quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Sobre dividir e compartilhar

Existe uma diferença muito grande entre COMPARTILHAR e DIVIDIR.

Suponhamos que uma pessoa tenha 4 laranjas. E ela seja obrigada por lei a compartilhar.

Talvez essa pessoa não saiba, mas dividir não é o mesmo que compartilhar. Ela pode pensar: bem, vou dar uma laranja e ficar com três, eu acho que as laranjas são minhas mesmo...

No meu modo de ver, ela está errada.

Daí, ela pode pensar: bem, vou dar duas laranjas e ficar com duas. Acho que assim vou ser mais justa. Talvez a justiça, que a obrigou a compartilhar, ache que ela está certa. 

Mas, no meu modo de ver, ela ainda está errada.

Daí, ela pode pensar: bem vou dar 3 laranjas e ficar com uma. Ninguém vai ter mais nada o que falar. Talvez a mesma justiça acabe achando injusto, e pedindo que ela volte e dê apenas 2 laranjas.

Ainda vou achar que ela está errada. Sabe por quê?

Por um princípio simples. Compartilhar não é dar duas laranjas e ficar com duas. Ou, pior ainda, dar uma e ficar com três. Compartilhar é aproveitar das 4 laranjas igualmente. Não é nem cortar as 4 na metade e dividir, o que seria a "divisão mais adequada", a que teoricamente mais poderia se aproximar de compartilhamento. Porque, mesmo sendo a divisão mais adequada, ainda assim seria "divisão", não "compartilhamento".

Agora você pode dizer: mas isso é utopia sua. 

Sim, talvez seja. Mas é o que é certo. Talvez fazer suco com as quatro laranjas e beber juntos, brindando e trocando experiências da alegria e do sabor seja o mais correto a se fazer.

As laranjas são minha filha. A justiça diz que a guarda é compartilhada. Mas acha justo, cega que é, que a mãe me dê 2 partes de 4. 

A mãe das laranjas, segundo o que eu acredito, me dá uma só, e acha que isso é compartilhar. Minha justificativa pra dizer isso é porque minhas laranjas, de quase 6 anos, sequer dormiram na minha casa em BH. Digo isso porque em quase 6 anos, minhas laranjas nunca passaram um aniversário delas em BH. Digo isso, porque em quase 6 anos, nunca passaram meu aniversário comigo e com meus amigos em BH. Nem uma noite de natal com a minha família (ano passado as laranjas passaram o dia 25), nem sequer um aniversário das laranjas, nem um reveillon, nem sequer um dia dos PAIS aqui em casa. 

Mas, o que escrevi até esse momento, segundo o que acha a mãe das laranjas, é que essa é uma "visão distorcida" minha. Ou, que o que digo são "inverdades". Em outras palavras, acredito que ela me dá uma das laranjas e acha que está fazendo a sua obrigação.

Inverdade mesmo é a gente achar que ser claro é sinônimo de ser ouvido.  As pessoas apenas ouvem o que interessam a elas. Só escutam o que lhes é conveniente. Inverdade é achar que a verdade pode ser buscada. Inverdade é achar que o perdão é algo possível para todos. Visão distorcida é achar que a justiça é cega. Visão distorcida é achar que a justiça pode dizer quais as laranjas são as do papai, quais são as da mamãe.

Visão distorcida é a minha, de achar que podemos brindar juntos e curtir as 4 laranjas com amizade, respeito, educação e carinho. Até porque, as laranjas não são nossas. Não podemos sequer consumi-las. São um suco do mundo.

No meu pomar, as laranjas são só flores.




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