domingo, 11 de agosto de 2013

Dia dos pais, por Beatriz.




Dia dos pais.

Pai, que saudade.
Há praticamente 10 meses não nos encontramos. Precisamos nos ver. É uma pena que tenho só dois anos e meio e ainda não tenho como expressar essa vontade. Nem pra minha mãe, que me guarda em Al-Raçif. Eu ainda nem sei escrever... fico pensando se os pais que estão do lado dos seus filhos têm esse seu jeito carinhoso e a vontade que você tem de me pegar no colo.

Sabe, pai, o colo é o ninho da gente. Lembro quando me sentei em seu colo e tomei pela primeira vez na vida Açaí.

Você não viu a primeira vez que falei. Não viu a primeira vez que fiquei sozinha em pé, não viu a primeira vez que dei o meu primeiro passo. Não viu tanta coisa... Mas a gente tem essa história pra contar. Açaí é uma das pontes que a gente tem. Agora, toda vez que você toma açaí, tenho certeza, você me encontra sabor no fundo do pote do desejo de estar juntinho.

Quantos pais estão pertinho e se esquecem de estabelecer suas pontes?

A vida é ponte, pai. Cabe a nós desatar nós e estabelecer essa linha una, mágica, forte, que ninguém e nem mesmo a distância pode desfazer.
Eu sei, Você imaginou por um momento que eu mandaria um recado via what’s up, um cartão, um telefonema sequer, um contato via skype. Mas você sabe, pai, ainda não sei fazer isso. Dependo da minha mãe pra me mostrar o que é o certo. Disso depende parte da minha educação.

Eu fico feliz quando você escreve um cartão em meu nome no aniversário da minha mãe, no dia das mães, no natal e compra um presente pra ela. Eu sei que isso faz parte da minha formação. Eu sei o que quer dizer. Eu sei que isso vai me ensinar a valorizar a presença do outro, que isso pontua o valor que o outro tem, e que você faz isso a independer das diferenças que você e minha mãe tiveram – o que fez com que não ficassem juntos.

Sabe, pai. Eu sou de uma nova geração. Uma que vai encontrar soluções muito mais bacanas pros desafios que você e minha mãe não conseguem solucionar.
É assim. E tudo isso faz parte.

Eu só queria dizer que nada vai ser em vão. Que cada semente sua vai germinar na hora certa. Nada é definitivo, eu sei que tudo muda, nada perdura. E que se tem uma única coisa que vence a morte, como você já me ensinou, essa coisa é o Amor.

O Amor é tão forte que ele é a única coisa capaz de fazer renascer... Lembra disso pai. E que eu não lhe escrevi e nem lhe mandei mensagem hoje só porque eu tenho 2 anos e meio ainda. E ainda não aprendi a escrever.

Como você gosta de dizer, há mar, pai. Não se esqueça de banhar-se.
Sabe? Nosso sol nos aguarda.
Da sua filha que lhe ama, Beatriz.



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