segunda-feira, 15 de junho de 2015

Desligue o seu celular e sapeque enquanto é tempo



A música desse texto foi escolhida em homenagem a Fernando Brant,
Viajante do Manoel, o audaz, que partiu essa semana para fazer poeira em outras estradas, nas estrelas do sempre.

***

Se você tem menos de 35 anos, por favor, não leia este texto. Depois não diga que não avisei.

“O sonho acabou. Quem não dormiu no sleepin- bag nem sequer sonhou”, como diria Gilberto Gil. 

Digo isso porque sapecar é maravilhoso. Digo isso porque trepar (me desculpem os pudicos) revigora. Digo isso porque fazer safadezas sexuais livremente com consentimento do seu parceiro é contundente e transformador. Desliguem a CENSURADO do celular.

Sexe-se. 

Não, não errei o substantivo, não errei o adjetivo. Verbeio a existência do agir, imploro a substantivação do ser sexual, pelemente falando, líquidamente existindo, cabelamente puxando, suormente apertando. Pause-se. Respira, vai. 

Começa de novo. E depois para. Porque isso é bom, mas termina aí.

A música dos anos setenta encontra respaldo só na inconsequência da paixão, no embrião do desejo que rompe semente, arromba virgens pensamentos e eclode em relações que não podem dar certo. A juventude capa e espada sonha castelo, princesa, cavalo e batalha mas o dragão não pode ser mesmo visto... É que as garras do real aniquilam a existência da paixão. A Odisseia dos lençóis termina em naufrágio antes de podermos voltar às ilhas renascidos, renovados, renoivados de desejos pulsão. 

A paixão não sobrevive ao amor. Lamba enquanto é tempo.

Pescoços, curvas, sussurros, gritinhos histéricos e lágrimas (que sem querer são libertadas no fim do início de tudo) nada são frente à descoberta de um outro tipo de amor.

O amor parental.

(Não me xingue não fui eu Quem inventou isso)

Mães ficam com dozinha de seus príncipes, maridos, amantes, namorados, ficantes. Pais ficam com peninha de suas esposas, amantes, namoradas, rainhas. A crueza do desejo, a infantilidade da paixão não pode com a maturidade e a velhice do amor parental. 

O amor de um pai é um grosso e robusto carvalho de trinta metros frente à fragilidade rameira da paixão, pimenteira de época... Nos olhos dos outros arde, na boca da gente queima mas, se febre, passa. E como passa.

Quando o avião decolou de Florianópolis ontem, chorei. Não de paixão, não de desejo. De agradecimento por Deus ter me dado a graça estupidamente gigantesca de ter uma filha como a minha. Que é maior que tudo e que todos, que faz o tempo parar, a noite acender, o mundo girar e o sol aquecer, finalmente. Preciso, urgentemente, me tornar muito muito muito maior do que sou pra ter a honra de ser pai de minha irritantemente filha.

Mais sobre como comparar figos e LEGOS, displicentemente por escolha, em besantanna.blogspot.com





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