quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tango




Tango.
Eu Tango.
Tango escolha, marcação, ando marcado pelas mazelas do tempo.
Só sentimento, só pulsação.
Na milonga da vida, o círculo do nosso salão ainda chega ao lugar onde nos encontramos.
Sapatos de couro, o couro da pele, seu salto nos deixando pra sempre no piso da pista.
Delicadamente desenho com o bico do pé: espora que fere gillette o terreirão de minh'alma.
Bandoneón que chora.
Que grita silêncio com a mão no vidro do ser.
Encarcerado, pra sempre, no tango sangrento da gente.
O violino me empurra, suplica, aperto seu coração contra o meu. Síncope e ar rarefeito.
Peitos, desejos de arder.
Voltamos pra avançar, têmporas coladas, pessoas imantadas que sabem amar.
O Tango é escolha.
Anda comigo, anda.
O repique rascante da música para o tempo, mão aberta, dedos prensados contra a seda penugem delicada das costas.
Faço um oito com você. Eternamente num passo, o laço dos dois que anuncia, o nosso vazio, o tom do querer. O Tango é um jeito de ser.
Eu Tango.
Eu marco por onde passo. Eu laço. Eu terno.
Eu rasgo do seu vestido.
Outono inverno de mim, que escuto o vermelho do medo.
É cedo
pra parar de dançar.



imagem - pintura de Kathryn Renee: http://katrenee.com/gallery/painting/tango

domingo, 27 de maio de 2012

Gilberto Gil, Caetano Veloso e minha filha.



São duas da manhã, voltei da chopperia Albano's depois de ir ao show do Gilberto Gil.

Gil está bem, estive com ele, tive a oportunidade de encontrá-lo novamente depois de muito tempo e entreguei pessoalmente o meu livroCD 8, dedicado a ele, que lancei em 8/8/2008. Ele fez questão de me ouvir atentamente, enquanto explicava sobre o que se tratava este presente e não quis que entregasse a outra pessoa, disse que ele mesmo queria ficar com ele.

Fiquei muito emocionado. A bela moça que estava ao meu lado me perguntou: quer que eu faça uma foto?
– Não, grato.
Eu disse a ela.

Foi como quando eu o entrevistei por mais de 40 minutos para o meu trabalho de conclusão de curso. Não quis tirar uma foto com ele. Foi também como quando eu me encontrei com ele, na ocasião do show Tropicália DUO, há 17 anos, quando ele me apresentou o Caetano Veloso.

Sim, eu tenho isso no meu currículo. Gilberto Gil me apresentou o Caetano Veloso. Um dia tenho que escrever sobre isso.

Em nenhuma dessas oportunidades eu fiz foto com o Gil. Não queria que fosse essa onda de tiete. Não é a minha com ele, é uma coisa de outra ordem. A única foto que tenho com Gil, foi tirada na casa da Ângela Gutierrez. Estamos na foto eu, ele e meu pai, em um jantar em homenagem a ele, depois do lançamento do livro Gil Luminoso, de Bené Fonteles. Um livro muito muito lindo... Nesse dia, fizemos essa foto pela ocasião.

Indo para o show, comentei que achei que ia morrer hoje... Passou da meia noite e não morri.
Prova disso que sou eu mesmo que estou escrevendo isso aqui.

No show, talvez o ponto máximo, pelo menos filosoficamente falando, foi quando Gil canta uma música que fala justamente da morte. Teve gente que riu. Acho que quem não entendeu o que estava rolando ali, pra falar a verdade. Foi muita ingenuidade. Muita mesmo. Tirando o idiota completo que estava ao meu lado brincando de tirar foto com o celular e me atrapalhando de curtir o show, que ficou putinho porque eu pedi educadamente pra que ele desligasse o aparelho, pois estava me incomodando, acho que as pessoas que riram eram as que estavam mais sem sintonia com o que rolou ontem (já é ontem) no Palácio das Artes...

Depois do show, comento que não quero morrer até o final da semana que vem. Tenho um evento em Brasília que não quero perder, e que tem muito a ver com o Gil. Vamos fazer um encontro pra tocar e cantar, e Gil vai estar presente - pelo menos em espírito, através de suas músicas lindíssimas. ESTRELA é uma delas, que está no repertório meu e do meu irmão que mora em Brasília. Penso um pouco mais e descubro que não quero morrer agora. Quero ter a oportunidade de cantar pra minha filha algumas músicas do Gil. Quero ter a oportunidade de vê-la cantando uma música do Gil, igual fez o pai dela: eu, com três anos de idade, cantava REFAZENDA, todinha.

