terça-feira, 29 de abril de 2014

Ressignificação

Hoje, levo um pouco da História do Caminho do Pai, 
o Caminho do Amor, 
convidado pelo Tio Flávio pra falar sobre ressignificação. 

Vamos? Ânimo!

Eu caminho.





segunda-feira, 28 de abril de 2014

We're back


Rock and Roll na veia. Ou na véia?


A maior banda de Rock desconhecida do Brasil está de volta. Depois de amargar 4 anos na escuridão total, eis que ressurge como Fênix a banda Fenemê.

Nunca ouvi falar?

Provavelmente sua área não tem nada a ver com publicidade e propaganda.

Formada desde o início por publicitários, a banda Fenemê era a maior banda de Rock desconhecida do Brasil. Sim, respeitável público, éramos 7. Bê Sant'Anna, este que vos tecla, nos vocais, acompanhado por Sílvia Behrens. Nas guitarras, Augusto Coelho e Francisco Brandão. No contra-baixo, Dan Zecchinelli. E na bateria Luciano Recife e Wagner Lanna. Sim, dois bateristas. Banda boa é assim. Tem até reserva de bateria. Era uma espécie de futebolzinho de terça à noite, mas sem campo, sem bola, com cerveja e muito rock. Nos reuníamos em um estúdio de ensaio sob o lema: "Ignorância é com o Fenemê" e sentávamos a lenha. Descíamos o bambu. Socávamos a bota.

Na dúvida, toca alto! Dizia nosso baixista, sabiamente. E assim foi por 10 longos anos. Juro. Tocamos em várias festas da publicidade. Nos estúdios de fotografia do Carlão, do Fernando Martins, em festas de fim de ano das principais agências, em festas de anuários do Clube de Criação Publicitário... nuh... foram vários shows e muita diversão.

Teve até turnê internacional em Nova Lima! Pasme.

No circuito tradicional, a casa que nos acolhia era o Major Lock. Yes, tocávamos no Major volta e meia. Era só a gente se empolgar com algumas músicas novas e pronto: Ramirinho e Bucha abriam espaço na agenda pra gente suar no palco do Major.

Decidimos voltar. Começamos a ensaiar um novo show, que os fãs já batizaram de "Fenemê Resurrection". Estamos no segundo ensaio e já deu pra ver que o pau vai quebrar com força. Agora com nova formação, saíram Augusto, Chico e Sivinha e entraram Duilly nos teclados e Marcão na guita, o Fenemê tá com sangue novo. E Rock precisa disso. Disso e de atitude.

Acho até que antes do próximo show vamos nos hospedar em algum hotel pra quebrar tudo, chamar o segurança, mandar uma tv de led pela janela e contratar umas modelos e manequins. Afinal, o que seria do Rock que se preza sem uma lista de 150 toalhas brancas no camarim e essas barbaridades todas sem sentido?

Brincadeiras à parte, viva o encontro com um objetivo comum. Viva a amizade, o gosto pela música, o brinde e a dança. Dá saudade se sentir vivo e abraçar o tesão de uma curtição. Eis um erótico jeito de ser mais feliz

Vale aguardar o próximo show.


* Na foto, o baterista Wagner Lanna, durante os quatro anos de espera.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A corda e a cruz



Ontem foi dia 22 de abril. Dia em que se comemora o Descobrimento do Brasil pelos portugueses.

Na Assembléia Legislativa de Minas Gerais inaugurou-se uma estátua de Tiradentes. Na verdade, o dia de Tiradentes foi antes de ontem, um dia antes, o feriado de 21 de abril. Dia de sua execução.

Os portugueses executaram Tiradentes.

Talvez a escolha do dia da execução de Tiradentes seja representativa pelo fato dele sim, ter conseguido sua liberdade ao deixar esse mundo.

Também sou um inconfidente. Não devo fidelidade ao que impera. O que impera é um mundo doente e sem justiça.

A mãe da minha filha, que é descendente de português, faz aniversário no dia da execução de Tiradentes. Este ano, o dia de Tiradentes caiu junto com o domingo de páscoa.

O domingo de páscoa foi antes de antes de ontem, dia 20 de abril. Na páscoa - palavra derivada de uma palavra hebraica que nos remete a "passagem" - comemora-se a ressurreição de Jesus Cristo. A passagem dele para o Reino dos Céus, a saída desse mundo doente e sem justiça para um mundo de liberdade.

Fui para o Rio de Janeiro para passar o feriado de páscoa e o feriado do aniversário da mãe da minha filha, ou melhor, o feriado da execução de Tiradentes. Estive lá de quinta a segunda.

