terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Faustão é o Antonio Tabet de amanhã?

– O Porta dos Fundos é o Casseta e Planeta antes de virar Zorra Total. - Profetizei feicibuquiando.

Daí me perguntaram: – E o TV Pirata?

– Era ducaralho, respondi de bate-pronto.

Antonio Tabet tem razão numa coisa: hoje a TV não tem liberdade para um TV Pirata. E justificou comentando sobre um quadro em que a Regina Casé ateava fogo em um bebê. 

Pausa:
Na Época do TV Pirata, ela era A Regina Casé, feia e engraçada, não a Regina Casé feiajeitada do "Esquenta"(Observe a apresentação dela no hotlink do programa que postei ao lado: "a identificação com a periferia (!!!) é a sua marca registrada" - vê-se pelo visual...) 

Continuo:
Talvez porque à época do TV Pirata atear fogo em índio não parecia ser nem politicamente correto, muito menos possível...

Em entrevista ao Roda Viva, dois dos criadores do Porta dos Fundos, Tabet e Ian comentam do sucesso do Porta, dizem que estão bem, obrigado, e que ainda assim não dispensam de sentar e conversar com a Globo, ou com quem quer que seja, apesar de achar difícil o formato emplacar dessa forma dentro de uma estrutura engessada como a da Globo, de outra TV aberta ou de um canal a cabo, enfim.

Penso um pouco. Acho que eles têm razão. Mas acho que eles possivelmente não vão aguentar muito tempo nessa. Vamos ver quanto vale a liberdade...

Não que eu não deseje, muito antes pelo contrário. Podemos desde avaliar o rumo idiota do Politicamente Correto - afinal, só falta chamar a filha do Gil de "Afro-descendente Gil", já que tem gênio querendo vetar Monteiro Lobato e cantar "Não atire o pau no gato" - a pesquisar o sem número de artistas, programas, formatos que cresceram à margem da babá da mass media no Brasil e que se rendeu a ela porque os Titãs é que tem razão: "homem primata, capitalismo selvagem".

Numa boa, quero que o Tabet tenha razão em mais coisas. Quero que a página vire de vez e que o eixo Rio São Paulo deixe-me continuar resistindo e morando em BH, e ainda assim continuar pagando pensão pra minha filha em Recife. Quero que finalmente "não estar na Globo" não seja "sinônimo de fracasso". Porque 9 entre 10 amigos meus não usam Lux de Luxo, mas sim, dizem: – porra, você tinha que estar na Globo.

Me pergunto: Por quê? Por que temos que "fazer sucesso"? Por que temos que ficar milionários? Por que meu trabalho não pode ser bem reconhecido em um cidade de aproximadamente 3 milhões de habitantes e eu ficar satisfeito com isso? Tudo bem, se cada habitante de Belo Horizonte me desse um real pelo meu trabalho, o futuro da minha filha ficaria mais confortável, mas o quê fazer? Como sobreviver à perversão do mercado, da massa ingênua que continua achando divertidíssimo Anitta e Naldo? Será que tudo que todo mundo quer é ficar bêbado em casamento pra dançar dando vexame? Tenha santa paciência, tenho certeza que o ser humano é melhor que isso. (ou não?)

Outro dia, o Cobra Coral fez apresentação na Praça da Liberdade e acredito que no mínimo umas 800 pessoas entre jovens, velhos, crianças curtiram seu som nada mass media, que tem uma qualidade musical ducaralho e que duvideodó que vai se apresentar no Faustão. Duvideodó. 

Quero estar errado. Quero que o Faustão chame o Cobra Coral e que eles vendam metade do Padre Fábio de Melo. Metade já está bom. E mais metade do que vende a Paula Fernandes. E olha que eu já gravei tanto com o Padre Fábio, quanto com a Paula Fernandes. Pra ganhar um troco.

Sei lá, essa discussão é muito comprida e meus dedos estão longe de fazer cosquinha na expectativa de Deus, quanto mais ver o dedo dele apontado pra mim. Quisera eu me sentir como se estivesse pelado no teto da Capela Sistina, profissionalmente falando. Uso o Porta dos Fundos como referência para que observemos. Vamos ficar atentos.

Faustão já teve o Perdidos na Noite. Ele deve preferir os milhões que ganha hoje. Agora é a vez do Porta dos Fundos, em um momento em que o Youtube começa arranhar a tela plana da TV Aberta.

"O cabo entrando pede licença, não adianta antena em pé / saiu pela culatra a imagem, só pega agora com grana e fé" foi só uma estrofe de uma música que fiz com Vander Lee: à época, a TV a cabo começava a transformação em curso e os pastores iniciavam a polpuda poupança que agora tem reflexos na câmara dos deputados e no senado federal. Claro, ninguém nos ouviu. Não passou no Faustão. Hoje, o verso seria outro. Talvez de apelo aos "Youtubíus" de plantão, pra que dêem força de fato pra uma futura democracia imagética. Uma que ainda não conhecemos. Mas que depende dos que agora tentam virar a mesa pra que aconteça. Talvez o Tabet saiba o que tem em mãos, talvez não.

O que posso esperar mesmo, é que o Tabet não compre um blazer roxo.






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