Não sei quando vou morrer.

Sei que não foi hoje. Sei que não gostaria que fosse esta semana. Sei que queria que fosse pelo menos depois de eu cantar um pouco de Gil pra minha filha e ter a graça de ouvi-la cantando pra mim.

Gil, que dividiu o palco com o filho Ben, que está tocando um violão de gente grande, também não sabe quando vai morrer. Mas não importa. Ele tem muita música eterna, isso, pelo menos, eu sei.

Sou grato pela música em minha vida, pela sensibilidade do meu pai, que me aplicou Gilberto Gil, e mais grato a Deus, por promover em mim a vontade de viver pra ver minha filha cantando Gil.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Hera é




No frio, a janela do quarto ficava fechada.
Ele levantava cedo e ligava o chuveiro para esquentar o box, enquanto ela ronronava na cama desarrumada pela madrugada afora. Conhecia cada gesto, trejeito, conceito, espera. E deita mais um pouco, pra amanhecer dentro deles a manhã que já acordou lá fora.
Tinha passarinho e fresta de luz. Tinha arranhado na porta. Tinha detalhe, segredo, pele clara, pele quente, sorriso.
Tinha tudo que era preciso.
Pernas que se enlaçavam, cabelos desgrenhados, edemas que nasciam felizes, crias do não me deixa.
A vida era ida sem volta, eles corriam na relva da cama, eles brincavam na trama
de não existir sem doer.
A morte acompanhava de perto a vida absurda ao extremo, o sumo da vida sugado, nas bocas, nas unhas, na inspiração, o perfume.
Coração-lume.
O vazio era tão enorme, imenso, vasto, profundo, que brincavam de jogar um ao outro no precipício de si.
Suicidaram-se, muitas tantas vezes. E lambiam as feridas dos corpos caídos do outro, até que lágrima, vinha, e o abraço os unia em acolhimento verdadeiro, por inteiro, somente semente a nascer.
Meandros de ser.
Foram.
Eram.
Por eras e heras...

E o Universo silencioso em curva não revela suas esquinas.




terça-feira, 22 de maio de 2012

O telhado do engano.



Quando eu me separei, o meu maior medo era de me apaixonar novamente. Hoje, o meu maior medo é a perspectiva de que isso nunca mais aconteça...

Ela me disse em uma conversa.

Hum... (pensei)

Acho que sei o que estava sentindo. É uma espécie de saudade...

Você já teve saudade do que não viveu?

Você já se arrependeu do que não fez?

Quando a noite cai, as confissões sobem à superfície para respirar. O Tempo nos questiona. Afinal, já temos tempo pra responder... O sono de mim invade e resolvo dormir sem escrever o que queria. Da janela da parede, uma gravura de Juraci Dórea, artista baiano de elegância ímpar, me olha. Me fita. Me fala. As agruras do mundo não cabem dentro do ser Tão. Ou cabem? Por falar em apaixonado, me lembro do Gikovate, definindo paixão... diz ele: paixão = amor + medo.

Sabe, nunca fui tão apaixonado quanto pelo meu amor que escolheu ir. Ela não foi pra Pasárgada, não é amiga do rei. Resolveu ir, simplesmente. Não acreditou que eu pudesse, que eu fosse, que eu estivesse.

Eu sei de mim. À noite, os gatos pardos ganham o crédito por saírem nos telhados. Talvez o cão devesse ter algum mérito por deitar no sereno, e cuidar da casa, e ser vigilante, e abanar o rabo, e estar sempre de bom humor.

O cão não lambe só a ferida do dono.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A mulher e o feijão



Bê, ela é uma mulher!!!!! - comenta Fabiana Ferraresi, amiga minha, ao ver a foto dela em pé, ao lado do avô.

É sim, Fa. Minha filha é uma mulher.

Cheia de vontade, de personalidade forte, de uma calma e de uma certeza que assustam um pai como eu. Ponho a mão debaixo do seu queixo enquanto recebe uma colherada de arroz, feijão e couve de sua mãe cuidadosa, e ela empurra a mão com força. Veemente. Franzindo o cenho e protestando. –Hum!*
(*Não vou deixar cair na roupa, pai. Você acha que eu sou o quê? Que saco.)

