quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Sincericídio do poema prósico





Poema Prósico.

Nunca ouvi esse termo. Achei, imodestamente, que iria propô-lo, mas googlei e já haviam cunhado essa óbvia relação, ilação, enfim. Não sei, na verdade, se o termo existe na academia, vou perguntar a minha mestre para assuntos linguísticos, a maravilhosa Luciana Wrege Rassier. Mas não importa, é só curiosidade. Porque bem mais que prosa poética, com toda licença que tem, o que Pablo Nobel faz é um poema prósico bacanérrimo em Sincericídio
(Sincericídio / Pablo Nobel. São Paulo: Ofício das Palavras Editora, 2012).

Pablo, "Como alguém ousa não gostar de mim?

Fico imaginando como nosso lado narcísico tantas vezes se pergunta isso. E é um barato que sincericidiamente se pergunte, sem medo da morte, do julgamento, do fim de algo que não sabemos bem o que é... 

Pablo escreve como a carne mal passada argentina. Sua poesia é Ojo de Bife com Chimichurri, sangue suculento escorrendo no prato. Salivo.

Pablo, chorei com "Febre", gargalhei com "Charutos". 

Quero lhe dizer que adorei a "Receita". Vou aqui pedir licença pra citar um, dois fragmentos, pra me fazer entender. Ou pra me desentender por completo, só compreender - que a poesia é bem isso.
Em Um dia a mais:
"Invejo a habilidade de algumas pessoas de viver como se fizesse sentido."
Em Febre:
"Pedi a Deus que existisse. E se existisse, que permitisse a dor migrar daquele corpo pequeno, para o meu, imenso. Corpo de pai."

Interessante que por mais que eu tenha tentado imaginar o amigo Pablo enquanto lia, o escritor tomava o seu lugar, e me jogava pra longe, e me perdia na distância do autor, e me perdia na proximidade das palavras como sendo minhas, verdadeiras, quentes. Acho que Pablo pode ser definido como um milongueiro das palavras. Nos convida (charmoso) a dançar um tango nas páginas de seu Sincericídio. Com ele. Conosco. Parejas PeligrosasChamuyo perspicaz, intenta la salida, la caminada, el giro, el cierre. E quando abrimos os olhos, estamos ali, sós, sentados na pista, enquanto um bandoneón toca o solo de Adiós Nonino.

"Roubo", "Diferença", "Lupa", "Distração": SENSACIONAIS, no sentido mais próprio da palavra.

Ah, que a "Fada" da Ana não nos ouça, Nobel, mas foi seu ato falho que pediu a Deus que existisse, escrevendo "Deus" com letra maiúscula. Vou ser ousado pra lhe dizer o que achei do seu primeiro livro, lhe citando: "O mar agradece. E eu também."

Um abraço fraterno do agora fã do autor, Bê.






3 comentários:

Brenda Ligia disse...

Nossa, Bê, meu amigo-irmão... como você escreve bem! Sei que isso vai parecer um jabá enooorme, indescritível, mas é verdade! Você é sensacional com as palavras (eu disse "com as PALAVRAS!" kkk) e tem que escrever mais e mais, sempre... ADORO!
Quero muito ler o livro do Pablo. Queria muito estar aí com vocês. AMO. Bê-ijos.

Bê Sant Anna disse...

Adooooooooooooooooro

Maurício Gaetani disse...

Muito legal a sua resenha, Bê. Você é mesmo outro "danado" com as palavras. :-) Abraaaço.