segunda-feira, 14 de abril de 2014

FroZen


Escala o himalaia de seu ego em busca do Nada.

Sabe, não está lá. Mas empreende com forças e energias colossais, em ato contínuo, como se a resposta viesse no mantra movimento, na crença da revelação.

Ela sabe que suas escolhas congelam o mundo. Mas não se lembra que qualquer escolha deve ser seguida pelo coração. Se ele não indica o caminho, ele deve ao menos compartilha-lo. Não se manda o coração seguir uma via e vai por outra, na esperança de encontra-lo lá na frente.

É preciso lembrar que as retas paralelas se encontram no infinito. E o infinito é o sempre. O momento agora, imutável na lembrança, o momento agora imutável da lembrança.

Toda lembrança é forma de perpetuação do tempo. O tempo hoje, gelo quente, que pode queimar sem deixar cicatrizes.

Isolar-se não muda o curso das águas. Fugir não torna qualquer realidade mais quente. É preciso aprender a patinar no gelo e descobrir que todo amor vale a pena. Quando é real. Quando é vivido em abraço, com corações alinhados e almas entregues.

Para alinhar o coração é simples: abrace encostando a bochecha esquerda na bochecha esquerda de quem se deseja alinhado. Respire fundo, pelo menos duas vezes, e escute.

Escutar é um ato de amor.

O silêncio a Deus pertence, saiba. Mesmo no gelo, o exercício zen de congelar-se em paz. FroZen.

Há quem queira encher o silêncio de perguntas. Há quem o queira encher de respostas. Há até os que tentem encher o silêncio de palmas.

Mas o silêncio é um pernilongo e mudo que não se consegue matar. Ele escapa por entre as palmas. Nem adianta gritar.

É como a charada do ego. Está na própria palavra: "é. Go." Não há porque fugir. Vai com você para o alto da montanha de gelo.

Às vezes, quem lhe desperta para o amor não passa de um príncipe equivocado, bela princesa. Mas que teve seu papel fundamental no longa metragem.

Há ainda mais uma observação a ser feita: não existe vestido de gelo. Se repararmos bem, todos esquentam na medida do nosso querer.

Um reino de amor aguarda toda gata borralheira, basta acreditar.





2 comentários:

Bê Sant Anna disse...

É bom se lembrar que todo gelo queima.

Ana disse...

Filme lindo, belíssimo texto, excelente reflexão.
Sou grata. E sigo aprendendo a ouvir o silêncio no reino do Amor.