sexta-feira, 13 de junho de 2014

Para Fred, Neymar Jr, Thiago Silva e a quem mais servir.


Ontem foi um dia de extrema alegria e de muita tristeza.

Saí às ruas cedo. E meu entusiasmo foi pleno. Ver ondas de carros com a bandeira do meu país é algo que me comove, no sentido mais amplo. Crianças com a blusa da seleção, vocês me representam. Porque acho bonito, porque acho maior, porque tenho em meus conceitos alguns paradigmas relacionados à beleza da construção da identidade ligada à polis, ao senso de comunidade, à comunhão social. Assim, quando vejo as pessoas dispostas a torcer e se manifestar por um mesmo tema, seja ele ideal ou não, acho bonito. Acho bacana. Pra mim, é um significante da seguinte ordem: "se podemos torcer juntos, podemos mudar juntos".

Sei que, historicamente, é mais fácil nos manifestarmos conjuntamente para a festa do que para a mudança. Do que para a disposição social e política relacionada aos direitos e deveres do cidadão. No entanto, somos jovens. O país é jovem. E se emancipa aos poucos. Acredito mesmo nisso.

Acontece que precisamos de ídolos. Por este motivo, precisamos de ídolos. Guias. Quem nos mostre o caminho. Todo jovem precisa de um pai, de um papel de pai, do limite, da construção da definição do certo e do errado.

É por isso que o Fred me deixou extremamente infeliz ontem.

Porque ele está, no momento do jogo, dando o exemplo para milhares de crianças, jovens, adultos que precisam de um ídolo. Não de um crápula. Não de quem finja um pênalti. Não de quem minta pra tirar vantagem da situação. Não no particular, muito menos em rede nacional, em rede mundial.

Que vergonha, Fred.

Sei que foi um ato do jogo. Musashi, o maior samurai de todos os tempos, já usou de artifícios que "não estavam na regra do jogo" para se dar bem em suas batalhas (como chegar muito atrasado para um combate para desestruturar psicologicamente um adversário que estava acostumado com o cumprimento de horários - afinal, era a palavra de um e outro adversários de uma batalha). Mas eram batalhas de vida ou morte. Eram estratégias de guerra. Ainda, sim, questionáveis...

A regra é clara, Fred: as pombas foram soltadas antes do jogo por causa disso. Thiago, você como capitão, deve pedir desculpas por esse deslize. De algum modo. Fred, eu sei que você não é um crápula. Você é um cidadão de bem. Tenho algumas informações sobre amigos seus, de Teófilo Otoni, a cidade feia e quente onde você se criou, terra do meu pai. Você é um cara bacana. Acontece que você deve se lembrar que quem joga não é você. É nosso ídolo. É nosso pai. Acredite, de algum modo, em alguma dimensão, Neymar Jr. é pai da gente quando nos representa. Não precisamos de um pai que faça atitudes que não combinam com o ser humano que você é, Fred. Nem em estratégias de batalha. Afinal, é um jogo. Um jogo de paz, onde é possível dar exemplo pra milhões de brasileiros. Milhões que vão às urnas. Milhões que vão achar que na batalha do dia a dia é possível fazer direito. É possível ser honesto. É possível perder um gol, mas vencer uma copa.

Precisamos de exemplos, caro Fred. Precisamos de ídolos, caro Neymar Jr. Precisamos de pais, Thiago Silva. Mesmo que seja dentro de um campo de futebol. Afinal, é um símbolo fundamental para o jovem Brasil e para os jovens de qualquer idade do nosso amado Brasil...

Oscar, ontem você foi digno de ser chamado de pai. Por todos nós. Não preciso doar para o itaú meus batimentos cardíacos. Já dou meu dinheiro pra ele. Já doei meus batimentos pra quem merece: Fred, Thiago Silva, Neymar Jr, Oscar e todos os jogadores da seleção brasileira. Sejam nossos ídolos de fato. Os ídolos que estamos verdadeiramente precisando neste triste momento político e social.


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