sexta-feira, 26 de julho de 2013

Ficar, pensar, dizer.




Fico pensando que não há o que dizer. Fico falando que não há o que pensar. Penso dizendo que não há porquê ficar.

E escrevo. E decido solamente andar. Sem lamentar. Porque é chato. Principalmente porque é chato. Hoje não sei mais sofrer. Hoje nada me dói. As pessoas podem entender que rir é melhor que chorar. Que amar é melhor que brigar. Que no fundo no fundo, todo mundo só quer um abraço. E um carinho. E um sorriso. E uma gargalhada de tarde, antes do sol se pôr, ouvindo uma coisa engraçada e simples, e depois do sorriso só dar aquela suspiradinha gostosa e rir com os olhos pro outro que está na nossa frente.
O outro pode estar fora e estar dentro, um dia a gente descobre que isso não importa. Não importa nada, de fato. Cabe um encontro com a solidão verdadeira, com o muro de nós mesmos pra que conheçamos a vastidão de sua altura, a concretude de sua largura, a força de sua imponência. E vale soprar o muro. De levinho, devagarinho, com o Vento da palavra amor que decidimos dizer e que sopra mais na vogal "o", hálito divino da vontade de conectar-se com o universo, pedra jogada no lago da existência, que amplifica:
amor. 
a m o r. 
a   m   o   r. 
a     m     o     r. 
a         m         o         r. 
a           m            o           r.
a                  m                   o                      r.

E assim vai palavra, pá lavra, cavando sentidos no muro do eu, tirando os tijolos desnecessários do ser, ampliando nossa presença pensada, dita, no universo em movimento.
Que vontade de dar um abraço em mim mesmo agora. E dizer que estou aqui. Andando. E amplificando a palavra amor pela enorme plantação de corações que vejo à minha volta, uns escondidos, outros esquecidos, a maioria fortes, brotando, sementes que só esperam um tantico d'água para renascer.
Sem ficar, sem pensar, sem dizer, sem escrever, amo. Não importa a crença. Importa o amor.



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