quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Sobre fidelidade, verdade e hábito.



Acho que André Compte-Sponville foi extremamente sábio ao digerir:

"A fidelidade é a virtude do mesmo, pela qual o mesmo existe ou resiste."

Na verdade, resumiu com maestria o que está em Montaigne et la philosophie:

"O fundamento de meu ser e de minha identidade é puramente moral: ele está na fidelidade à fé que jurei a mim mesmo. Não sou realmente o mesmo de ontem; sou o mesmo unicamente porque eu me confesso o mesmo, porque assumo um certo passado como sendo meu, e porque pretendo, no futuro, reconhecer meu compromisso presente como sempre meu."

Fato é, que fiel é uma palavra muito próxima de fel. A letra i, de indivíduo, é o que faz toda a diferença. Assim, o conceito genérico depende do indivíduo para se fazer tangenciável, possível, real. É como o conceito de verdade. Por mais lindo que seja, independente das inúmeras tentativas de se chegar a um enunciado que abarque mais completamente eou sucintamente esta magistral abstração, verdade, como a palavra mesmo diz, depende do olhar. Não é à toa que começa com "ver"...

Você sabe a importância do indivíduo na fidelidade? Você me ditou sobre a importância do olhar em verdade?

Eis um Caminho de busca. E, em todo Caminho, a importância definitiva do hábito.

Triste de quem se acostuma com o outro lado...




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

É logo ali.

*imagem search google "olinda"



– É logo ali, tem paciência que já tá chegando.

disse o namorado resiliente...


Pudera, ela arma um bico toda vez que não tem controle da situação. Se não fosse resiliente, já tinha chutado o balde.

Saíram cedo. Foram almoçar em Ouro Preto. Ela emburrada e ele tentando colocar uma cereja em cima da torta-do-cotidiano.

É assim. Às vezes, a gente tem que fazer do limão uma limonada. Nem sempre conseguimos agradar. Mas o jeito de olhar faz o dia-a-dia mudar sua cara. E existem alguns artifícios simples que podem fazer da tentativa de respiro, verdadeira inspiração, em seu sentido mais poético. Por que almoçar todo sábado no self-service-pra-não-dar-trabalho, se é possível inovar um tiquinho? Ouro Preto tá ali, pra quem mora em BH. Petrópolis tá ali, pra quem mora no Rio. Olinda tá ali, pra quem mora em Recife, e por aí vai. Ou por aí podemos ir.

Uma olhadinha no amigo google ou uma dica do colega de trabalho pode fazer a diferença quando se quer colocar tempero na relação, fugir da rotina, diminuir os gastos com remédios ou buscar fazer a vida mais gostosa. Eu sei, eu também adoro ir pro sítio da mamãe, eu também adoro almoçar com a sua mãe, meu amor, mas minha sogra não vai morrer se nesse final de semana a gente deixar ela inventar seu final de semana, pra gente inventar o nosso.

Mais Platão, Menos Prozac, o livro do Lou Marinoff (achei bem interessante), defende o uso da filosofia como corrimão, no lugar do remédio. Eu defendo a criatividade. Seja pra melhorar sua vida, pra melhorar sua relação conjugal, sua amizade, seu dia-a-dia. A vida é chata mesmo. Sua mulher é chata mesmo (a minha não), seu patrão é um pé no saco mesmo (o meu não), mas tudo isso tem cura. Basta olhar diferente e ter um pouquinho de criatividade.

Você já fez aula de remo? Equitação? Já almoçou em Garopaba? Já foi a Inhotim? Conhece os museus da sua cidade? E os botecos do seu bairro? Já deu uma volta à pé em toda a avenida do Contorno?

Depois quer trocar de marido e continua achando que a culpa é dele, né? Desarma esse bico e dá oportunidade pro programa diferente que ele propôs.

Convite: essa semana vamos propor alguma coisa diferente pra rotina?

Saiba que uma vida criativa e sem grande expectativa pode lhe surpreender, e muito... ;)

Pronto, meu bem, chegamos.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Uma pincelada sobre mitos e verdades no Caminho.



Mito ou Verdade?

Existem muitos mitos e verdades acerca do Caminho de Santiago. E isso certamente daria pano não para um post, mas para um livro. É, sem dúvida, uma curiosidade recorrente. Principalmente para quem quer fazer o Caminho ou se sente de algum modo atraído por ele. Elenco aqui, alguns pontos que considero importantes, cinco somente, a pedido da minha amiga Ana Crepaldi – para um grupo que tem muita gente disposta a fazer do seu caminho, Um Caminho.

O Caminho de Santiago é um caminho místico religioso. – Verdade.

Mas para isso, é importante estar aberto. Vale conhecer a música “Lente do Amor”, de Gilberto Gil, que é uma boa pista para sintonizar essa experiência. Muita gente faz o Caminho sem ter uma única experiência mística / religiosa. Por quê? Porque não está aberto. Existe uma lei do universo conhecida que diz: “Aquilo que você procura também o está procurando.” Para isso, existe um modo mais fácil. Caminhar em silêncio, ouvir a natureza, meditar ou rezar em momentos quando se está só são um bom começo. Para quem tem a formação religiosa, cabe entrar em cada igreja do Caminho e fazer dele também um caminho de fé. Existe muitas e muitas maneiras de se conversar com Deus. A certa é a que você escolher.

O Caminho de Santiago tem uma energia diferente. – Verdade.

Independentemente de ser você uma pessoa religiosa, existem coisas que são leis da física, do Universo. Quem entende uma bobina e a corrente magnética que se forma por uma energia circulando na mesma direção, vai entender do que estou falando. Conheço (e isso é muitíssimo comum) pessoas absolutamente céticas, descrentes, agnósticas e até ateus que se transformaram totalmente pelas experiências energéticas, místicas e por vezes religiosas que experenciaram no Caminho. E digo “experenciaram” por um motivo muito simples. É como a diferença entre “entendimento” e “compreensão”. Uma coisa é “entender”. Outra coisa é entender, sentir, vivenciar, transformar-se pela experiência.

O Caminho de Santiago só faz quem está preparado fisicamente. – Mito.

O que é estar preparado fisicamente? Não é incomum atletas saírem do caminho já em sua primeira etapa. Não é incomum pessoas com mais de 70 anos completarem o caminho inteiro sem problema físico algum. 30% aproximadamente desistem já na primeira etapa, mas não por não estarem bem fisicamente. Há muito além do preparo físico. “Con pan e vino se hace el Camino” é um ditado que deve ser ouvido. Pão e vinho representam muitas e muitas coisas. Alimento e líquido. Disposição e alegria. Humildade. Simplicidade. O denso e o sutil. O concreto e o abstrato. A matéria e o espírito. Jesus Cristo. E por aí vai.

O Caminho de Santiago é só pra quem é religioso. – Mito.

Não importa se você o (a) chama de Deus, Alá, Javé, יהוה, Elohim, Budah, Tupã, Adonai, Jehová, Universo, Oxalá, Braman, Natureza, Amor, Humanidade ou Poesia. Uma das formas mais antigas de se meditar é caminhando. E a meditação, o encontro com o eu, em si, é uma forma de oração. Para Deus, para você, para seus propósitos, ou para crescer pessoalmente. São Tiago só lhe convida a caminhar no Campo das Estrelas – Compostela. São muitas estrelas que brilham em seus campos enquanto caminham. Religiosos ou não.

Todo mundo deveria fazer o Caminho de Santiago uma vez na vida. – Mito.

Cada um está em um momento de sua evolução pessoal. Uns rezam, outros oram, outros meditam, outros banham-se no mar, outros fazem o bem, não importa a quem, outros trabalhos voluntários, outros estudam, outros trabalham, outros criam seus filhos, outros participam ativamente de sua comunidade, outros dizem bom dia e são educados, e por aí vai... Existem muitas formas de ser humano de verdade. E encontrar o Seu Caminho. Seja ele de Santiago de Compostela ou o do dia-a-dia. De aproximar dos Ensinamentos Superiores, independente de sua crença. Uns têm questões pessoais importantes a resolver. Outros problemas que parecem insolúveis! Outros problemas de saúde, outros graças recebidas em forma de milagre. Em suma, quem deve fazer o Caminho de Santiago é quem for chamado... de uma forma ou de outra...

Assim como existem mitos improváveis, existem verdades impressionantes. Vale ouvir e lembrar-se do mais importante: seja como for, faça com todo o seu Amor. Esteja aberto ao Amor em todas as suas formas. Leve-o como moeda de troca. O Amor como moeda é tão forte que quanto mais você dá, mais ganha. Essa, sim, é a que tem Valor. Em seu sentido mais amplo, vasto, inteiro, positivo.


No mais, – Buen Camino!



terça-feira, 13 de agosto de 2013

Dia dos pais, por Bê Sant'Anna


Veja só: dia dos Pais, pra nós, agora tem outro nome: Dia dos Paz.

É o rumo que tomamos, no Caminho escolhido por nós. Veja só. Eu, filho, estou em paz com meu pai. Meu pai, pai, está em paz com s-eu filho. Eu, pai, tenho SALdades da minha filha. Meu pai, avô, sente saudades da neta que não vê há quase um ano. Veja só: quando viu, não pode pegá-la, não pode levar na pracinha, não pode levar no quartinho preparado pra ela em sua casa. Ele "aceitou" as restrições impostas (só no hall do prédio que há guarita) para que pudesse vê-la, pra matar um pouco da vontade de tê-la em seus braços, avô carinhoso que tocava piano pra ela, ela em seu colo, quando ia pro sítio. 

-Saudade, minha filha. A vida me dá, eu dôo. Re-parto. E ponto. E passo.

Só tenho SALdades de ti. Saudades não. Saudade é pra quem não foi forjado escamas na pele do sol, frio, Vento, neve, asfalto, tempo. Tem gente que não entende. Ou faz que não entende. Ou prefere fingir que não entende porque fica mais fácil encarar as escolhas que faz. É um jeito de assumir a sumir... veja só.

Sabe, filha, hoje somos assim, uma foto enviesada de alegria. 

A alegria é. A alegria está. Mas a foto, esta, é enviesada. Re-pare: a gravidade não atua nesta foto enviesada, veja só. Tudo é leve. Só a paz. Só, há paz. Como as bolhas de sabão que se inflam ao seu sopro. Me nina.

Sabe, filha, queria que você tivesse ouvido o lindo lindo lindo discurso que seu avô fez, na hora da oração, no almoço de Dia dos Pais na casa do vovô Toi. 

Eu discursei silêncio no carinho que fiz comida, pra que todos provassem do meu amor por você e por ele. Sou só, ponte entre vocês.

No dia dos Paz, no cantinho do Vovô, a gravidade não atua. Só a paz. E a espera, és pera. Fruta com vontade de ser maçã do amor.

Veja, só. 

E se quiser, ouça. Fique com Deus, Minha filha. ∞






domingo, 11 de agosto de 2013

Dia dos pais, por Beatriz.




Dia dos pais.

Pai, que saudade.
Há praticamente 10 meses não nos encontramos. Precisamos nos ver. É uma pena que tenho só dois anos e meio e ainda não tenho como expressar essa vontade. Nem pra minha mãe, que me guarda em Al-Raçif. Eu ainda nem sei escrever... fico pensando se os pais que estão do lado dos seus filhos têm esse seu jeito carinhoso e a vontade que você tem de me pegar no colo.

Sabe, pai, o colo é o ninho da gente. Lembro quando me sentei em seu colo e tomei pela primeira vez na vida Açaí.

Você não viu a primeira vez que falei. Não viu a primeira vez que fiquei sozinha em pé, não viu a primeira vez que dei o meu primeiro passo. Não viu tanta coisa... Mas a gente tem essa história pra contar. Açaí é uma das pontes que a gente tem. Agora, toda vez que você toma açaí, tenho certeza, você me encontra sabor no fundo do pote do desejo de estar juntinho.

Quantos pais estão pertinho e se esquecem de estabelecer suas pontes?

A vida é ponte, pai. Cabe a nós desatar nós e estabelecer essa linha una, mágica, forte, que ninguém e nem mesmo a distância pode desfazer.
Eu sei, Você imaginou por um momento que eu mandaria um recado via what’s up, um cartão, um telefonema sequer, um contato via skype. Mas você sabe, pai, ainda não sei fazer isso. Dependo da minha mãe pra me mostrar o que é o certo. Disso depende parte da minha educação.

Eu fico feliz quando você escreve um cartão em meu nome no aniversário da minha mãe, no dia das mães, no natal e compra um presente pra ela. Eu sei que isso faz parte da minha formação. Eu sei o que quer dizer. Eu sei que isso vai me ensinar a valorizar a presença do outro, que isso pontua o valor que o outro tem, e que você faz isso a independer das diferenças que você e minha mãe tiveram – o que fez com que não ficassem juntos.

Sabe, pai. Eu sou de uma nova geração. Uma que vai encontrar soluções muito mais bacanas pros desafios que você e minha mãe não conseguem solucionar.
É assim. E tudo isso faz parte.

Eu só queria dizer que nada vai ser em vão. Que cada semente sua vai germinar na hora certa. Nada é definitivo, eu sei que tudo muda, nada perdura. E que se tem uma única coisa que vence a morte, como você já me ensinou, essa coisa é o Amor.

O Amor é tão forte que ele é a única coisa capaz de fazer renascer... Lembra disso pai. E que eu não lhe escrevi e nem lhe mandei mensagem hoje só porque eu tenho 2 anos e meio ainda. E ainda não aprendi a escrever.

Como você gosta de dizer, há mar, pai. Não se esqueça de banhar-se.
Sabe? Nosso sol nos aguarda.
Da sua filha que lhe ama, Beatriz.



terça-feira, 6 de agosto de 2013

E o canal se chama bis.



Eu vivo no mundo do Naldo. Não, eu não sei quem é o Naldo. Eu sei que ele apareceu na frente de uma dezena de mulheres de biquini suadas, felizes, contentes, pulantes na minha tv por assinatura e eu parei pra ver do que se tratava. E descobri que vivo no mundo dele.
Parabéns, Naldo, o mundo é seu.
Deve ter muita gente dançando essa sua música depois da meia noite nos casamentos nos dias de hoje, quando o whisky já fez efeito, e não importa mais quem está de terno, de vestido de mais de 2 mil reais, quem pagou 500 reais em uma maquiagem ou esperou 3 horas em um salão de beleza. Toda essa muita gente "quer é mais".
Interessante: vodka ou água de côco pra você tanto faz.
Pra mim, não.
Mas não vivemos no meu mundo. Vivemos no seu.
No seu mundo, foda-se a letra. No seu mundo, foda-se a música. No seu mundo, foda-se a compostura. E não estou falando da sua letra ou da sua música. Estou falando da letra e da música do seu mundo, do mundo em que vivemos.
Com postura? Sim, de quatro, melado, suado, cheio de maldade. Bom, me desculpe se fui muito forte usando a palavra "foda-se". É que achei que combinava com o contexto da música que ouvi, sabe? Porque não importa se são 14h e qualquer um pode ver que "você gosta quando fica louca" no canal BIS. É que minha filha de 2 anos e meio já sabe mexer no controle remoto da televisão. E sabe mexer os quadris. E gosta de ritmo. E tenho muita pena de saber que no seu mundo, onde ela vive, ela pode lhe ver se lixando se é vodka ou água de côco. Eu tenho a esperança que ela se importe verdadeiramente com essa diferença.
Sabe, Naldo, eu não tenho nada contra melar, suar, beber whisky, vodka ou água de côco. Só acho que pra mim, no mundo que eu gostaria de viver, faz, sim, muita diferença. Até o horário pra isso. Acho que seria o mínimo do mínimo. Mas não vivo nesse mundo. Vivo no seu, Ronaldo. Ou melhor, Naldo Benny.
Fui no Wikipedia, a nova enciclopédia dos ignorantes como eu que vivem no seu, no nosso mundo. Descobri que suas influências são Cris Brown, Kanye West e Jay-Z.
Muito prazer, Bê Sant'Anna (viu só? pra tentar me sustentar no seu mundo, eu também tenho nome artístico com apelido).
Sabe Naldo, eu queria muito gravar um CD pra você.
Acho super legal o seu brinco de brilhante, estilo jogador de futebol bem sucedido. Acho interessantíssimo o seu boné de rapper americano. Acho o máximo você usar a bandeira do Brasil do lado esquerdo do peito. Acho tudo muito coerente e edificante. Aliás, acho importantíssimo você saber contar até quatro. Minha filha de 2 anos e meio sabe contar até vinte. Só que no vinte ela fala "dezedez".
Acho muito legal quando você ensina a gente no clipe onde é "em cima" e a relação que isso tem com o "alto". Acho didático e profundo.
Acho que o que mais gostei na enciclopédia dos burros quando procurei seu nome foi o que cito aqui sobre suas influências:

"Suas músicas são classificadas como dos gêneros funk melody, Hip Hop Funk Carioca e Pop romântico. Naldo disse que não se interessa pelo Funk Proibido, afirmando: "Eu nem entro neste universo, acho que não precisa ser assim. Dá pra fazer um som para cima, animado, com nível e sem perder a classe." Ele cita Chris Brown e Kanye West como suas influências musicais".

"Com nível" foi o que mais me agradou. Fico pensando se, no que tange a profundidade, ele se encaixaria no nível box de banheiro.
Quando estudei o processo de pasteurização dos leite longa vida, que passam por um filme e esquentam a altíssimas temperatura pra tirar as bactérias, entendi o porquê chamam a música atual de pasteurizada. Deve ser porque a profundidade é de uma película e esquentam ela até que as bactérias que contaminam a inteligência e nos fazem pensar morram em definitivo. Assim, podemos beber essa coisa choca, aguada, sem gosto de leite - ou de teta entumecida, se preferir.
Sabe, Naldo, não tenho absolutamente nada contra você. Até acho que você é afinado, independente de ter usado ou não um programa como o Auto-tune no seu processo de gravação, mixagem ou edição.
Quero que você venda igual ao padre Marcelo e fique rico e famoso igual ao Justin Bieber, ou o Timberlake. O mundo deveria mesmo ser mais Justin. Só fico triste de saber que no mundo em que você vive, minha filha também vive. E que por mais que eu a apresente Stevie Wonder, Gilberto Gil, Tavinho Moura, Claude Debussy, Heitor Villa Lobos, Renato Motha, Chico Buarque, Roberto Corrêa, Patativa do Assaré ou Celso Adolfo, sempre vai haver um box de banheiro onde se misturam whisky a água de côco na hora de tomar banho pra ir pra aula. Afinal, no seumeu mundo, não querem impedir que as crianças leiam Monteiro Lobato porque seria políticamente incorreto?
Que se foda o mundo, monge ou não, eu atiro o pau no gato.
Aliás, só no mundo da idiotisse completa não se pode cantar "Atirei o pau no gato" e se pode cantar "Vodka ou água de côco pra mim tanto faz".




Vodka ou água de côco pra mim tanto faz

Gosto quando fica louca

E cada vez eu quero mais
Cada vez eu quero mais
Whisky ou água de côco pra mim tanto faz

Eu já tô cheio de tesão
E cada vez eu quero mais

Cada vez eu quero mais
Um, dois, três, quatro

Pra ficar maneiro eu jogo o clima lá no alto

Alto, em cima! Alto, em cima!
Alto, em cima! Alto, em cima!

Em cima! Em cima! Em cima! Em cima!
Eu não tô de brincadeira, eu meto tudo eu pego firme pra valer

Chego cheio de maldade, eu quero ouvir você gemer
Eu te ligo e chega a noite, vou com tudo e vai que vai
Tem sabor de chocolate o sexo que a gente faz
Corpo quente, tô suado, vem melar e vem lamber

Só o cheiro, só um toque, já me faz enlouquecer

Já me faz enlouquecer
Vodka ou água de côco pra mim tanto faz

Eu gosto quando fica louca

E cada vez eu quero mais

Cada vez eu quero mais
Whisky ou água de côco pra mim tanto faz

Eu já tô cheio de tesão

E cada vez eu quero mais

Cada vez eu quero mais
Um, dois, três, quatro

Pra ficar maneiro eu jogo o clima lá no alto

Alto, em cima! Alto, em cima!
Alto, em cima! Alto, em cima!

Em cima! Em cima! Em cima! Em cima!
Eu não tô de brincadeira eu meto tudo eu pego firme pra valer

Chego cheio de maldade, eu quero ouvir você gemer

Eu te ligo e chega a noite, vou com tudo e vai que vai

Tem sabor de chocolate, o sexo que a gente faz
Corpo quente, tô suado, vem melar e vem lamber

Só o cheiro, só um toque, já me faz enlouquecer

Já me faz enlouquecer
Um, dois, três, quatro

Pra ficar maneiro eu jogo o clima lá no alto

Alto, em cima! Alto, em cima! Alto, em cima!
Alto, em cima!
Em cima! Em cima! Em cima! Em cima!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

p ai

Indaga a minha amiga, um pai, por definição:
– O que é ser pai? Me diga.
Eis o Caminho em questão.




"Pai"  

Sou um parquinho vazio. Balanço parado. Escorregador solitário. Carrossel silencioso. Gangorra estática. Brinquedo imóvel espera, silencia a alegria. As cores vivas desbotam com o tempo, o palhaço faz graça e não ouve aplauso, cadê riso, cadê sorriso, cadê olhinhos brilhando de excitação?

No picadeiro do tempo, o vazio da plateia incomoda os dias quentes embaixo da lona. Quero uma bundinha assada, escorregando calcinha pintada de bichinhos e gritinhos esganiçados. Quero o abraço de bracinhos miúdos, mais forte que de um urso, donde nunca mais desprendo. Pai? Só sendo.

Mistura de amor, afago de Eros, ser pai é tomar consciência do seu tamanico no mundo. O universo todo cabem em um filho. Há mar. E as ondas morrem na praia do peito, na areia quente onde meu bebê deitou aconchego. Minha filha de 2 anos mora a 2.222km de distância da minha morada. Por isso, toda vez que ouço “pai”, eu escuto a dor do finalzinho da palavra.

Sou só um parque de diversões a espera do meu amor. Sou ninho vazio. Sou a pintura floresta dragão castelo Chapeuzinho Vermelho de um quarto que ela nunca ainda entrou.

Soul.

E vivo mundo, vivo mudo, admiro mais a existência só por causa dela. Calado, colado no sonho paterno de ser alguém pra minha filha. Que pra ela, tenha valor. Seta amarela, o pai é só um exemplo inacabado de um amor que persiste. E que move. E que ultrapassa.

Quero ser um colo, quero ser um ombro, quero ser mãos, braços e pernas, quero ser cabeça. Quero um ser pequeno que com os olhos ame-me. Humanumildemente, só quero ser correspondido.

Tudo por causa do meu tiquinho, que quer parecer grande aos olhos de minha filha.




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

receita infalível

Tem hora que decide desistir, que essa coisa do amor é assim mesmo um pouco burra, um pouco egoísta, um pouco tensa, um pouco chata, que na verdade esse assuntado dar e receber termina sempre em balança, e quando a gente dá e acha que o outro acha que o que a gente acha tá bom e o outro acha que a gente acha que o que o outro acha dá pro gasto, aí vira uma achação chata, cheia de achismo, saudade, desencontro, desmedido sentimento, e aí, cê já viu, né: o outro encosta, ou acha que nem tem que fazer força que já ta bom, ou espera que você entenda que do jeito do outro é que tá bom e você pensa que se o outro não consegue entender que você morreu num abraço, viveu num laço, acordou num destino, remoçou num olhar, explodiu num carinho, se encontrou numa mordida, num aperto suado, numa nuca molhada, numa cobrança besta, numa noite só quando era pra estar junto, encaixado, com beijo roubado, já que tapinha não dói, e a marca das unhas que acabam ficando nas costas acabam saindo, a mordida nem tá roxa mais, e como o lençol foi lavar nem o perfume fica, e no fundo a gente se esquece de que primeiro tem que lembrar é da gente mesmo, afinal de contas o outro acha que a gente nem lembra do outro, mesmo que você desmarque tudo pra estar com o outro, e o outro se esquece de ser delicado, ou de avisar o que já sabia, e quando você liga avisa assim, como se não soubesse, e a vida vai indo, e vem gente, vai gente, e gente chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais, como diz a música, e os verdadeiros encontros e despedidas se dão, e a gente acaba acostumando tanto com isso determinada hora que o sofrimento passa a ser cada vez menor, e essa menina que entrou agora no elevador será que ela é daqui, acho que vou comentar alguma coisa estúpida sobre o clima ou a vontade de almoçar ou comentar alguma coisa desse vestido dela pra ver se dá uma liga, e antes de comentar ela já desceu no sexto, e tá vendo, como as coisas são, como o mundo gira, e se a gente não cuida é assim, é num eu já tenho um compromisso, eu só vou ali encontrar fulano, hoje não to muito a fim e o fim acaba próximo e engraçado como um pensamento recorrente cola nos outros e uma coisa vai puxando até que você finalmente se lembra que o melhor mesmo é ficar em silêncio e, quem sabe deixar essa história de alguém novo na vida pra lá. Ou não.

Para, ajoelha, reza, respira, levanta e caminha.