sábado, 25 de agosto de 2012

Paula Toller. 50 anos que valem por 1 ano e 6 meses.*


(gravação, hoje, na Escola Estadual EMEI Maria Augusta, 
quando me sentei com as crianças da idade da minha filha)

No Twitter do Estadão, se não me engano, li, há 2 dias:

A cantora Paula Toller, acredite, faz 50 anos hoje.

É assim. Tem coisa que é ruim mas é bom. A Paula Toller ter feito 50 anos pra ela pode ser ruim, mas com um corpinho de 30, pra ela pode ser bom. Pra mim é, certamente. Acho gata. Gata e gostosa, com todo respeito. Kid Abelha: é ruim mas é bom. Nos anos oitenta então, foi um barato! Bom demais. E as músicas? Tudo ruim. Mas tudo bom. Delícia! Paula cantava mal com força. Desafinava com mais força ainda. Tudo bem, Paula, já vi o Milton Nascimento desafinando no Faustão que fiquei com vergonha alheia... Tom Jobim já foi vaiado cantando e tocando Sabiá (não vou entrar no mérito do motivo, que foi, foi). Hoje, Paula Toller, "acredite", canta bem (pra aproveitar esse aposto ousado e bem colocado do Estadão). Além de ser uma simpatia - pelo menos no que vi dela, no seu jeito no palco, sorriso, tal e coisa.

Por que me lembrei dela? Porque estou sentado sozinho na esquina da rua Edson de Barros com av. Rondon Pacheco, em um boteco de nome... que não me lembro, e a moça que toca um violão e canta afinado está neste momento cantando "Eu quero você, como eu quero...". Daí me lembrei que ontem li isso no Twitter do Estadão, daí pensei em quem eu quereria... e cheguei à imagem da Beatriz, minha filha, nos meus braços, segurando meu colar com um pingente chamado Love Knox, o nó do amor, o símbolo do amor-infinito, os corações entrelaçados como lemniscata... nossos corações muito nossos.

"Longe do meu domínio, cê vai de mal a pior... vem que eu te ensino, como ser bem melhor..."

Não, Beatriz, não acho que seja o nosso caso. No nosso caso, só a segunda parte é a mais pura verdade. Quero lhe ensinar a ser bem melhor do que eu, filha. E penso que assim como o Kid Abelha e a Paula Toller, é ruim, mas é bom: é ruim saber que Beatriz está há dois mil km de distância perto, dentro, em cada poro do meu corpo, em cada luz dessa muitíssima alma. Tanto que eu a quero, ...ah, como quero. Mas é bom. Mesmo não recebendo notícias de Beatriz desde o dia 11 de agosto. No último email, textualmente escrito que não seriam enviadas notícias diárias e só seriam dadas segundo disponibilidade. Ainda bem que disponibilidade pra mandar a fatura do plano de saúde há.

É ruim, mas é bom. Em Pernambuco, os Mamulengos não tem voz. Não tomam nenhuma atitude sem o Mestre Mamulengo mandar. Ele fala, o mamulengo fala. Ele mexe, o mamulengo mexe. E não é ruim, é bom demais. Se todo estado brasileiro fosse como Pernambuco, eu não estaria fazendo campanha política em Uberlândia alvejado a cada 5 minutos por um carro com subwoofer estourado com breganejo universitário no talo. A cultura em nosso país seria bem menos massificante, massificada e pasteurizada... Quando eu tinha 15 anos fiz uma peça de teatro em que eu era um mamulengo. "As Grandes Lonas do Céu", do Teatrólogo, diretor e Mestre Mamulengo Fernando Limoeiro. Nela, o eu Simão, o mamulengo, era só um garoto que queria ganhar vida. E se transformar em uma criança livre. Uma criança que pudesse amar integralmente. Amar não só pela metade. Curiosamente, a origem do nome Simão é do hebraico, "aquele que ouve". Talvez meu próximo filho tenha esse nome, em homenagem a Simão, o mamulengo criança que queria ser livre para amar. Na peça, o palhaço do pai de Simão era quem o movia. Era quem mandava nele. Coitado. Não sabia o final óbvio dessa linda história de amor.

"Nossos destinos foram traçados na maternidade..." - já canta a morena enquanto meu pensamento voa.

Enquanto Paula Toller faz 50 anos de um pseudo ruim que é bom, minha filha faz um ano e seis meses de vida. Hoje, dia 25 de agosto. É como a linda Paula Toller e o Kid Abelha, filha, é ruim mas é bom. Mesmo sem ter recebido nenhuma notícia sua, nem hoje, nem no dia dos pais, sinto-te bem, presente, amante da vida e do sonho, uma criança que quer ser livre para amar. Amar muito, filha. Esse é o destino dos grandes.

Ontem sua avó Lili me mandou um email:

"Hoje sonhei com Beatriz. Foi maravilhoso. Eu perguntei a ela quem eu era e ela falou: vovó. Só. Mas deu pra matar a minha saudade.
Parabéns por 1 ano e seis meses de Beatriz nossa netinha querida. Estamos juntos com você e com ela sempre. Carinho. Mami."

Acho que Deus sabe o que faz. Deve ter sido ele Quem colocou no setlist da cantora do boteco a próxima música:

"Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais..."

Puxa, ela tá contando bonito essa...


(equipe durante as gravações, hoje, no dia do meio aniversário da minha filha)

*Para minha filha Beatriz de Castro Maia e Sant'Anna, que faz hoje 1 ano e 6 meses de idade.


4 comentários:

anna amzalag disse...

Afinal, é 11 de outubro ou 11 de agosto?.. Bjs

Bê Sant Anna disse...

Não entendi, Anna Amzalag. Me explique para que eu responda:
11 de outubro?

anna amzalag disse...

Sofreu: "Desde o dia 11 de outubro não recebo nenhuma notícia sua."
Paula Toller: "Mesmo não recebendo notícias de Beatriz desde o dia 11 de agosto.
:))

Bê Sant Anna disse...

Correto! No Sofreu eu troquei agosto por outubro. Estou com outubro na cabeça por um trabalho que estou fazendo fora de BH, que fico até outubro... Já mudei lá. Grato pela observação, Anna.