terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sobre medos e campainhas




Ontem à tarde, passei no BH Shopping para olhar alguma coisa para o natal.

As pessoas já em clima de festa, de compras, a ansiedade de alguma forma no ar.

De repente, de roupas vermelhas com detalhes brancos, cabelo comprido, barbas longas e brancas, botas pretas, ele, o Papai Noel! Vinha caminhando lentamente pelo mall do shopping. Me chamou a atenção, tanto pelas duas "noeletes" que o acompanhavam, cada uma segurando um dos seus braços, como também o terço de madeira em suas mãos. Ele vinha lentamente, acredito que se elas não lá estivessem, viria um tanto debilitado.

E foi como um impulso. Pensei: acho que não vou ter outra chance! Ele já tinha dobrado a esquina do mall quando eu toquei seu ombro, gentilmente, e o diálogo seguinte se deu:

Papai Noel!, Papai Noel, com sua licença...

Ele se voltou, ainda de braços dados com as moças que o acompanhavam, e com um sorriso no rosto me ouviu indagá-lo.

Me desculpe, Papai Noel, mas eu poderia lhe fazer um pedido?

Sim. O que você quer? - disse o bom velhinho.

Papai Noel, traz minha filha pra mim? 

...

E Papai Noel franziu finalmente o cenho, acompanhado pelas noeletes:

Onde ela está? - ele perguntou.

Em Recife, Papai Noel.

Então é fácil: você me dá o seu cartão de crédito, a sua senha e eu compro uma passagem pra ir lá buscá-la pra você. - disse o bom velhinho.

...

Sorri, agradeci, ele se virou e voltou a caminhar.

Eu fiquei ali, só, parado e me lembrei do meu último encontro com ele, em Brasília, quando eu tinha apenas 5 anos de idade. Toca a campainha, eu escondo debaixo da mesa. Minha mãe me convence a abrir a porta. Com muito medo, é o que faço. E pra minha surpresa, Papai Noel não mais estava. Apenas um saco vermelho quase do meu tamanho, que eu trouxe com certa dificuldade pra dentro de casa e que espalhei pela sala de estar, enquanto abria tantos presentes.

Não sei bem se tenho sido um bom menino... Mas vai ver que é assim: Só com uma cartinha se pode pedir algo ao Papai Noel.

De qualquer forma, vou ficar atento neste natal. Vai que a campainha da minha casa toca?


Um comentário:

Renata Andrade Chamilet disse...
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