Sou só um pai, filha.
Sou um pai só.


Imagino. Ela moça, ela mulher, ela vida. Ela riso, ela luta, ela apoio. Ela conquistas, ela feliz.

A mulher que mora na minha filha merece todo o amor. Crescer, ganhar, perder, cair, levantar, dançar.
A mulherzinha da minha filha adora dançar. Sua mãe falou que gosta de Tom Jobim. Eu, pai, me enterneço. Sua mãe falou que gosta de Rock. Eu, pai, me encanto.

Espero que não goste de breganejo universitário. Nem de funk. Nem de pagode. Não necessariamente nessa ordem. Nem de roupa de skatista, nem de micro saia, nem de piercing de vaca no nariz, enfim... bom, deixa eu continuar o que eu ia dizer.

Afinal, minha filha é violinista. E pianista. E bailarina. E nadadora. E atacante de vôlei do Minas. E doutora palestrante da ONU.

Sou só um pai bobo, filha.
Sou só, um pai que sonha. Só.

Na verdade, só sonho oportunidades pra você, não compromissos. Seu único compromisso com o papai é: que você tenha vontade de viver. Não, não é "compromisso de ser feliz". Você não tem que viver essa mentira social, vendida pela sociedade do consumo, que coloca uma obrigação pra todo mundo ser feliz, e reveste isso colocando o consumo como fator preponderante nessa equação. Tudo isso é mentira, filha. Acredite no papai. Ser feliz é escolha, não condição (anota aí e escreve embaixo: papai). E, às vezes, é difícil. Pra não dizer foda, que não é indicado eu falar essa palavra pra você, principalmente com um ano e nem três meses.
Quando sonho violino, piano, natação, ballet, vôlei, internacionalização, só sonho em você participando do mundo, sonhando, querendo, amando, vivendo.

ESCOLHENDO.

A vida é só escolha, filha. E, que bom, você já nasceu sabendo. O importante é: não se esqueça. Não deixe que a vida lhe impeça de escolher.

Mesmo sabendo que todas elas podem dar certo ou não, simplesmente, escolha. E pronto.
Se o feijão cair na roupa e sujar, papai quer estar aqui. Afinal, sou só um torcedor de plantão, um que ama, muito seu, que vai tentar tornar possíveis parte significativa, espero, das Suas Escolhas.

E quando eu puder colocar a mão debaixo do seu queixo, saiba:
vou colocar, coisinha irritantemente gostosa...





sexta-feira, 18 de maio de 2012

A onça que faz au-au




Pegamos você e sua mãe 14:30h da tarde, filha.
Sua avó já não sabia mais onde colocar seu coração, que pulava de alegria, assim como o meu. Ontem, quando sua mãe cancelou a ida ao zoológico e marcou pra hoje, sua avó já começou a sonhar. Eu corri no seu quartinho e peguei todos os 11 bichinhos de fantoche de dedo que comprei pra você pra deixar separado. Eu sabia que teríamos a oportunidade de imitar os bichos juntos, seus sons, seus trejeitos, cada uma de suas macaquices... Eu queria saber se você ia entender a relação dos bichos com os fantoches, se ia fazer seus sons depois que estabelecesse essa relação. Com um ano e três meses, pra você isso é fácil, tendo em vista que maneja um Iphone bem melhor que sua avó (se bem que a comparação não lhe favoreceu, filha).
Seus olhinhos brilhavam como os de sua avó quando chegou no carro...
Pegamos a Afonso Pena, rumo a Pampulha e é incrível como tenho que me policiar, pra não ficar com os olhos somente no retrovisor. Tudo que quero ver não está fora do carro, filha, está dentro.
Sua mãe do seu lado lhe dava a segurança que ela precisava. Não você.
Quantas vezes já fomos juntos pro síto, quando você ainda morava aqui e tomamos nossos banhos de banheira, rimos a valer, nos maravilhamos com as coisas simples de pai e filha, com a água, com o barquinho de plástico, com nosso bom humor natural?...
A vida é cheia de barquinho de plástico pra gente se maravilhar, filha. Só não podemos nos esquecer disso.
Chegamos ao zoológico! e, é claro, eu estava doido pra saber qual o bichinho que você ia gostar mais. Sua avó tinha certeza que era o macaco, achava que você puxaria seu avô, que adora macaco e suas macaquices, filha. Eu sabia que você ia amar a girafa, arquear a sobrancelha impressionada com o tamanho do seu pescoço, achar engraçado o macaquinho, apontar pro elefante: – oh, oh!...
O elefante é grandão, né filha?
E que engraçado que é o hipopótamo, amor de papai?
Sabe o quê, papai também nunca gostou de jacaré. Seu franzir de testa me disse tudo. Quê isso, pai? Também não sei, filha, parece um dinossauro que esqueceu que foi extinto. E o leão? GRAAAAAAAAAAR... Que garras, hein, filha?!?
É bom ver seu olhar de curiosidade, é bom ver você chamando a onça de Au-au, é bom o seu gritinho quando a arara grita. Foi bom poder sentar na grama e compartilhar esse momento muito seu, único, mágico, de descoberta total, ao lado da sua mãe e da sua avó, que se dispuseram a sentar na grama enquanto pegamos os fantoches de dedo e imitamos os bichos que tínhamos visto... Um lanche, uma água de coco, um sonho desperto na cabecinha de uma criança linda como você. Ah, e quantas e quantas fotos lindas!!! Imagino você com 15 anos, vendo essas fotos e comentando com a gente...
Uma esfregada de olho e um bocejo, contando que tava na hora de ir, que foi muita emoção junta por um dia...
Um dia maravilhoso, pra ficar marcado para sempre na sua história, na história da sua avó, na história de seus pais...