Na foto, podemos observar a estátua formidável - e uso esse adjetivo em homenagem à minha avó Lygia, artista plástica que muito-muito admirava o trabalho do escultor que virá citado na sequência dessa frase - feita pelo artista plástico Leo Santana. Antes dela ser apresentada ao público, perguntei ao escultor:

– Leo, afinal de contas, como você fez pra chegar ao rosto do Alferes? Porque devem existir talvez uma centena de representações do Joaquim, né?


Ele me respondeu algo interessante. Que no final das contas, os mártires terminam com uma representação que se aproxima do rosto que carregamos em nosso inconsciente coletivo do rosto de Jesus Cristo. Que provavelmente, Tiradentes foi enforcado careca e sem barba. Porque era o que faziam com os presos por causa de piolhos. Mas não é essa a imagem que nenhum de nós carrega dele. Assim, a representação do artista foi mais coerente à fantasia da população que recebe a estátua e buscou ser fiel à altivez, à postura daquele que lutou por nossa liberdade. Nesse ponto, não foi o artista um inconfidente.


Joaquim é também o nome do meu advogado que me defende da doença e da injustiça do mundo. No mundo onde meu advogado vive, existe quem ache que um pai amoroso e uma mãe amorosa não tem direitos iguais. Joaquim também não acredita no que reina, o que também faz dele um inconfidente.

Curioso como tudo se relaciona em minha mente.

Como aquele jogo infantil de unir os pontos. Em um ponto tenho Jesus, que lutou pela liberdade dos homens. E que morreu por sonhar possível a liberdade. Em outro, Tiradentes, que, com a cara de Jesus, morre enforcado lutando pela liberdade. Em outro, eu, que luto pela liberdade de estar com minha filha na páscoa por um par de horas e sou impedido pela mãe de fazer isso em liberdade. Mesmo tendo ela de quinta a segunda para escolher a oportunidade conveniente. Tenho em outro ponto Joaquim, meu advogado, que pede que eu faça um boletim de ocorrência para comprovar que sou espera. Para comprovar que sou pai. Para comprovar que sou amoroso. Para comprovar que não tenho liberdade. Para comprovar que o mundo é doente.

E em outro ponto tenho a estátua, em outro o feriado, em outro os portugueses, em outro minha filha, em outro o povo, em outro as testemunhas da doença, da falta da liberdade e da ressurreição, em outro a fé.

A fé do artista leva a representação ao povo com ânsia de liberdade. A fé do povo faz o Cristo nascer de novo. A minha fé cura a doença do mundo, tira a corda do meu pescoço e tira minha filha da cruz.

Talvez o desenho que surja ao ligar os pontos seja o verdadeiro e definitivo rosto do Pai.




P.S.: Conheça a Casa de Olinda e o lindo trabalho de Leo Santana. A arte liberta a alma.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

FroZen


Escala o himalaia de seu ego em busca do Nada.

Sabe, não está lá. Mas empreende com forças e energias colossais, em ato contínuo, como se a resposta viesse no mantra movimento, na crença da revelação.

Ela sabe que suas escolhas congelam o mundo. Mas não se lembra que qualquer escolha deve ser seguida pelo coração. Se ele não indica o caminho, ele deve ao menos compartilha-lo. Não se manda o coração seguir uma via e vai por outra, na esperança de encontra-lo lá na frente.

É preciso lembrar que as retas paralelas se encontram no infinito. E o infinito é o sempre. O momento agora, imutável na lembrança, o momento agora imutável da lembrança.

Toda lembrança é forma de perpetuação do tempo. O tempo hoje, gelo quente, que pode queimar sem deixar cicatrizes.

Isolar-se não muda o curso das águas. Fugir não torna qualquer realidade mais quente. É preciso aprender a patinar no gelo e descobrir que todo amor vale a pena. Quando é real. Quando é vivido em abraço, com corações alinhados e almas entregues.

Para alinhar o coração é simples: abrace encostando a bochecha esquerda na bochecha esquerda de quem se deseja alinhado. Respire fundo, pelo menos duas vezes, e escute.

Escutar é um ato de amor.

O silêncio a Deus pertence, saiba. Mesmo no gelo, o exercício zen de congelar-se em paz. FroZen.

Há quem queira encher o silêncio de perguntas. Há quem o queira encher de respostas. Há até os que tentem encher o silêncio de palmas.

Mas o silêncio é um pernilongo e mudo que não se consegue matar. Ele escapa por entre as palmas. Nem adianta gritar.

É como a charada do ego. Está na própria palavra: "é. Go." Não há porque fugir. Vai com você para o alto da montanha de gelo.

