segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sobre a maravilhosa propriedade farmacológica do picolé de milho verde



Ingredientes: Água. Do mar. De todo o oceano. Com seus peixes, arraias, tartarugas marinhas, golfinhos, monstros do mar. Com suas tormentas e sua calmaria. Com um novo dia. Com lua brotando molhada, riscando de luz nossa estrada líquida, nítida, mística, cíclica. Açúcar. Doce do mel das mãos de minha avó. Suas unhas vermelhas que confeitavam o bolo. Olhar de bala puxa-puxa. Maçã espetada no palito esperando do lado do fogão pra caramelada-se-ar. Um pouco de amar. Polpa do seu bumbum durinho de menina, cheirinho de neném de fraldinha, me um-milho verde, cru, pai de primeira viagem.
Vi. Agem. Também ajo. Parar e esperar é diferente de não fazer nada. Acho. Ajo. Gordura vegetal, êita que a natureza tá precisando de um regime. Nem sabia que vegetal tava gordinho. Leite em pó das tardes de menino, misturado com Nescau pra jogar seco na boca e fazer confusão, quando via desenho sentado no puf. Pluft, o Fantasminha. Onde tudo começou. Já tinha vocação pra Tio Gerúndio... Xarope de glicose pra grudar a gente, criança só sabe apontar pro coração, mesmo quando aponta uma estrelinha. Olha a luz... Luz! Maltodextrina-me que desnorteado, sou um ignorante de profissão. Sigo meu coração. Soro de leite. Só vi mamar na mamadeira. Mas dormiu em minha mão, na barriga da mamãe. Estabilizantes goma jataí e carragena, muito prazer, Bernardo Sant'Anna. Sou o pai de quem me chama, enquanto aponta o dedinho, minha foto no celular do vovô Toi. Tenho excesso de estabilizante. Sou seu, amante, caminhante do Campo das Estrelas onde nos conhecemos. Emulsificante mono e diglicerídeos de ácidos graxos, pra brincar de lambuzar. Aromatizante e corantes tartrazina e ponceau 4R, se é que você me entende, minha flor. Não contém glúten, seja lá o que isso represente pra nós.
Curado. Eu também estou.
Jaboatão dos Guararapes - PE. Pe ou pé? À pé, se vai ao longe.
Não contém quantidade significativa de gorduras trans e fibra alimentar.
O Picolé de milho verde colorido artificialmente. Contém aromatizante sintético idêntico ao natural. Não sabia que o aroma natural de milho verde tinha cheiro de biscoito maizena.
Somos assim. Conectados pra sempre. Enquanto saudoso de minha filha, faço pontes com seus gostos, energia pura, artificial-mente em cantos, superficial-mente, que é profundo, que nos une em sonhos, nos  gestos, nos trejeitos, dos jeitos de ser e de estar, um no outro. Remédio poético transcende a distância, filha. Somos unidos, nosso castelo de pauzinho de picolé*.
Curiosamente, na embalagem diz: sabor do coração.


*de madeira de reflorestamento

Um comentário:

Antônio Castilho disse...

Eu pensei em cada verso,
Mas não encontrava as palavras
Talvez por estar um tanto enferrujado...
Em escrever ou contar piadas

Trai em tão meu desejo,
e o passado a casa torna
E em cada momento esquecido
A visão do meu eterno amigo.

Da primeira série primária,
Há uma graduação que não acabo;
E da sua primeira namorada,
Eu também tive um beijo roubado...

Já te carrego comigo como um irmão,
E não foi por sua amizade nào...
Ë que não sou assim tão antigo...
Mas pela Beatriz serei O TIO!

Sempre tão longe e tão perto...
Mas nunca, nunca, fugaz...
Sei que aceita qualquer coisa o papel
E assim me torno Audaz.
Tal qual teu amigo Manoel!

Te espero naquela mesma esquina,
Onde a alegria se faz repleta...
Dividamos então nossa amiga Seleta...

E vamos deixar o picolé....
Para outro dia!

Beijão.

Toninho