Se não fosse por um detalhe: não passou de desejo e expectativa. Às 14:30h, quando chegamos na porta da casa da sua avó materna para pegar vocês, sua mãe mudou de ideia, e não quis que fossemos mais ao zoológico, como estava marcado por ela, depois da minha insistência...
Pena. E me dói imaginar sua avó indo sozinha pro sítio, depois de ter batido com a cara na porta, olhando pelo retrovisor sua cadeirinha vazia, que insiste em nos perguntar: cadê a dona desse lugar vazio?

Um dia ainda vamos juntos ao Zoológico, filha. Amanhã, ano que vem, daqui há dez anos, não importa. O papai promete.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O dia em que Beatriz falou vovô e vovó



Beatriz ca-minha.

De mãos dadas com o vento, faz curva, quer correr, quer brincar.
Arqueia a sobrancelha do meu amor. Ri de mentira, ri de verdade, ri pra chamar a atenção.

Tosse de mentirinha, faz charme.

Aponta o destino, não quer ser foco do olhar, quer só estar feliz, Beatriz, rima rica nos meus ouvidos de pai.

Suas mãos grandes tocam piano na minha expectativa.
Maneia a cabeça que eu digo sim, minha filha. Pra tudo.

O cachorro é Au-au, o cavalo, Pocotó, Beatriz é Bê, Deus é humanamente indizível.
– "Curro-curro, Curro-curro, qualé mão que ocê quer?"
Acha a pedrinha escondida na mão da Tiavó, minha filha. E comemora a existência do bem.
Quero subir a escada, mamãe. Quero água. Quero apertar o botão do elevador.
Óh! (aponta)

Quero só me maravilhar com o fato de estarmos vivos e compartilhar a beleza do há mar, além da praia, além das montanhas, além das dúvidas, além dos questionamentos todos dos adultos infantis, papai.
Infantis? Quem nos dera, filha... quem nos dera.

A cada passo de Beatriz, meu coração bate. A cada riso, para.
Beatriz para tudo pra me dar água na mamadeira. Papai também tem sede, filha.
Sede de você jogando os bracinhos de novo pra mim, sede do seu abraço, sede do seu beijo, sede do seu cheiro, sede do seu sorriso de me ver, simples assim.
Sede do seu peso, sede do nosso banho de banheira, sede do seu sim e do seu não,
da vida escolha que é muito sua, só sua, e que rezo pra ser leve e profunda como este seu, muito seu, olhar...

Quando há mar, a sede fica mais fácil de administrar.

Beatriz brinca de vento a me jogar pelos ares, a me rodopiar por aí, sem rumo, sem prumo, dando cambalhotas nas nuvens e me jogando na cama do céu, ornada pelas estrelinhas da canção que canto pra ela:

"Vem a noite 
e uma estrelinha,
no céu, piscando piscando...
Mamãe diz que ela, de longe,
pisca-pisca é me chamando...


