quinta-feira, 17 de maio de 2012

O dia em que Beatriz falou vovô e vovó



Beatriz ca-minha.

De mãos dadas com o vento, faz curva, quer correr, quer brincar.
Arqueia a sobrancelha do meu amor. Ri de mentira, ri de verdade, ri pra chamar a atenção.

Tosse de mentirinha, faz charme.

Aponta o destino, não quer ser foco do olhar, quer só estar feliz, Beatriz, rima rica nos meus ouvidos de pai.

Suas mãos grandes tocam piano na minha expectativa.
Maneia a cabeça que eu digo sim, minha filha. Pra tudo.

O cachorro é Au-au, o cavalo, Pocotó, Beatriz é Bê, Deus é humanamente indizível.
– "Curro-curro, Curro-curro, qualé mão que ocê quer?"
Acha a pedrinha escondida na mão da Tiavó, minha filha. E comemora a existência do bem.
Quero subir a escada, mamãe. Quero água. Quero apertar o botão do elevador.
Óh! (aponta)

Quero só me maravilhar com o fato de estarmos vivos e compartilhar a beleza do há mar, além da praia, além das montanhas, além das dúvidas, além dos questionamentos todos dos adultos infantis, papai.
Infantis? Quem nos dera, filha... quem nos dera.

A cada passo de Beatriz, meu coração bate. A cada riso, para.
Beatriz para tudo pra me dar água na mamadeira. Papai também tem sede, filha.
Sede de você jogando os bracinhos de novo pra mim, sede do seu abraço, sede do seu beijo, sede do seu cheiro, sede do seu sorriso de me ver, simples assim.
Sede do seu peso, sede do nosso banho de banheira, sede do seu sim e do seu não,
da vida escolha que é muito sua, só sua, e que rezo pra ser leve e profunda como este seu, muito seu, olhar...

Quando há mar, a sede fica mais fácil de administrar.

Beatriz brinca de vento a me jogar pelos ares, a me rodopiar por aí, sem rumo, sem prumo, dando cambalhotas nas nuvens e me jogando na cama do céu, ornada pelas estrelinhas da canção que canto pra ela:

"Vem a noite 
e uma estrelinha,
no céu, piscando piscando...
Mamãe diz que ela, de longe,
pisca-pisca é me chamando...


Quando eu crescer,
quando eu crescer,
e o meu papai comprar um avião,
vou te buscar, 
vou te buscar...
minha estrelinha na palma da mão..."


Deus, sou grato. E estou à sua disposição.

*Na foto, Beatriz brincando de caminhar – de mãos dadas com a Tia que me ensinou a brincar de sonhar.