terça-feira, 13 de agosto de 2013

Dia dos pais, por Bê Sant'Anna


Veja só: dia dos Pais, pra nós, agora tem outro nome: Dia dos Paz.

É o rumo que tomamos, no Caminho escolhido por nós. Veja só. Eu, filho, estou em paz com meu pai. Meu pai, pai, está em paz com s-eu filho. Eu, pai, tenho SALdades da minha filha. Meu pai, avô, sente saudades da neta que não vê há quase um ano. Veja só: quando viu, não pode pegá-la, não pode levar na pracinha, não pode levar no quartinho preparado pra ela em sua casa. Ele "aceitou" as restrições impostas (só no hall do prédio que há guarita) para que pudesse vê-la, pra matar um pouco da vontade de tê-la em seus braços, avô carinhoso que tocava piano pra ela, ela em seu colo, quando ia pro sítio. 

-Saudade, minha filha. A vida me dá, eu dôo. Re-parto. E ponto. E passo.

Só tenho SALdades de ti. Saudades não. Saudade é pra quem não foi forjado escamas na pele do sol, frio, Vento, neve, asfalto, tempo. Tem gente que não entende. Ou faz que não entende. Ou prefere fingir que não entende porque fica mais fácil encarar as escolhas que faz. É um jeito de assumir a sumir... veja só.

Sabe, filha, hoje somos assim, uma foto enviesada de alegria. 

A alegria é. A alegria está. Mas a foto, esta, é enviesada. Re-pare: a gravidade não atua nesta foto enviesada, veja só. Tudo é leve. Só a paz. Só, há paz. Como as bolhas de sabão que se inflam ao seu sopro. Me nina.

Sabe, filha, queria que você tivesse ouvido o lindo lindo lindo discurso que seu avô fez, na hora da oração, no almoço de Dia dos Pais na casa do vovô Toi. 

Eu discursei silêncio no carinho que fiz comida, pra que todos provassem do meu amor por você e por ele. Sou só, ponte entre vocês.

No dia dos Paz, no cantinho do Vovô, a gravidade não atua. Só a paz. E a espera, és pera. Fruta com vontade de ser maçã do amor.

Veja, só. 

E se quiser, ouça. Fique com Deus, Minha filha. ∞






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