Quando eu crescer,
quando eu crescer,
e o meu papai comprar um avião,
vou te buscar, 
vou te buscar...
minha estrelinha na palma da mão..."


Deus, sou grato. E estou à sua disposição.

*Na foto, Beatriz brincando de caminhar – de mãos dadas com a Tia que me ensinou a brincar de sonhar.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Respeito da Operadora VIVO




Cristiano, que acionou Filippe, que acionou André, que acionou Alexandre, que ligou pra mim.


Bom, tentei resgatar Drummond toscamente mas não deu certo. Tudo bem, o que importa é que resolveu. (na verdade o André também ligou). 

Começou assim: 
1 - Eu escrevo no Blog e nas redes sociais sobre o Desrespeito da Vivo.
2 - Uma amiga e um amigo que trabalham na TVAlterosa têm amigos que trabalham na Vivo.
3 - Essa amiga está passando o mesmo problema e me dá o email do coordenador de relacionamento.
4 - Esse amigo passa o caso pro amigo dele, lá da Comunicação da Vivo.
5 - A Vivo resolve resolver a questão.

Como?

Em 2 horas de relógio: 
1 - descobre-se que a cobrança do residual que me fez ser mandado pro SERASA é abusiva;
2 - Cancela-se a cobrança;
3 - Pede-se que retirem meu nome do SERASA;
4 - Descobre-se que realmente eu havia pago nos 7 meses R$1.425,50 A MAIS do que deveria ter pago por cobrança indevida;
5 - Recebo 4 ligações telefônicas e 3 emails com todo o histórico, pedidos de desculpas e o compromisso pessoal de que agora tudo será resolvido e serei ressarcido nas contas subsequentes, até que todo o valor seja retornado.



"XXXXX, Boa Tarde!
Tem como tratar o caso desse cliente e fazer um contato com ele? Ele trabalha na TV Alterosa e está difamado a Vivo pelas Redes Sócias e Blogs."

Bom, na verdade eu não trabalho na TV Alterosa. Meu amigos trabalham. E não estava difamando o nome da Vivo. A Vivo é que estava difamando seu nome comigo.

Não vou mais entrar na justiça. Não quero "lesar" ninguém. Não quero ganhar 20 salários mínimos, como sugeriu, por exemplo, um amigo advogado. Só queria o respeito que tive. Do Cristiano, do Filippe, do André e do Alexandre. Mesmo depois de 7 meses de espera. Quando André me ligou, eu fiz questão de dizer a ele:

Poxa, André, eu gostaria de lhe agradecer. Pela primeira vez fui excepcionalmente bem tratado no contato com a Vivo.

E fui mesmo. MUITO bem tratado pelo André e pelo Alexandre, que me ligaram e resolveram tudo com educação e paciência, cordialidade e competência. E em 2 horas.

Acho, sinceramente, que deveria ser assim. Fiz questão de grifar a palavra PESSOAL acima, pra deixar aqui registrada a minha sugestão óbvia ululante, mas que nenhuma operadora entendeu ainda. Nem os bancos, nem prestadores de serviço. Na contra-mão do capitalismo selvagem e da despersonificação do trato com o cliente, está o tratamento pessoal, o compromisso pessoal, o que é humano, o que é Vivo, de fato.

Na busca incessante pela estratégia de Marketing mais adequada para abocanhar mais fatias de mercado, a obviedade de ser simples, saber ouvir, e entender que quem está do outro lado da linha é um ser humano que só quer reconhecimento através do respeito. Talvez a fórmula de bolo dos livros norte americanos de marketing não contemple que, mais que encontrar nomes bacanas pro que todo mundo já sabe no âmbito da comunicação, o importante é:

Quem fala, deve que ser ouvido. (ôpa! Beabá da Comunicação! Adoro!)

E por um motivo muito simples. Porque existe um sujeito na frase. E todo sujeito merece respeito.

