domingo, 18 de março de 2012

Se O acaso me quiseres



Acordei a primeira vez 1:00h. Virei, abracei minha filha e dormi. Depois, 5:00h.
Tateei, e você não estava do meu lado direito. Abracei você e dormi novamente.

Levantei às 7:00h. Pra quem tinha ido deitar 21:30h no sábado, tinha sido quase um recorde mundial. Coloquei a blusa branca comprida, a camiseta do grupo de corrida, uma sunga, a bermuda de correr por cima, meias sem cano, tênis que sua mãe me deu, óculos de correr que minha irmã me deu, o Ipod que ganhei de sua última viagem, boné e estava pronto pra tomar meu café. Fiz um ovo quente. Lembrei que há 5 meses não levo um café na cama. Café na xícara nova do Neruda, que o Peregrino me deu de uma viagem que fez, sanduba de queijo no pão invertido, criação minha, uma espiada na janela pra ver em que pé que tava o clima externo, já que o interno tava nublado.

Bê ijo na Beatriz de bom dia e lá vou eu, pro tratamento psiquiátrico matinal, 15km no Belvedere, dessa vez sem passar nas quaresmeiras da Zuzu Angel.

Mínimo de 6:15, máximo de 4:40. Peguei 40% de subida. É que fui na portaria da Vale, peguei a estradinha do meu sonho, passado presente, inspiro, expiro e suspiro.

A cadência me fala da vontade de não morrer hoje. O pai da Elke Maravilha, amiga antiga, dizia que a gente não morre no dia que espirra, contava ela. Hoje eu não espirrei. Mas corri 15km. Acho que 15km valem um espirro.

A chuva interna passou pra fora. E quando terminei, suado, tomado de vida, vívido de sangue corrente, torrente de mim que acredita, começa a tocar. Quando olhei finalmente pra cima, e vi os prédios todos em prece, enquanto a chuva pingava suas bênçãos pra quem deixa no shuffle sem preconceito e espera o recado do acaso: http://www.youtube.com/watch?v=iQ_W22lnzLQ&feature=related

Domingo mínguo, e o acaso me chama. A chama.

Sou grato, meu Deus, por poder correr e saber de amar.


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