sábado, 20 de setembro de 2014

No Lago Negro sonhando com minha neta



Com pai, chão.
É o que sinto. É o que sei.
Ninguém que lê sabe mesmo por onde andei.
Senti Caminhos. Sobrevivi. Mesmamente.
O onde virou quando, o ontem se eternizou. Nas águas do Lago Negro, profundezas.
Sento-me à sua margem. Olho de soslaio a foto que me deságua. É bica. É pranto.
As marolas do desejo vem cá fazer margem. A grama não molha. O céu que emoldura a foto está impresso na superfície das águas. Às vezes, vemos. Às vezes, não vemos. É o Vento que fustiga a compreensão da gente. Mas está lá, escondido no movimento silente das parábolas líquidas.
Áquo-me enquanto percebo a presença gárcica do meu pai.
Ele espera imóvel a chegada de sua neta, enquanto observa o céu das águas. Calmo.
Calma alma ama. E respira.
Nada.

E o Vento não tarda a nos surpreender.



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