sexta-feira, 14 de setembro de 2012

#brotoquesou

foto*


Árvore ceifada na copa.
É tronco.
Perde suas folhas, perde seus galhos, perde seu viço.
Dá broto.
Cadê o balanço que estava aqui?
Cadê a sombra, cadê o vento, cadê as folhas que caem mansas?
Cadê o ninho, cadê forquilha, cadê os líquens, cadê o musgo,
cadê gato?
Árvore ceifada na copa é tronco.
Dá broto.
O tronco que bóia na água é balsa. Abarca.
Pensamentos que correm molhados nas margens de mim.
Eu rio, eu tronco, eu árvore ceifado na copa.
Broteu.
Nasce broto, meu plexo solar.
Rompe pendão, meu dedo de viver.
Raízes se espalham em mim, capilares que envolvem meu coração.
Cresce pendão,  meu dedo de viver.
Deus me aponta, sou tronco quase seco de um broto só.
Floresta desejo, gramíneas vicejo,
orquídeas dependuradas nas minhas esquinas.
Brota, na grota, o profundo do ser.
É lodo molhado, caverna pingando, ecoo lamento, eu sinto muito.
No dedo que tenta, a seiva do amor não desiste, em si. Insiste?


*na foto acima, o bonsai de Beatriz, comprado logo que minha filha nasceu, de férias na casa da tia Rê, do Terra Bonsai, cuidada com carinho pra pequena do pai, enquanto estou fora...



Beatriz, cuido todos os dias da sua árvore, até que possa cuidar você mesma, filha. Sua árvore é bem mais forte do que a do papai. Suas raízes, firmes, tronco forte, o vento balança você por dentro. Estou em sintonia constante, meu bem. Flôre-se.



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