terça-feira, 18 de junho de 2013

2+2+2+2

O Caminho do Pai foi alcançado.

Foi distância que quase não acaba... Dois mil, duzentos e vinte e dois quilômetros completos no dia do aniversário do avô Toi. À pé, de Belo Horizonte a Recife: tem distância de sobra pra muita e muita e muita e muita coisa...

A principal, talvez, o amálgama do Amor. Que cola, adentra os poros semente, brota na gente e nos faz floresta. Saímos por aí, a arvorejar a existência, demonstrando afetos e efeitos do há mar. É árvore de ondas, folhas de espuma, frutos de estrelas, de fazer inveja a qualquer carambola.

Nossa Belo Horizonte foi o Vaticano. Nossa Recife, um lugar chamado Casa dos Deuses.

Para minha surpresa, grata satisfação, lugar de doação que me chamou a atenção no Caminho de Santiago desde 2009, quando passei ali pela primeira vez...

Para a minha surpresa, foi ali que se deu a tal distância, o longepertocolado, pra quem quer saber é da palavra "alcançar". É que "cansar", palavra próxima, é só um passado de luta. Que, passado, nem é mais, só lembrança pra valorizar o pó da estrada que ficou.

Minha filhinha aprendeu a dividir. Seu papai tem andado por tanta gente... É muito passo, muita estrada, muita história, muito nada. Tudo a deriva no mar da existência. Depois da curva da estrada, do Renato Teixeira, tem um pé de araçá. Sabe? Ele pensa que deve ser doce a fruta do coração. Eu sei. Eu sorvi.

Passo a passo, até que minhas botas furassem. Lisas. De tanto carinho que fizeram no mundo.
Faltam duzentos e cinqüenta e uns quilômetros e já perdi treze quilos e meio. Não sou eu mais no espelho. Nem fora dele.

É só um muito humano ser qualquer, que sei, melhor. Que mesmo n-ovo, acredita no Exemplo, na Paz, e nas virtudes do Bem, do Bom, do Belo.

Estou no portão da frente pro resto da minha vida, Beatriz. Você sabe. Não vou tocar a campainha. Saia quando e se quiser. Tem um quintal inteiro florido, aqui, à sua espera, que você pode simplesmente chamar de "- Papai".

2 comentários:

Ana disse...

<3

Fernando Netto disse...

É aí onde fica aquela
"Estação final do percurso-vida
Na terra-mãe concebida
De vento, de fogo, de água e sal
De água e sal, de água e sal,
Ô menina de água e sal"?