quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Eupelúcia

eu no aniversário de minha filha


Talvez a obra "Ursinho Pimpão" seja considerada ainda um Clássico da Humanidade, ao lado da Nona Sinfonia de Beethoven, Suite Quebra Nozes de Tchaikovsky, Primavera de Vivaldi ou A Flauta Mágica de Mozart.

Talvez a Ode Ursinho Pimpão seja ainda por mestres do cordel recitada, receitada por psiquiatras lacanianos, palavra por palavra, acorde por acorde, me acorde, para acordar pais, e mães, mestres, discípulos, hunos, bascos, unicórnios, elfos, fadas.

Por quê?  Porque precisa. Porque preciso.

Porque não dá mais mesmo pra viver num mundo sem Ursos, sobretudo os Pimpões.

Sabe, os pais são ursos.

Eu, o Pimpão de minha filha. Enquanto (eu ia escrever "quando") falto, ela me coloca Pimpão no lugar. O eupimpão pega então sua mão, e a conduz pro lugar momentum sonho, pro espaço tempo do amor afago.

Eupelúcia choro. Eupelúcia escuto. Eupelúcia sofro dores indizíveis, vítima da impotência da culpa paterna, a eterna culpa ideal - do mundo das ideias -, a culpa desculpa necessária...

Penso: quando a palavra desculpa se materializa na boca do pai, passando pro ouvido da filha, ela é maior que a ideia de culpa paterna presente?

Se o homem for mesmo produto da linguagem, a palavra que voa da boca ao ouvido pode ser mesmo remédio, unguento, o caminho da cura. 

Se assim não for, a música, o cataplasma possível da alma, é a última receita pra enfermidade já catalogada e reconhecida como Pais Pelúcios Pelejantes.




Nenhum comentário: