segunda-feira, 5 de agosto de 2013

p ai

Indaga a minha amiga, um pai, por definição:
– O que é ser pai? Me diga.
Eis o Caminho em questão.




"Pai"  

Sou um parquinho vazio. Balanço parado. Escorregador solitário. Carrossel silencioso. Gangorra estática. Brinquedo imóvel espera, silencia a alegria. As cores vivas desbotam com o tempo, o palhaço faz graça e não ouve aplauso, cadê riso, cadê sorriso, cadê olhinhos brilhando de excitação?

No picadeiro do tempo, o vazio da plateia incomoda os dias quentes embaixo da lona. Quero uma bundinha assada, escorregando calcinha pintada de bichinhos e gritinhos esganiçados. Quero o abraço de bracinhos miúdos, mais forte que de um urso, donde nunca mais desprendo. Pai? Só sendo.

Mistura de amor, afago de Eros, ser pai é tomar consciência do seu tamanico no mundo. O universo todo cabem em um filho. Há mar. E as ondas morrem na praia do peito, na areia quente onde meu bebê deitou aconchego. Minha filha de 2 anos mora a 2.222km de distância da minha morada. Por isso, toda vez que ouço “pai”, eu escuto a dor do finalzinho da palavra.

Sou só um parque de diversões a espera do meu amor. Sou ninho vazio. Sou a pintura floresta dragão castelo Chapeuzinho Vermelho de um quarto que ela nunca ainda entrou.

Soul.

E vivo mundo, vivo mudo, admiro mais a existência só por causa dela. Calado, colado no sonho paterno de ser alguém pra minha filha. Que pra ela, tenha valor. Seta amarela, o pai é só um exemplo inacabado de um amor que persiste. E que move. E que ultrapassa.

Quero ser um colo, quero ser um ombro, quero ser mãos, braços e pernas, quero ser cabeça. Quero um ser pequeno que com os olhos ame-me. Humanumildemente, só quero ser correspondido.

Tudo por causa do meu tiquinho, que quer parecer grande aos olhos de minha filha.




Um comentário:

Ana disse...

<3

http://www.youtube.com/watch?v=kXnlJtUY1W4