quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

cimento, areia e água



Começo tirando os azulejos. A parede nua mostra suas imperfeições. Descubro canos velhos, onde a água não pode correr como antes. Troco todos. Tiro o piso que piso. Não há motivo para medo, não vou ficar sem chão. Onde vou pisar, vai ser limpo, novo, bem feito. Nem a sujeira que hoje há nos sapatos pode me dizer do que vai ser, e de certo modo, nem do que foi. Vou rebocar. Pintar tudo. Não me interessa a poeira temporária. Ela turva minha mente, me confunde, peço pra ninguém estar por perto, pois não quero ver alguém em meio ao pó, imagem confusa, sujando a expectativa. Não sei se alguém me entende. Não sei se espera. O barulho me incomoda. É a comprovação que está sendo mexido, macerado, revolto, escarafunchado. Mas projeto meus sonhos por sobre a tela do que vejo. Não sei bem se a reforma que faço agora é na casa ou se novamente em mim.


3 comentários:

Rachel Murta disse...

Nenhum tipo de reforma é simples. No meio do processo a gente pensa se não teria sido melhor ter a chance de começar a construir do zero.

Bê Sant Anna disse...

Meu bom amigo mandou para meu email:

"Tentei comentar seu blog de hoje, não deu certo (estou apanhando um pouco dessas "novidades"). Vai aqui o comentário:
"Happy are those who dream dreams and are ready to pay the price to make them come true". A frase não é minha, mas é disso que você está falando (pungentemente...). É bom mesmo fazer isso. Aproveite o feriado para descascar uma cebola, lentamente...
Abs,
Nelson Nascimento"

Bê Sant Anna disse...

Rachel,
dentre os tantos mistérios, o Caminho que nos parece o Escrito Certo pelas Linhas Tortas de Deus...
A Princesa me ensinou uma coisa fundamental (que tenho tentado cada dia aprender e apreender): resignação. Existe uma sabedoria na resignação. Há como sabê-la. P.S.: resignação nada tem a ver com estagnação...
Bê ijos e obrigado a vocês por lerem e por comentarem.