quinta-feira, 12 de abril de 2012

Rodrigo Santoro é assim e pronto.




"Amor não é merecimento. É assim e pronto." – ela escreveu.
O diálogo que precedeu foi:

– Eu amo.
– Quem?
– O Rodrigo Santoro e você.
– Ele merece. Eu não.

Daí veio a citação que começa esse texto.

Fico pensando: eu não conheço o Rodrigo Santoro. Acho que ele é um cara bonito para os padrões estéticos estabelecidos na virada do século vinte pro vinte e um. Ok. Mas não sei bem se ele merece. Talvez mereça se tomarmos no diálogo o "amor" e trocarmos por "desejo". Se ela tivesse dito "eu desejo", talvez a resposta do "ele merece, eu não" fosse realmente acertada. Talvez não. Possivelmente, até o Rodrigo Santoro seja um cara bom de cama por ter a oportunidade de praticar muito, tendo em vista que um boa pinta consagrado como ele tem essa possibilidade – mas isso não passa de uma ilação. Não tenho dados que afirmem uma coisa ou outra nesta análise, a independer do que acha a esmagadora porcentagem das mulheres brasileiras.

Na verdade, a questão aqui se depara não com o Rodrigo Santoro, mas com a troca da palavra "amor" por "desejo", ou pela palavra "quero", ou por "cobiço".

Seria o "amor" confundido assim por nós com tanta frequência? Seria o "desejo" colocado no mesmo saco do "querer" e da "cobiça"?

Isso pressupõe que o TER envolve a questão?

Será que seria justo dizer: "Eu quero ter" no lugar de "Eu amo"?

Se a resposta for afirmativa, talvez estejamos diante da resposta a uma das confusões clássicas que, acho, estão rondando o Mundo do Consumo em que vivemos...

Porque, se for, está explicado porque se troca de "amor" como se troca de roupa.

De carro, de casa, de sapato, de bolsa. Talvez, até por isso, seja possível querer dois carros, duas casas, duas roupas... um "Rodrigo Santoro" e um "você". Ou o seu marido e o marido da outra. Ou o seu namorado e o namorado da outra. Ou o seu namorado e o cara da mesa ao lado.

Pensando assim, eu realmente não mereço. Nem o Rodrigo Santoro. Nem ninguém.

...

Me dá um frio na barriga pensar que encontrei a palavra cimento em merecimento. Mas isso é só outra reflexão contígua a essa...

Já o amor verdadeiro, sim, acho que é "assim e pronto".

Um comentário:

Bê Sant Anna disse...

http://www.youtube.com/watch?v=vgcWL3ISdeY