Dessa vez não vou agradecer a Vivo. Vou agradecer aos competentes André e Alexandre. Sujeitos, pessoas que tiveram a grandeza de me ouvir. Por causa deles continuo vivo.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Para Eliane Brum e Beatriz



Bem dito.
Eliane Brum escreve às segundas feiras no sítio da Época. Acompanho, com entusiasmo, sua sensibilidade e perspicácia, suas conexões contemporâneas. Nesta segunda última, quando tive a graça de ver minha filha depois de exatos 3 meses, Eliane me dá um lembrete, no meio da minha aflição:



"O que sou eu? Talvez o olhar terno para as duas escovas de dentes que repousam num copo de plástico na pia do hotel."

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/05/quanto-tempo-permanecerao-os-hieroglifos-de-steve-jobs.html


Sei da não permanência das coisas, Eliane. Sei mesmo. Já perdi meus avós, já perdi amigos, tios, pessoas importantes, já terminei um casamento, já terminei um quase-quase casamento (que dor!), já perdi amores... Já perdi projetos, já perdi amizades. Já perdi o respeito, o meu e o de outros..., tenho perdido ao longo da vida. Por minha culpa, minha tão grande culpa.

Tenho? Pera um pouco. O verbo é ter ou estar? Ter tem um quê de permanente e estar de temporário? Me pareceu ato falho, né?

Mas... quero lembrar Thomas Mann, querida Eliane Brum: "É o amor, não a razão, que é mais forte do que a morte". Por isso, quando vejo minha filha, sei o que NÃO vai morrer, o que não se perde, a independer das condições impostas "liminarmente" ao meu encontro com ela. O documentário A Morte Inventada, sobre alienação parental, deixa claro o que não morre: O AMOR.

Há mar, minha filha. Há mar, Eliane Brum. Eu sei que vocês sabem disso, e sou grato por me lembrarem.

Ontem, quando olhei pra minha filha, acredito que o fiz igual a você com as escovas de dentes no copinho de plástico. E é tão lindo, e é tão terno, e é tão mágico e profundo, que nem sei... aliás, "sei" é da ordem da razão... não posso saber mesmo. O negócio aqui é sentir. E olhar, que é o que nos resta.

Filha, veja que curioso: liminar-mente. Chega a ser engraçado, né? Pelo menos no amor, como diz o poeta pop "temos todo tempo do mundo".

Também sou só meu olhar, Eliane. E sinto a mesma compaixão pelos que têm medo da morte, a pedir colo desesperados pelos feicebuquis da vida... Sou só meu olhar e a vontade poética de me redimir e de ser melhor em nome do Há Mar.

Leia Eliane Brum. Vai nos fazer bem enquanto estivermos aqui.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Desrespeito da Operadora VIVO



Acabei de receber 6 mensagens em sequência dizendo:
"Nao e possivel enviar torpedos sms deste numero de telefone" - nem correção ortográfica tem na VIVO.

Há 7 meses, fui convencido a trocar de aparelho para um Iphone. Detesto. Como trabalho com isso, como sou mestrando em Interações Midiáticas, como as relações interpessoais são perpassadas pela absoluta falta de noção quando se pensa em contato e exposição pública, aderi a contragosto. Detesto Facebook, apesar de ficar quase 12h por dia conectado. Aliás, nada me tira da cabeça que a diferença entre Mark Zuckerberg, Steve Jobs e a Rede Globo é isso:

Os primeiros inventaram uma coisa sem necessidade nenhuma, que colou. Já a Globo inventou o comentarista de arbitragem nos jogos de futebol - que é uma coisa sem necessidade nenhuma, que não cola nem empurrada goela abaixo.

Mas não vamos desviar o assunto. O que importa aqui é que o simpático, educado e competente Lucas Ferreira, representante da VIVO no Minas Tênis Clube, fez a gentileza de me convencer a cancelar o meu plano, fazendo imediatamente outro ("sem nenhuma perda para mim") pra que eu fosse "beneficiado" com a promoção do IPhone.

Pois bem: há 7 meses, no dia de pagar a conta, volto na loja e explico ao Lucas (que entendeu desde a primeira vez) que a VIVO não colocou no IPhone o pacote de dados. E a minha conta tem vindo cerca de 750,00 todos os meses, quando deveria vir 300, aproximadamente.

Pacientemente, volto lá, não xingo o Lucas, não desrespeito o Lucas, peço a gentileza de sua ajuda e tenho o desgosto de não ter meu problema resolvido, por mais que explique ao Lucas que se ele continuar fazendo tudo pra me ajudar igual tem feito, o resultado só pode ser o mesmo...

