quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Meu coração é uma caixinha de música




Caixinha de música.

Música tema da infância perdida. A bailarina quebrada, saia rasgada, guardava o sono da menina. Em um minuto se entregava. Em um minuto dormia. Eu ouvia a música que tocava vindo de dentro do escuro daquele quarto. A casa finalmente silenciava. Elástico, pegador, boneca. Casinha e aulinha. O universo infantil conjugado criança, na mistura da dança dos meninos que pulsam. Pulsão.

A música do dar corda na caixinha de música me acorda.

Meu coração é uma caixinha de música que acabou de tocar.

É preciso ser acordado com a música do dar corda na caixinha de música.

O coração pede, o coração re-clama. O coração re-clama calado, esperando a música do dar corda na caixinha de música. Na minha caixinha toca uma música de cada vez. Foram algumas. Se foram algumas. Enquanto fico na expectativa de que a corda seja dada, sonho ouvir só uma música, pra sempre, música tema do adulto perdido, bailarino quebrado, saio rasgado, mas guardo o sono da menina que der corda. Em um minuto me entrego. Em um minuto nunca mais durmo. E ouço pra sempre a música que toca vindo de dentro do quarto escuro do peito, minha casa de caranguejo finalmente silenciada, meu corpo, minha e terna morada, meu santuário elástico, pensador, pulsante. Casa da morada da amada, meu universo renovado conjugado adolescente, na mistura carente da dança da verdadeira relação. Relo. Ralação. Rumo.

Para sempre rumado, remado, remando, somando, a mando da música que vai tocar.

Toca em mim. Pra sempre.

E mistura a graça do novo com o sabor do esperado, o tempero da vida da gente, nas receitas possíveis de amar.

A corda. É preciso dar para a música tocar.
A corda. É preciso dar para saber ouvir.


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