segunda-feira, 24 de março de 2014

Café com pão, bolacha não.




Redes sociais ou antissociais?

Ela leu uma reportagem dizendo que uma padaria em São Paulo (Alegria Padaria Brasileira) tinha Wi-fi e Fé. Ambas a conectavam ao que era preciso.


Paro. Penso. Me dito.

Decido: quero uma Wi-fé.

– Uai, fé? Sim, por que não?

Quero me conectar às pessoas, mas não desse modo banal. Não quero que a necessidade de aprovação seja a sinapse do qualquer contato. Quero crer que a conexão, seja ela qual for, ultrapasse o “parecer ser”.

Se Shakespeare estivesse vivo hoje em dia, talvez mudasse a grande questão de Hamlet. Em tempo de Redes Sociais em que as tramas dos desejos asfixiam as relações de identidade, imagino que Hamlet diria, perplexo e ensimesmado:

– Ser ou Parecer Ser? Eis a questão!

Se minha fosse, assim perguntaria: Ser ou pare ser? Eis a questão...

Vamos embora, minha gente... Que o ser para de ser no momento que deixa de ser para parecer ser o que quer que seja... Cadê espontaneidade? Cadê simplicidade? Filosofia à parte, ainda sim, é fácil perceber que rir pra foto é diferente de rir pra vida. Que murchar a barriga e estufar o peito não faz de ninguém mais forte. Quero encontros sem máscaras. Quero conexões de pele: aperto de mão, abraço do lado esquerdo pra alinhar os corações de quem abraça. Quero me conectar com a fé do outro, sua crença, onde o outro tangencia sua verdade. Porque nada substitui o abraço. Porque a melhor rede social é a do pescador que compartilha os peixes. Porque a melhor rede social é a que fica embaixo de dois pés de fruta, a que nos sentamos ou nos deitamos numa tarde de domingo, pra ouvir passarinhos, pra escutar o passo do tempo, pra esperar estrelas ou pra balangar buscando vento... Porque quando conexão como essa cai, é de bunda no chão. Daí, a gente ri pra valer e nunca mais se esquece do outro que bateu a bunda na terra com a gente...

Wi-fé? Por isso. Porque é possível crer que ainda dá tempo de ser. Sem medo de “pare-ser”.

Quando for a São Paulo, sei onde vou tomar café com pão.



5 comentários:

Adriana Avellar disse...

Simplesmente A.D.O.R.E.I. esse seu texto ... reflete exatamente o que penso da vida e das "conexões" nos dias de hoje !! Que possamos conseguir ser e "pare ser" diferentes ... e que assim também possamos ser com nossos filhos !!!! Parabéns Bê !!
Brilhante !!

Bê Sant Anna disse...

Grato por ler e comentar, Adriana Avellar! Compartilhe os textos que curtir, por gentileza. Assim, mais pessoas podem conhecer o blog. :)

pcmarquess disse...

Grande, Bê. A gente tem que aprender a conciliar o virtual e o real. Sem equilíbrio, perdemos nossa identidade. Grande abraço. Valeu.

Duilly Cicarini disse...

Espetacular! Isto dá uma música, hein?

Shirley Jesus disse...

Texto muito lindo!As pessoas não podem esquecer do contato fisico,pq um abraço não tem preço.