terça-feira, 21 de julho de 2009

Caleidoscópio


Ganhei um caleidoscópio.

Quem me deu não sabe o que significa.

Somos imagens. Cacos coloridos que, juntos, reconfiguram o ser. O não ser. Desenham o estar.
Dependemos da luz que incide em nós, que atravessam nossas falhas, que fazem entoar nossas cores tantas, que refletem o brilho intenso-intrínseco que trazemos.

Mas ainda assim, somos cacos.

Também dependemos do outro, que nos viram de ponta-cabeça, nos moldam, nos comandam, nos sacodem, nos atrapalham, nos ordenam. Quantas vezes somos orientados por eles? O princípio da alteridade nos faz vítimas dos desejos alheios, muitas vezes.

E o olhar...

É no olhar do outro que nos tornamos, independentes de sermos.

Ser e tornar. A questão do movimento novamente presente.

Movimente o olhar sobre o outro. Movifalaverdade e diga o que acha dele.

O outro também é só cacos. Mas no jogo impossível do querer, caleidoscópiosesseguram, se rodam-rodeiam, se sacodem, se colocam ao sol, na luz brilhante do desejo e se misturam
catando cacos, contando sonhos, chocando versos, travando cores, brincando formas...

Pingentes nós, humanos, que cacos somos, uns de vidro, outros de plástico, tantos de acrílico e encontramos quem nos veja beleza, quem nos sinta arte, quem nos conduza parte e encontre, nos restos, inteiros na capacidade infinita de amar.

imagem em: http://myjcts.files.wordpress.com/2008/11/jct-a026.jpg

6 comentários:

Lu disse...

Lindo, Bê!

Uno e multiplos, quantas e quantas vezes existimos por aquilo que vemos no espelho da retina de alguem. Da leitura de seu texto, fui abrir minha caixinha de recordações.

Dela tiro um caleidoscopio azul, que me dei de presente ja adulta. Boto nele meu olho e embarco no tunel do tempo, sempre funciona: a paisagem é-mesmo-não-sendo a que eu via através de outro caleidoscopio, presente da infancia.

Na mesma caixinha pego uma caderneta, folheio, encontro: Inhotim. Galeria mata. Telescopio-caleidoscopio, Olafur Eliasson, Copenhague, 1968. Macro e micro, traz o longe para perto...

Olha, vem voltando à tona o que voce postou em 29 de maio: "éloigner"...

Hoje, pelo caleidoscopio do seu texto, mergulhei numa nuvem de po de Pirlimpimpim, ouvindo meu dicionario sussurar: "kalos", belo,"eidos", imagem, "skopein", olhar.

Quando um olho se abre à luz, a beleza do mundo uno-multiplo-longe-perto-antes-depois se instala em cada um dos pedacinhos de espelho.

Magico, Bê!

Bê Sant Anna disse...

Lu Rochelle,
evita colocar um comentário 10 vezes mais interessante que meu post. Se não os leitores vão descobrir o "bicão das letras" que sou... hehehe ;)
Obrigado por ser atenta e pro-vocativa. :)

LU disse...

Bê,
Ja vi que o seu bom humor voltou. Que bom!

Agora, que historia é essa: "mais interessante"? "Dez vezes"? Ate parece que as nossas matematicas nao sao as mesmas.

Mas claro que no fundo,sao sim:
adição de textos = multiplicação de sentidos

E meu texto é apenas cria do seu!
Siga nos inspirando!

Joana disse...

Lindo!!!

Morenaq disse...

Ca-lei-dos-có-pi-o = Complexidade, fragmentos confusos,mistura,dúvidas,expectativas, surpresas... Esta é minha percepção, quando me sinto assim é a ele que recorro desde a adolêscencia.... Texto bonito, tocante. bjos

Anônimo disse...

Qual surpresa virá desta vez? Gostei!!! C.D.G