terça-feira, 3 de julho de 2012

Sou só um Mehari que sonha


Medei de presente de anivarsóvia uma leitura. (de um livro que eu já tinha)

Aqui abro um parênteses:

(Fico triste como as grandes corporações vêm pra avacalhar certas coisas. Sábado, fui comprar um livro em uma "grande" rede e disse ao "livreiro": – Quero dar ao meu primo de presente o livro "Zen e a arte da manutenção de motocicletas". Ele foi procurar se tinha o livro e digitou: "Zem"... preciso dizer mais alguma coisa? É por isso que gosto de comprar livros com a Simone na Ouvidor, ou com o Sr Van Damme, na livraria de mesmo nome (Van Damme, digo). Assim como quase não temos mais livreiros, na drogaria Araujo só temos um jalequinho branco querendo me dar um cartão com o código de barras pra ele ganhar comissão. E eu fico puto da Araujo abrir uma loja a 500 metros da outra, só pra se instalar na frente de uma farmacinha de bairro e matar o cara que está lá há 30 anos. Mas isso é outra história, meu parênteses tá grande demais.)

Eu já tinha comprado o livro Tuareg há uns 4 ou 5 anos. E ele estava na beirada da minha cama. Mas com livro eu tenho esse lance. Eu sabia que ele seria um "livro de cabeceira", mas não estava na hora certa de ler...

No dia 01 de julho, quando completei 39 anos de idade (mas com um corpinho de 33, diga-se de passagem) eu havia pegado La Sombra del Viento, de Carlos Ruiz Zafón, pra continuar finalmente minha leitura que interrompi em 11 de novembro do ano passado. Tenho tido o hábito de almoçar sábado ou domingo na companhia de algum livro de meu interesse e esse livro foi me dado em uma situação muito especial, mas tive que parar de lê-lo por algum tempo.

Acontece, que quando estava saindo do quarto, o targuí* me chamou. Bati o olho nele e ele disse: – É hoje. Você precisa me ler hoje, no dia do seu reveillon particular.

Pois bem, atendi ao seu chamado e, não foi surpresa pra mim, do almoço de domingo ao almoço de segunda, dia 02 já o havia lido por completo.

Não tenho o hábito de falar de livros aqui no blog. Na verdade, não sei o porquê. Mas quis falar sobre esse.

Ao lado de Grande Sertão: Veredas, do meu amigo João Guimarães Rosa, e Musashi, de Eiji Yoshikawa, Tuareg, de Alberto Vázquez-Figueroa, se apresenta como uma obra prima irmã de rara beleza e intensidade. Acho que posso usar esses adjetivos. São os três livros mais bacanudos que eu já li, cada um com sua potência, sua nuance, seu brilho, sua sutileza... Acho que se eu tiver que escolher 3 livros, posso escolher estes. Não sou um leitor muito voraz. Leio com certa frequência, sempre uns 4 ou 5 livros de cada vez - porque sou entediado por natureza. E dificilmente pego um e vou até o fim sem pegar em outro (ou outros) no meio. Mas Tuareg foi assim e de um dia pro outro. Não vou aqui avacalhar quem não leu, como costumo fazer com filmes. Só vou deixar a dica, pra quem ainda não teve a oportunidade, aproveitando pra dizer que os três tratam de uma história de amor que não se vê mais nos dias de hoje.

Ou... até se vê. Mas não é difícil que não dêem crédito a ela, pensando que é coisa utópica, romanceada, da ordem da imaginação, ideal (a que é só da ordem da ideia) ou que não pode existir... É por isso que não vai pra frente, acaba assim, triste, sofrida, e precisa que a sombra do vento se vá pra desejar voltar um dia e, junto com o vento, que voltem as leituras novamente...

Se for comprar algum deles, leve o nome por escrito. Ou procure a Simone ou Sr Van Damme. Porque eu até imagino como o vendedor da "Grande" rede vai digitar o nome do autor de Musashi...

Ah, e por favor não se estranhe se disser: "Eu gostaria de comprar Grande Sertão: Veredas" e o vendedor lhe responder:
Sabe o nome do autor?


*targuí - forma singular da palavra árabe tuareg, designando um indivíduo habitante do Saara

2 comentários:

Georgio Miranda disse...

Oie Bernardo...
Engraçado que também recebi de "presente" a indicação do Tuareg do Sr. Van Damme. Hoje em dia sempre passo por lá quando tenho um tempinho e pergunto se ele adicionou mais algum livro em sua lista de preferidos... Abraço
Georgio (HF)

Bê Sant Anna disse...

Fala, Georgio! Ele adora esse livro mesmo... e já segui várias indicações dele que foram ótimas! Grato por ler e comentar, meu irmão!
Abraço