quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Storm


Resolvi tomar banho.

Mas não foi um banho assim compromisso, um banho assim o que eu vou fazer depois, um banho assim que roupa que eu vou usar quando eu sair daqui, um banho assim o que é que eu faço com relação a x, y ou z.

Foi um banho banho.

Daí, peguei a vela, coloquei na lanterna marroquina, acendi, ascendi, desliguei a luz, desliguei o ego, liguei o ipod no mantra de renascimento que ganhei de um amigo mestre e fui ter com a água a certeza do encontro.

Lá, no breu clarividente da mente silenciosa, que escorria perdão e pequeninas sujeirinhas do dia-a-dia, limpei-me.

De olhos fechados, pude ver o cheiro do sabonete, o molhado da água, o quente que me envolvia acalanto, embalando meu desejo de renovação. Tudo foi embora. Nada ficou. Nada ficou limpo, límpido, nítido, brilhante.

Alegria efusiva.

Estava acompanhado do bem que me quer bem. Decidi lavar seus cabelos. Seu corpo, seu jeito, seu sem jeito. Nos lavamos, lafomos e, ao final, chegamos-nus.

Pelado a lado, essências da natureza nudeza plena. Desnudados a dois, o Um.

Música, água, fragrâncias, texturas. Pela pele, pelos pêlos, o caminho do carinho. Cuidado. Cuidando. Cuinadando.

O mundo agora é água saborosa onde nado ondas de existir.


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