sexta-feira, 3 de agosto de 2012

DOR MIO




Sonhou o que não esperava. Sentada ali, na ponta da cama, nua, mexia em um dos pés, com a perna encolhida em cima da cama. Ficava particularmente linda ali, na ponta da cama, nua, mexendo em um dos pés, o da perna encolhida em cima da cama. Talvez passasse um creme de amêndoas, talvez só mexesse curiosa em um dos pés, o da perna que se encolhia em cima da cama.
Que bela coxa, que bela perna. Os nós dos dedos só eram marcas do dia, reafirmações da feminilidade enfatizada com o salto.
Saltou.
Pra cima dela, se jogou primeiro com os olhos. Viu a boca, lábios entreabertos, o sangue vívido que lhe pintava contrastes. Signo, fálico, bélico, dúctil, táctil.
Contralto contraste, canta a firmeza de suplantar seu delicado corpo. Mas o usa: uzi.
Metralhado, morto, ferido, sengrando, decide-se solto e salta. Sobre ela, sobre si, sobre as crenças todas, dança sendo sempre seu. E intui... Eros poderá lhe salvar?
Enquanto sonha desejos reprimidos, se suicida só, um pouquinho, só um pouquinho enquanto é escuro, ainda, e o sol do dia não veio lhe salvar.
Por que a noite veio lhe acordar?

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