quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O único texto único.




Da mãe, estica os bracinhos. Abre e fecha a mãozinha, querendo pegar. Vou com meu pai, ela diz. Onda em meu peito em praia, Beatriz me cala, me calo, me colo. Soul solo. Ela não sabe do medo e da vergonha, das escolhas profanas, da pequenez dos homens. Não sabe das diferenças tantas, ela sabe de mim. Me tem e me vem, me voa e sou tudo aquilo que ela pode querer quando estica os bracinhos agora:
Sou sem demora.
Há mar, Beatriz. Independente de tudo. Preceitos refeitos, tenho a seta amarela do amor a apontar Santiago, que insiste em pedir: - Anda!
Ando.
Faço índiozinho batendo a mão na boca, estico a língua pra ela pegar, tiro e coloco os meus óculos vinte vezes vinte vezes, ela escolhe o símbolo do amor infinito que trago em meu peito pra brincar. Ela é sábia e sabe da sebe de Deus. Entrelaça caminhos, entrelaça destinos, entrelaça o há mar de ser menino.
Sou sino. Pranava Om.
Morte e vida, Severina, sou sina, sou só estar sem demora. No tempo do ser. Kairoz é noz que vigia, sou cria, sou pai, harmonia. Sou só oito, oitamante, a vibrar em festa, no tempo da dança da minha criança que estica os bracinhos. Ela veio sabida. E morri no abraço da minha filha ontem, biscoito de maizena que cato em cima da geladeira, brigadeiro de colher vendo sessão da tarde, banho de mangueira na garagem nas férias escolares, os lares, os ares, os suspiros do não ser. Sou só desejo, eu sejo, a mór.
Sou teu e meu, filha. E sei esperar pelo tempo dos homens.
Eu Caminho.