segunda-feira, 19 de maio de 2014

Noitinha

A noite finalmente chegou, sem estrelas.

Éramos jovens. Acreditávamos na sorte de quem tem a ingenuidade pela frente. O cursor pulsa possibilidades de palavras tenras. Pulsa procura de palavras densas. Pulsa medo de não haver vernáculo que sustente. Eu tento. E, suspenso, sigo.

Há o silêncio ensurdecedor das luzes que piscam atmosfera no breu. Existe encontro possível com os desejos plenos. Na espuma do copo, um pouquinho de solidão. Os antepassados vem à mesa, a procura de abrigo e se deparam com um discurso simples de quem só observa. A não ação zen budista descansa sua cabeça no ombro do ócio criativo, esquenta os pés nas cobertas da preguiça, é convidada para jantar com seu flerte, a aceitação. A resiliência toma a palavra. Não quer ficar fora do protagonismo onírico.

Enquanto as estrelas não vem, o zumzum da cidade me fala que ela dorme de olhos bem abertos.


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