sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

QUEM SABE?


Colaboração do Jornalista Nestor Sant'Anna

Quem sabe?

Pois é, gente do nosso tempo. Continuar assim?

Li que o governo brasileiro vem adotando uma política externa de opção 
preferencial por ditaduras caloteiras. No ano passado, Brasília perdoou 
dívidas do Congo, Sudão, Gabão e Guiné Equatorial, países que têm à frente,  há décadas, governantes acusados em tribunais internacionais de crimes de desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito, corrupção, lavagem de dinheiro e genocídio. Importaram do Brasil cerca de R$1,9 bilhão de reais e não pagaram. Por decisão solitária da “presidenta”, cada brasileiro TEVE DE FAZER UMA DOAÇÃO COMPULSÓRIA de R$9,50 a esses líderes africanos de péssima reputação mundial. Está também nas páginas que, com o nosso dinheiro de impostos pagos com trabalho e suor, vai ser reinaugurado em breve o novo porto de Mariel, Cuba, cuja reforma, de 682 milhões de dólares, foi financiada pelo BNDES. 

Isso mesmo... e atenção: não foi financiado com recursos do Banco do Desenvolvimento de Cuba não, minha gente. O autor da proeza foi o nosso Banco do Desenvolvimento Econômico e Social, brasileiro, fomentando a recuperação da infraestrutura portuária da Ilha dos Castro. E a nossa infra, vai bem? 

Mas tem faltado dinheiro para nossas estradas, escolas, para a saúde, os portos e aeroportos e etc. e tal, não é o que todo mundo sabe? Não é o que nossos produtores demandam para escoamento das safras de grãos e produtos variados? Fico imaginando que importar médicos de Cuba custa uma nota preta. Aí aquele jornalista solta o seu bordão: ISTO É UM ABSURDO!!!!!!

Então eu penso que li a maior parte dessas informações em revista declaradamente contra o governo atual; penso que há distorções políticas e ideológicas convenientes, orquestradas e patati patatá. Ainda assim, distanciar tais dados da verdade não pode ser tão gratuito nem totalmente inconseqüente da parte de veículos líderes na imprensa nacional, meu povo. 

Vamos falar sério... E piora se a gente pensar que coisas do tipo, são apenas o rabinho do rato, aquele que Joãozinho e Maria, trancafiados para engorda, apresentavam pelo buraco à bruxa, quando esta pedia para mostrarem os dedos que, se gordinhos, já estariam prontos para ser consumidos como especiaria requintada. O escondido, isso sim, deve estar muito mais gordo, apetitoso, desfrutável. Sei não, mas aí fico pensando no futuro da minha netinha, tão linda, graciosa, inteligente, bem educada, prendada, quase gente grande aos quase três anos. E aos 13, aos 18, aos 23, que tipo de Brasil vai sobrar para ela e seus contemporâneos se a gente não acordar e continuar passivamente conivente com a bandalheira institucionalizada? 

Qual a saída? Só uma: a gente precisa pegar em armas. Não as mesmas que serviram à ditadura militar ou aquelas clandestinas também disparadas pelos atuais “donos do poder”. Não, outras armas, muito mais poderosas, quimicamente letais, produzidas nos laboratórios das palavras, dos diálogos, da educação, da inteligência, dos votos, das responsabilidades cidadãs, da arte e da cultura, do espírito franciscano, da consciência livre do massacre da propaganda oficial. E por falar nele, que tal a transposição do São Francisco? O Rio está morrendo à míngua, sem tolerar o quanto já o maltratam e exploram. Como são maltratados e explorados os ribeirinhos que passam sede e fome a poucos quilômetros à direita e à esquerda, nas suas margens. Inventaram, ou melhor, inventou, o antecessor da dona, também em solitária arbitrariedade, não obstante todas as opiniões técnicas que comprovaram sua inviabilidade, inclusive as do BID, do Banco Mundial, outras, forçar o doente a doar sangue antes de sua recuperação, como bem disse o cidadão Luis Flávio Cappio, com um Dom incorporado no bispado de Barra - BA. “O resultado todos conhecemos: uma obra sem fim, que deve ter destino equivalente ao da Transamazônica dos militares”. Canais que nos custarão o olho da cara, o leite de muitas crianças, o atendimento de muitos enfermos, a educação de milhares de vítimas que se contentariam felizes com a rapa do tacho, inicialmente orçado em qualquer coisa perto dos 6 bilhões. 

O custo final? Acompanhemos, se final houver e choremos, como Drummond, as ÁGUAS E MÁGOAS DO RIO SÃO FRANCISCO.

NS

Enquanto isso, o Brasil comemora a chegada do ano da copa.


Um comentário:

Bel Vieira disse...

Parabéns pelo texto! Abs. Tiago de Miranda