quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Metade do Boi

Aponto meu dedo para Deus.
El  responde.
Peço. Eco.
Ecoa minha voz que pede na rês posta por Deus.
"Boi", diz minha filha apontando pra Fera. A Bela é ela.
Sou rês posta. Sou eu mesmo. Reverbero o que Deus responde no mim que pede.
Me ni mim. Meninin.
Criança pai que balança conforme o cacho balança. "Cabêio", ela diz. É cacho.
"Papai", ela diz. O moço.
Estranho conhecido que é a cara da falta. O real bate logo à porta dela. Ela se defende. Não quer estar ali. Mas quer. Não quer se haver com isso, mas quer.
"Eu só queria que meu pai pudesse estar aqui comigo sempre que a gente quisesse", ela não diz.
Mas sente. E sabe, e quer.
Sua filha merece duas metades da maçã. Quem seria tão equivocado a ponto de só dar uma?


*auto-retrato, por Beatriz.

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