, fizeram outros carnavais, viram o mar de morros daqui. Fizeram amor com a borboleta, e que amor! Se cantaram com tudo, tudaram amor, encantudoforam e viveram e viveram. Esverdejaram e verdaram e verdifizeram-se folhas em galhos tantos.
Sobreviveram.
Veio o tempo, vejo o tempo, veio a espera. Vejo o sol da primavera.
E mesmo no verão, disseram: vocês verão!
E brotaram.
Estão todas lá, sentadas no cimento, em cima da casinha do botijão de gás, pra todo mundo passar e olhar. Uns sem ver, outros, sem enxergar. Mas sim: lá estão elas, pra quem quiser parar e sonhar.
E meus pés aqui, felizes com o carinho da minha mãe.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

nutreu


só nutro o que preciso
agora: só neutro
o que permeia, embora só
fonte que me faz da hora
somente
a luz que me devora

Sou grato.
Devo dizer do mar e do que voa, devo dizer do amor de uma pessoa.
Preciso urgentemente amar sem medida, sem sentido, sem saída.
Preciso, urgentemente.
Falo do sangue, do verso, da palavra.
Falo do tônus, do ônus, da estrada.
Falo falante,
que as falésias do mar testemunham o mergulho.
Orgulho.
Sinto-me medo, sinto-me cedo, sinto-me gato escaldado que brinca na tina.
Serpentina.
Sou gato, sou grato, sapato no ato.
E corro ainda, desejando.
Andodesejo
Desej-ando...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Dos olhos de uma criança


Fui almoçar no Mandala, o restaurante de comidas naturais da Savassi, bairro charmoso de Belo Horizonte, cidade onde moro atualmente.
Na mesa da esquina da minha mesa, uma menina e um pai - supostamente. Ela deveria ter uns três anos, calculo, tendo em vista os meninos pequenos com os quais convivo hoje em dia.
Por um momento não tão breve, não tão longo, me olhou fixamente.
Se virou pro pai e disse:
Não tem ninguém almoçando ali, naquela mesa. - apontando a mesa onde eu estava (ou supostamente estava, já não sei mais...)
...
Por quê?
Por que a menina não me viu? por que a menina não viu o me? ou será que ela viu além do me? Ela viu a verdade tudo nada eu?
Me recolho ao ninguém que almoçou ali e pauso meu existir. Encanto-me com meu tudo nada e me preencho de nenhum significado. Me alegro. Agora sou só alegria nos olhos vazios da menina que só vê alegria de nada.
Engraçado: alegria tem fome...
Criança tem uma sensibilidade, né?!?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dois mil e jazz

Novas matizes vão surgindo, enquanto me encho de cores. São cores de todo o tipo. Cores cheirosas, cores azedinhas, cores agridoces, cores quentes, cores dores. Cores respiro de mim, banho de satisfação.
Passei o reveillon em meio às cores tantas que conheço, que dançam no ano jazz, como diria um peregrino amigo meu, e convidam pro baile.
Dançe com as cores. Faça amor com elas.
Ouça seu ritmo, encontre a frequência frenética daquela que te diz tudo. E aceite o gosto e o desgosto como parte emocionante da caixa de lápis de cor.
Tenho uma foto em jornal, do arco-íris mais lindo que houve em Barcelona. Neste dia, nesta hora, no meio círculo completo que se inscreveu no céu, chamando a atenção, eu chegava naquela cidade colorida. Lembro de olhar na janela e ver o avião passando agradecido por baixo do arco-íris pós tempestade. E ver a foto, do momento, à cores, no dia seguinte, inusitadamente...
Na foto, nas mãos, o violão mágico que toca cores, do violonista e violeiro brasiliense que nasceu no Rio, Fernando Netto.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Eu vejo você.


Talvez não haja nada a dizer hoje, se não, "eu te vejo". Poderia ser eu te sinto, eu te percebo, eu te estou, eu te tu, etu eu... mas nada que as palavras não traiam os sentidos, sentidos, sentidos.

Estou em casa, olhando pra trás, olhando pra frente. Vejoooaagora e percebo que já é natal.
Em nós, em tudo.
Quero viver na floresta, quero a natureza do ser, quero poder, simplesmente. Naturalmente.

Eu Caminho.

Caminha. Cameu. Caminho.

Peço um tempo apenas. Vou voar ali e já volto.
Tenho que escrever o livro novo, que está dentro fora, no coração e na mente, verdade. São mais de 1.500 fotos, mais de 8 motivos, mais de 8 centos quilômetros... e tudo, no nada escondido atrás da palavra.

Sim. Vou tirar uma espécie de férias do blog. Pra resolver isso. Lá pra segunda quinzena eu estou de volta, eu pouso. Quando inicia minha nova viagem.

Um feliz natal feliz; um novo ano novo.

Eu um, no céu, no mar, no ar, viajando e-levando meu baú de sonhos realizáveis.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Para em tender ao diz curso



"l'anglais c'est la langue pour parler des affaires
le français c'est la langue pour parler d'amour
et l'espagnol c'est la langue pour parler à Dieu."



Tantico de inglês, pouquinho de francês, bocado de espanhol.
Ouso acre-ditar: a palavra, do oral, na língua.

Na ponta da língua.

A boca que beija, que fere, maltrata, nela brota semente,
do discurso, diz o curso, fala fel.

Oramor, orador, que sentimente e trai, se trai, resvala palavra.

A pá da lavra.

Garimpeiro de letras, embrenhado em sufixos, superlativos de nós, que classificam desatinos.

Destinos.

Tino pra continuar seguindo.
Procurando, pró-curando, pro cur ando e pro cor ando...
caminhando, palavrando, desatando. Palavreando.

Ajoelho nas letras, me cubro com frases e aguardo o silêncio:

O tempo é amigo da palavra.
O tempo, palestrante dos sentidos.