segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Alinhavando Histórias



Meu pai é o décimo quinto filho.

Se criaram doze. A mais velha dos doze, Tia Milita, teve doze filhos. Quando meu pai nasceu, ele já tinha, portanto, dois sobrinhos.

Do lado da minha mãe, são quinze netos, contando comigo e minha irmã. Do lado do meu pai, acredite, são cinquenta e quatro netos, a terceira geração de Vô Marú e Vó Fifide.

Já estamos na sexta geração, me parece, a contar de meu avô e minha avó. São muitas histórias de uma família interessante que tem no encontro sua principal força. Alguns "desafetos" declarados, é verdade, mas a maioria absoluta se dá bem (também, são tantas pessoas!!!). Eu, pra dizer a verdade, só não gostava de uma pessoa. Mas essa pessoa já foi nessa, que Deus lhe guarde.

A vida é assim: uns partem outros chegam. E nós, na plataforma, alinhavando histórias. Pois foi justamente esse nome escolhido pelas mulheres da família pra criarem um grupo no Fakebook. Nele, seguem as fotos, comentários, curiosidades, chats sobre a nova proposta familiar feminina: fazer uma toalha de mesa que contasse um pouco da história da família e de cada um, seu núcleo, os sonhos compartilhados e as intercessões familiares... A cada novo ponto, uma nova história. Um caso tirado do baú pelos mais antigos, uma novidade posta à mesa pelos mais novos. Todos, entusiasmo. A que mora mais distante veio da Itália para participar. Esse final de semana teve um novo encontro.

Me dei conta que minha filha, Beatriz, é a mais nova da quarta geração (minha irmã é a mais nova da terceira). E, como ela tem um ano e nove meses, ainda não sabe bordar. Ok, mexer no Iphone ela já sabe, melhor que eu - pra dizer a verdade - mas bordar, ainda não. Por isso, decidi: até que tenha idade para participar, represento-a no que posso. Foi assim que comecei a fazer aulas de ballet clássico. Mas isso é outra história... nessa, fiz o croquis, pedi ajuda pra Nana, a bordadeira profissional da família, pedi ajuda pra Nyara, a minha tia mais velha, que tomou posse como avó interina, pedi ajuda pra Vera, que tomou posse como minha madrinha - depois que sua mãe também virou estrelinha - e pronto! Estou pronto pra, em nome de Beatriz de Castro Maia e Sant'Anna, participar como "Alinhavante"!




Avante, minha filha! Que as histórias todas da nossa linda família não podem esperar! Você já faz parte dela. E agora toma parte, com o exemplo que sempre tivemos de amor, fé e dedicação. A maioria dos quadrados bordados por cerca de quarenta e cinco mulheres da família já está pronto! Mas o seu espaço está reservado, seu croquis finalizado e hoje começo a bordar em seu nome. O que eu posso, eu faço, filha. Ou tento...

passo 
a linha através do pano 
não me engano 
teço com fé o encanto que represento
nosso momento
navegando 
porque há mar
conto em terços o que a seta há de indicar
e que o infinito nos banhe
Borboletinha do Mar 
que baila 
Miserinha a descer e subir as ondas
alegremente
de dia e de noite
levando a flor do nosso encontro familiar
vamos tem amor no meio
e filha, por mais que ilha
há mar, por todos os lados


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