quinta-feira, 16 de junho de 2011

verão

Ele é egoísta. Auto-referente. Tem viagens persecutórias, é inseguro. Umbigo do mundo, encontra um jeito de precisar. Independentemente de precisar. Se acha zeloso, mas não sabe que a palavra zelo vem da palavra ciúme. Se acha. E tem medo. Contraditoriamente. Espera, mais do que faz, é outro. Não ele.
Mas é romântico, no sentido de acreditar na diferença. Faz café da manhã e leva na cama, cuida, traz, busca, poda, molha. Abre a porta do carro na maioria das vezes e canta pela manhã, quando atravessa a rua e sobe no passeio. Em voz alta. E sonha. Sem acordar. E quando fala, elogia. Quando noite, estrelas. Quando dia, amanhece. Quando tarda, inverno. Quente, muito quente. Olha nos olhos pra sempre e acredita na possibilidade da verdade. Verdadeiramente. Me pergunto se merece crédito.