quinta-feira, 28 de maio de 2015

Caixa de Lápis de Cor.


Para ler o texto, inicie a música em respeito à minha mãe, por gentileza.


– Filha, vamos combinar o seguinte: papai vai comprar um presente pra gente dar pra vovó Lili. Eu compro o presente e você faz um lindo cartão pra ela, que tal?
– Quantos anos ela tá fazendo?
– 70.
– Só?
– Só. E aí, o que é que eu compro?
– Uma boneca! Toda menina adoooooora boneca!

Claro que eu comprei. Pra minha menina mãe vovó.

Sabe? É muito difícil escrever sobre ou para minha mãe. Quase uma unanimidade familiar, minha mãe é uma mistura de Madre Teresa de Calcutá com Coelhinho da Páscoa. Um cruzamento de fada-madrinha com Robin Hood. Da noite, o travesseiro. Do dia, a nesga de sol. Se o amor fosse uma árvore, minha mãe seria a clorofila. A Mega Sena acumulada do meu pai. Já pelejei pra defini-la um bocado de vezes e a minha melhor definição dela foi: minha mãe é uma caixa de lápis de cor.

Não dá pra falar dela sem falar de gratidão. Não dá pra falar dela sem falar de fé. É impossível falar dela sem falar de carinho e disposição. Eu tenho um pouco de dó da Pollyanna. O “jogo do contente” é de uma obviedade infantil desconcertante, perto da minha mãe. O conceito de “sabedoria” tem que ser revisto depois dela. 

Sem alarde, sem drama, sem grito, sem chilique, minha mãe é o Peter Drucker da positividade. O Michael Schumacher na corrida da busca do Equilíbrio. Minha mãe é foda. Mesmo.

Me comove o amor dela por minha filha. Me deixa admirado a forma como ela convida a saudade para sentar-se à mesa e comer com ela a refeição que preparou com tanto carinho. É assim que Vovó Lili administra a dor, é assim que ela resolveu se relacionar com o perdão. Minha mãe lambe as chagas do destino. Põe no colo, decide: há mar. Por escolha.

A inteligência da Liginha vai muito além da perspicácia e da capacidade textual argumentativa. Silentemente. Humildemente. Pacientemente. Amorosamente.

Tia Liginha pra maioria, Dona Liginha pros de fora, Vovó Lili pra minha filha, Mãezinha pra mim. 

Minha mãe é mesmo um presente de Deus que não cabe em meus braços.



3 comentários:

Vitoria Castro Alves disse...

Viva Liginha!!!!!

Sulamita Sant'Anna Murta Barreto disse...

Sempre um espetáculo!

Rachel Sant'Anna Murta disse...

E todo o amor do mundo pra Lígia Moura, minha fada-madrinha!