quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Para Tatá Werneck e Beatriz




Acordei às 2:30h morrendo.
Em uma fração de segundo, veio à consciência que eu estava afogando. Em um pulo, estava na pia do banheiro, acendendo a luz, implorando pelo ar que não chegava. Eu estava sufocando.
Havia vomitado a noite, antes de dormir. Sem crase mesmo. Não consegui comer nada. O remédio que misturei na água para me hidratar, quase não tomei. Pus pra fora o gatorade, o açaí, a esperança, tudo.
Há quem diga que foi aflição, depressão, tristeza, mania, grito. Há quem diga que foi só mais um pesadelo, acompanhado da dor de barriga, dor no corpo, vômito, susto, saudade, medo.
Depois de alguns minutos, consegui respirar calmamente, sem que o desespero ritmasse a cadência do meu existir. Era eu no espelho. Suado, molhado, pelado, olhos vermelhos.
Olhos fundos, ninguém ao lado.
Fui dormir rezando. Implorei a Deus que me ajudasse, que abrisse os caminhos, que não me deixasse à deriva, que me levasse pra ela.
Quase que o lençol me mata. Se eu não tivesse conseguido me levantar, eu não estaria aqui, com medo de dormir novamente, às 4:57h tentando explicar que sufoquei no final da expiração, peito cheio, dor de garganta, refluxo. A densidade de mim mesmo quase me mata. E meus pés enrolados no lençol para pular no escuro breu do meio do pesadelo de mim, sem ajuda.
Ligo o computador. Pedi ajuda a Tatá Werneck. Talvez o humor me mantenha vivo, digo, acordado.
Pergunta capciosa, de frente pra Gabi, ela emenda:
"Meu medo é que meus sonhos sejam maiores que minhas capacidades".
...
Conversa comigo, Tatá. Não vamos dormir essa noite.
Vamos lembrar que uma das raizes do humor é a descrença, a revolta, o lapso de querer que tudo fosse diferente.  Onde quando não há medo, não há falta de amor, não há inverdade, não há reflexo de perversão nem de egoísmo, a sufocar um pai, à noite, enquanto sua filha dorme no quarto ao lado da existência, em seu sonho, em seu abraço vazio, em sua lembrança do cheiro. Feliz com o primeiro dia de aula a 2.200km de distância.
Talvez eu não tenha morrido hoje pra conhecer Tatá Werneck e contar pra ela, sentado à sombra de um pé de fruta, os meus tantos sonhos lindos, harmônicos, teológicos, naturais. Talvez não. É que eu sonho que o trem da vida se liquefaz, fica transparente, e os peixes, que nadam embaixo dos batentes, que bóiam firmes n'água, são lindos, tantos, multicores, belos. Peixes de luz, que fazem amor com minha expectativa em sonho de menino...


2 comentários:

Ana disse...

Acho tão bonita esta música!

Bê Sant Anna disse...

É, Ana, essa música é especial mesmo. Até a dama do axé, quando quer, faz coisa bacana. Por isso que acho o preconceito um engano na música...
Grato por ler e comentar.
Bê ijo!