quinta-feira, 20 de março de 2014

Para Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque

do facebook de Roberto Guido compartilhado por Patrícia Tavares

Instituo verbo novo: Qurer. 

Proponho desafio a Caetano, Gil e Chico. Que cada um faça uma música com o novo verbo Qurer. Ou, uma música dos três, tanto faz.

Tanto faz.

Proponho esse verbo n'ovo, verbo de resistência, que desconstrói a pura crença edificando-a na vontade. Que tira o verbo ser, conjugado no presente, da palavra querer. 

Verbo de transcendência, que dá desse modo ao querer, o benefício do inefável, da dinâmica do andar com fé, que a fé, como já nos disse Gil, não costuma faiá.

Juntei na bacia da minh'alma o crer e o querer. Pra dizer que eu acredito. Pra dizer que além de acreditar, eu quero. Pra dizer que além de querer, tenho fé. Não me venha com essa história que rir é o melhor remédio. Porque não posso ficar alheio ao que leio como crítica à contemporaneidade da alienação (a foto do Gil tocando violão no mesmo sofá de uma moça que ostenta um novo caro fone de ouvido), nem à piada de "humor negro" (?) dos dizeres da foto de Caetano e Chico (mesmo sendo engraçada).

Porque basta rir da desgraça, que de alheia nada tem. Detesto a palavra que une "graça" ao prefixo "des". Demorei 30 anos para, um dia, ter a sorte de me sentar em um sofá sozinho com Gilberto Gil. Na ocasião do show Tropicália Duo, feito por Gil e Caetano em Belo Horizonte, consegui me reunir com o cantor sozinho em seu camarim. Trocamos impressões, lhe disse de meus sonhos. Para quem cantava Refazenda com três anos de idade, isso foi um querer de muitos anos, que só foi possível pelo crer. Um qurer, é claro. Na ocasião, pasme, Gil me apresentou Caetano Veloso. Fiquei em estado de graça. Sem "des". Só com.

Tenho pena de que tenhamos que enxergar na foto acima uma piada. É piada que tenhamos que enxergar na foto abaixo uma pena.

Quem gostaria de estar em um sofá com Gilberto Gil e seu violão? Me dóem os dedos escrever essa pergunta herética. Não quero crer que haja quem não responda o óbvio pra mim. Não creio que quero mais do que o bom senso pode aferir. 

Há algo que baste aos meios de comunicação de massa? Não há limite para a falta de crítica na produção e veiculação?  O desejo de transformar a cultura média do brasileiro precisa do verbo Qurer. É preciso fé. Com vontade. É preciso querer. Com crença de que não é tarde demais.

Gil, Caetano, Chico, são só exemplos óbvios. Qurero que essa menina tire os fones para se sentar no sofá sem i-Qualquercoisa com o Cobra Coral, com Kadu Viana, com Mariana Nunes, com Pedro Morais, com Flávio Henrique, com Flávio Venturini, com Edu Lobo, com Celso Adolfo, com Vander Lee, com Vinícius de Moraes, com Chico Science, com Elza Soares, com Patativa do Assaré, com Marcelo Jeneci, com Monica Salmaso, com Titi Walter, com Marcus Viana, com Anthonio, com Makely Ka, com Kristoff Silva, com Tabajara Belo, com Toninho Ferragutti, com Roberto Corrêa... ah, pesquisa aí.

Qureio, ainda é possível.

Foto retirada da internet - a pedido de quem tirou a foto (e não devia ter jogado na rede se não queria que fosse usada) pintei o rosto da menina, para que não fosse reconhecida - o que quem tirou a foto deveria ter feito...)

P.S. nada contra "Luan" ou quem quer que seja. O que vemos são a ponta do iceberg que quero derreter. Não, não é preconceito. Clique AQUI pra ver que lindo.

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