Às vezes, quem lhe desperta para o amor não passa de um príncipe equivocado, bela princesa. Mas que teve seu papel fundamental no longa metragem.

Há ainda mais uma observação a ser feita: não existe vestido de gelo. Se repararmos bem, todos esquentam na medida do nosso querer.

Um reino de amor aguarda toda gata borralheira, basta acreditar.





quarta-feira, 9 de abril de 2014

Degelo

"Na vida e no amor, o pior inferno para uma pessoa é estar separado de quem se ama. " - disse o pensador...

Penso, me dito. Será que tem ele razão?

Foi assim que se deu.

Como se entendeu separada de seu amor, resolveu separar o amor dele para sempre.

Infantil satânica escolha, que vive do eco da voz de Deus, o verdadeiro amor não se separa... Sinto muito. Nem o dela, nem o dele, nem Nada. Pois nem o pobre do tudo é capaz de separar o amor verdadeiro. Ah, se abençoada fosse a fossa.

Amor, imenso, líquido amálgama. O único capaz de superar, suplantar, redimir, perdoar. O anjo da vida, nota da harmonia, terra arada, semente escondida, desejo em presença, encontro, cântico, o amor é sem corrente, sem definição, infinita noção, sem deixar de ser infinito, o amor é dito, cujo, ornado, glorificado. É o Nada potente, por deinfinição...

O amor ri de sacudir da distância do amado. Pois amor! Quando interno inferno, inverno de gelo. Sou guardião da primavera.

Pois é. Quem habita mesmo o coração, ninho do amor, não enxerga gaiola. 

Amor, réstia de luz. Amor, fogo fátuo da paixão. O que ainda está atrás da cortina.

Na janela do meu coração tem uma tramela do tamanho exato do dedo de Beatriz.

Plec.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Dia da Verdade, mas pode ser chamado de "dia do juízo".

Filha,
hoje é dia 01 de abril, dia da mentira. Mas já é noite.

Cedo, fui na minha segunda aula de piano. Há 1 mês, estive conversando com Maria Rita, professora da Fundação de Educação Artística, que me aceitou de volta como aluno. A última anotação que consta nas costas de um dos meus livros de partitura é de 28 de novembro de 1986. Seu pai era um menino. Eu disse a ela:

– Maria Rita, preciso de sua ajuda. Meu objetivo é muito claro. Minha filha está com 3 anos. Nos seus quinze anos tenho que fazer um concerto pra ela. Com quinze músicas. Portanto, temos 12 anos pra que eu aprenda 15 músicas pra tocar pra ela nos seus 15 anos. E eu sei quais são elas. Ou melhor, quase todas. Falta uma. Essa é minha, e eu ainda não compus.

Agora é noite, filha. São mais de 20h e estou sozinho aqui em casa estudando, já que tive a segunda aula. A partitura de Falling Leaves, de David Kraehenbuehl está aberta em cima do piano. Uma música simples e triste. 

A coerência dessa música hoje é desconcertante. Ou será que eu deveria dizer desconsertante? Seu pai ainda tem que consertar muita coisa, filha. Esse concerto é só um dos consertos que devo fazer. Por você. Por nós. Pelos nós que fui dando ao longo da vida, muitas vezes sem perceber, muitas vezes sem me dar conta, muitas vezes sem querer. Nós são complicados porque são dados, geralmente, por nós. E, por isso, nós somos, os que devemos desdá-los. 

A geladeira parou seu motor finalmente, o que me trouxe grande alívio. O silêncio alivia seu pai. É concerto para mim, conserto de minh'alma. Eu já havia tocado Falling Leaves, filha. Não num outono como esse, quando caio com elas, flanando folhas secas, flanela olhos d'água. Sento. Tomo lugar. "Ande como um rio. Pare como uma montanha.", diz o ditado zen. Já andei muito. 

Foram mais de 2.500km. Agora, decidi parar e esperar. Daqui a dois dias completa-se um ano do início da minha peregrinação. Hoje, no dia da mentira, homem tira o terço do bolso. Senta e decide rezar. Porque quando o Vento vier revolver as folhas que caem, Nada sobrará. E o Nada, você sabe. É avassalador: o vassalo da dor. No dia do juízo, há dor pra quem se recusa terminantemente a enxergar.

Aguarde, filha. Você vai gostar dos meus consertos certos. 

Com o amor do sempre, Papai.

* Na foto, seu avô observa atento a sua observação do mágico ovo de Brennand. Com meu chapéu que bordei ao longo do Caminho em suas mãos, você, descobrindo aonde fica o ninho de toda ideia.