segunda-feira, 21 de maio de 2012

A mulher e o feijão



Bê, ela é uma mulher!!!!! - comenta Fabiana Ferraresi, amiga minha, ao ver a foto dela em pé, ao lado do avô.

É sim, Fa. Minha filha é uma mulher.

Cheia de vontade, de personalidade forte, de uma calma e de uma certeza que assustam um pai como eu. Ponho a mão debaixo do seu queixo enquanto recebe uma colherada de arroz, feijão e couve de sua mãe cuidadosa, e ela empurra a mão com força. Veemente. Franzindo o cenho e protestando. –Hum!*
(*Não vou deixar cair na roupa, pai. Você acha que eu sou o quê? Que saco.)

Sou só um pai, filha.
Sou um pai só.


Imagino. Ela moça, ela mulher, ela vida. Ela riso, ela luta, ela apoio. Ela conquistas, ela feliz.

A mulher que mora na minha filha merece todo o amor. Crescer, ganhar, perder, cair, levantar, dançar.
A mulherzinha da minha filha adora dançar. Sua mãe falou que gosta de Tom Jobim. Eu, pai, me enterneço. Sua mãe falou que gosta de Rock. Eu, pai, me encanto.

Espero que não goste de breganejo universitário. Nem de funk. Nem de pagode. Não necessariamente nessa ordem. Nem de roupa de skatista, nem de micro saia, nem de piercing de vaca no nariz, enfim... bom, deixa eu continuar o que eu ia dizer.

Afinal, minha filha é violinista. E pianista. E bailarina. E nadadora. E atacante de vôlei do Minas. E doutora palestrante da ONU.

Sou só um pai bobo, filha.
Sou só, um pai que sonha. Só.

Na verdade, só sonho oportunidades pra você, não compromissos. Seu único compromisso com o papai é: que você tenha vontade de viver. Não, não é "compromisso de ser feliz". Você não tem que viver essa mentira social, vendida pela sociedade do consumo, que coloca uma obrigação pra todo mundo ser feliz, e reveste isso colocando o consumo como fator preponderante nessa equação. Tudo isso é mentira, filha. Acredite no papai. Ser feliz é escolha, não condição (anota aí e escreve embaixo: papai). E, às vezes, é difícil. Pra não dizer foda, que não é indicado eu falar essa palavra pra você, principalmente com um ano e nem três meses.
Quando sonho violino, piano, natação, ballet, vôlei, internacionalização, só sonho em você participando do mundo, sonhando, querendo, amando, vivendo.

ESCOLHENDO.

A vida é só escolha, filha. E, que bom, você já nasceu sabendo. O importante é: não se esqueça. Não deixe que a vida lhe impeça de escolher.

Mesmo sabendo que todas elas podem dar certo ou não, simplesmente, escolha. E pronto.
Se o feijão cair na roupa e sujar, papai quer estar aqui. Afinal, sou só um torcedor de plantão, um que ama, muito seu, que vai tentar tornar possíveis parte significativa, espero, das Suas Escolhas.

E quando eu puder colocar a mão debaixo do seu queixo, saiba:
vou colocar, coisinha irritantemente gostosa...





2 comentários:

Fabiana Ferraresi disse...

Bê,
Já disse pra vc não postar estas coisas em horário comercial :)
Ela é uma mulher linda mesmo. E vc um pai lindo.
Torço pra que vc consiga estabelecer com ela uma relação incrível, cheinha de cumplicidade, confiança, ternura, amizade e amor, como a que tenho com meu pai.
Acho que é tão fundamental que a filha se relacione bem com o pai. É isso que faz com que ela tenha segurança pra ser uma nadadora, uma violinista ou uma bailarina. E te conto mais, que ela não nos ouça, se ela for pagodeira e usar piercing, vc vai achar tudo lindo! Quando a relação é saudável é isso o que acontece.
É engraçado que, até hoje, que já sou uma mulher um pouquinho mais velha que a Beatriz, ainda espero pela aprovação do meu pai. Como a opinião dele é importante e faz sentido na minha vida! Mesmo quando sei que ele nem sabe como me ajudar em algumas situações.
Bê, que Deus abençoe vc, a Beatriz e o amor de vcs, todos os dias.
Bjos emocionados.

Bê Sant Anna disse...

Fa, sou grato por comentar. Sua frase inusitada me bateu tanto que tive que comentar em postagem.
Tomara que seja tudo assim, saudável, como você disse. Ser mãe é literalmente intrínseco. Ser pai, se constrói (ou não) ao longo da vida, acho que todos sabem disso. Estou tentando fazer a minha parte, só isso. Tenho muitos exemplos bons, que me fazem acreditar que posso tentar.
O importante é que eu tenha isso como escolha.
Acho.
No mais, há mar, além, sempre, tanto. Independente de qualquer coisa...