segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O Amor depois dos 35.





O cursor pula na tela. Como escrever? O que dizer sobre o Amor escolha?

És. Colha.

Já usei muito essa poesia semântica. Aliás, quando eu morrer, talvez façam uma notinha de jornal com esta epígrafe: “morre um dos criadores da poesia semântica”. Sim, quando a gente passa dos 35, começa a pensar na morte. Porque de alguma forma, você já se deu conta que “...podia ter subido mais montanhas...” ah, sei lá. Não vou ficar aqui citando poema dos outros, porque isso não leva a lugar algum. Depois dos 35 começa a pensar na morte e a vida vira um tesão. Fazer 35 não é brinquedo não. Quanto mais quando você descobre que você espirra e tá com 42. E ainda fingindo ter 35. Ou querendo ter...

Com trinta e cinco você se lembra de uma cacetada de filósofo foda que com 35 já tinha resolvido a vida e inscrito seu nome no tempo do sempre. Com 35 você pensa que Jesus viveu só 33 e você já tá no lucro, e ninguém vai se lembrar de você daqui 200 anos, quanto mais daqui 2015. Daí, você meio que manda tudo à merda e decide que Puatz!, eu vou mais é ser epicurista (no sentido clássico comum e errôneo, devo dizer) e pensar no meu prazer, porque se eu não fizer isso, quem vai?

Se você é mulher, fica meio assim achando que tá fazendo a curva, virando o Cabo da Boa Esperança, mas descobre logo (com 42) que isso não passava de mito. De balela. Que modelinho pra ser feliz a gente encontra no pote de margarina, não na vida real. Aliás, o grande lance do amor ideal é que descobrimos que podemos pensar na semântica da parada: se é I-DE-AL é porque mora no mundo das... das... das... isso, ideias! Tá vendo? Com 35 agente fica até inteligente. E descobre que “foda-se” é uma “palavra” mágica. Uma expressão redentora, uma espécie de bênção própria.

Porque o mundo está aí, de carne e osso, e a única coisa que pude entender dessa baita zona até agora, é isso: és. Portanto, filhão, colha. 

Colhemos o que somos. Somos o que escolhemos. 

Tem um Haikai meu que diz isso bem, tá no meu segundo livro: 

“Quem planta, escolhe”.

Pode parecer uma brincadeirinha simples e sutil, mas pare um pouco. Pense. 

Aos 35 você já sabe escolher. E pode, se quiser, dar ouvidos ao equilíbrio. Ao que te faz bem. Às amizades verdadeiras, não às amizades de conveniência. Porque os filhos da puta dos Beatles é que estavam certos: All We Need Is Love. E se o Love for de mentirinha, caro leitor, cara leitora, ... enfim... você entendeu. Porque passamos mesmo dos 35. Quem realizou o sonho de ter uma criança, sabe que o que o espera pela frente é o SEMPRE. Porque “criança é bom, mas dura muito”, como disse um amigo meu. Dura a SUA eternidade. Então, tem que ter cu pra aguentar, filhão. Porque não tem férias de paternidade e maternidade (Desculpa, não achei um jeito mais polido e fofinho de dizer isso...). Em contrapartida, se você não realizou esse sonho, o mundo é seu. Ligar o foda-se é só uma questão de escolha. Amar com consciência é só uma questão de escolha. Fazer o bem é só uma questão de escolha, gozar e ser feliz, dar prazer ao outro e a si mesmo, é só uma questão de escolha... sabe, com 35 a gente tem que ter descoberto o que é, o que representa, o que re-presente escolher. Porque é um presente mesmo que Deus, a vida, a natureza, a maturidade nos dá. 

Ah, ... sei lá. São só umas poucas divagações de uma madrugada, quando escolhi estar sozinho, em um lugar onde não conheço ninguém, estudando uma coisa que dificilmente vai me dar dinheiro, porque resolvi que minha felicidade não tem preço e que o Caminho só vale quando tem Valor.

Depois que fiz 35 anos. E um pouquinho.

All we need is love mesmo, a verdade é essa.

Mais sobre segredos óbvios nos outros posts desse mesmíssimo blog. É só procurar.