segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A minha espera




Corre para pegar.

Espera.

É a expectativa da vida.

Corre, é seu.

Espera.

Espera aí um pouco. Deixa eu só lhe ver um pouquinho.

Seu desengonço é dança, jeito moleque de me fazer carinho ritmado no olhar.

Bracinhos, pernocas, cachos e preces. Vestes do amor. Sou grama verde verdinha a coçar, sou o branco puro do ar que envolve. O Vento que veio pra ficar, brincando de anjo da guarda a lhe acompanhar, ornamentos. Você olha a palmeira, brinco, agito com ela, você vê o mato, eu folhas dando tchau, observa as ondas, eu bolhas de sabão. Sopro areia nos seus dedinhos pra lhe fazer um carinho. Toco piano em seus cílios. Seu sorriso me enleva, sua voz me eleva, acordo harmonias escondidas em meu peito de vento. Sinfonio-me, maestrina. Sintonia.

Atônito, paro. Estático silêncio, silencio em busca de sua resposta, qualquer que seja. Deus está no intervalo do seu silêncio e minha, e terna, espera. Espera. Mespera.

És pêra. Dento-me de sentidos que sonham o mel do seu reconhecimento.

Espera.

Eriço seus pelos da nuca pra lhe dizer estou aqui. No espaço entre a ponta do pelo e a pele. A pele num abraço. Eu laço, no infinito jeito de há mar Beatriz.





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