No último mês, recebo ainda, como prêmio por minha paciência infinita, meu nome no SERASA, porque diz a VIVO que existia um resíduo da última conta - apesar de eu ter feito a quitação nos meses sequeciais, sem uma única interrupção.

O fato é: estamos completamente a mercê dos gigantes capitalistas, que têm na despersonalização do contato sua principal arma. Me explico. Eles engendraram a seguinte dinâmica: não adianta nada falar com um atendente. Nem se for o simpático e competente do Lucas, que, acredito, realmente quer me ajudar. Os atendentes estão a mercê do sistema. – Ah, o sistema não deixa. Isso é bloqueado no sistema.

Daí você tem uma única alternativa: ligar pra um desqualificado no telemarketing que tem uma forma de bolo perversa, que não sabe sequer aonde a vaca tossiu. Aí, neste limbo despersonificado, você não consegue falar com o "chefe", não sabe se o nome da pessoa com quem fala é fictício, é colocado no MUTE se começa a esbravejar depois de ser tão desrespeitado (uma chefe de telemarketing que foi minha aluna me contou), e não sabe nem a quem seria possível cometer um ato de vandalismo em total desespero. Porque, afinal de contas, quem é o ENTE denominado VIVO??? Um sistema? Uma pessoa? Uma empresa onde as suas duas únicas formas de contato se tornam despersonificadas e "sem culpa no cartório"?

Me resta tentar entrar na justiça, passar a vergonha de ter meu nome no SERASA e manchado no crédito pessoal e escrever algumas linhas no Blog, pra ver se quem teve a paciência de ler pode divulgar, comentar, compartilhar, pra que o nome da VIVO seja tão sujo como o meu. Gostaria que a VIVO me dissesse, já que sou cliente desde 1994 ou 95, o valor correspondente a "quantos carros" eu já paguei pra esta operadora, sem que eu tenha DE FATO, o controle do que cheguei a gastar.

Afinal, já que eu não entendo nada de Direito, gostaria de saber: os Promotores Públicos não são clientes da VIVO e não usam IPhone?


sábado, 12 de maio de 2012

Eric Clapton, NelsoM, Nena, Vanderlei Timóteo e o Diabo.



"E, por um momento, percebeu que não havia mais nada o que escrever."

Era o que estava escrito quando cheguei aqui. Escrevi ontem à noite, antes de morrer.
Hoje cedo, como não tinha morrido muito, acordei no multishow HD e mandei uma mensagem pro NelsoM.

Ele, que me ensina sobre a vida e sobre a música que meu pai não me ensinou - o que é a mesma coisa pretty much, me disse: essa é a melhor coisa que Eric Clapton já fez. Não sai daí enquanto não ouvir tudo.  Ele vai começar a dar seus depoimentos, daí você vai entender o que é comprometimento. Com o NelsoM sou obediente.

Daí Nena me ligou.

Fico pensando que meu pai e minha mãe me ligaram assim cedo (pais postiços, esses - ou meu irmão mais velho e minha irmã mais velha, whatever) porque Alguém mandou.

Enquanto Eric Clapton diz coisas incríveis a respeito de Robert Johnson, suas escolhas, seu sentimento e uma forma específica de tocar e cantar em determinada gravação - que tem um sentido muito mais potente pra quem toca, canta, sente música - eu leio Vanderlei Timóteo (outro pai postiço) e faço minhas conexões... Curiosamente, eu morri ontem e diz Vanderlei que outro pianista (ops, ato falho) morreu essa semana. Outro com o nome Bernardo.

http://vanderleitimoteo.wordpress.com/2012/05/12/a-vida-de-volta/

Pra quem nunca soube de fato o que significa ter o nome Bernardo, pra quem sempre achou que seu nome era Bê porque depende da aprovação carinhosa dos outros pra ser (ou estar, não importa), pra quem escuta Eric Clapton pelo ouvido de NelsoM, pra quem demorou pra dar notícias pra Nena, que se preocupa, pra quem acha que essa história de Robert Johnson ter feito um pacto com o Diabo significa tão somente a escolha por tocar o barco no há mar, ao invés de ficar presinho-bonitinho no cais, isso é tudo muito doido e muito a-mesma-coisa-ao-mesmo-tempo-agora.

Diz o maluco do Eric Clapton (que de maluco não tem nada), sobre a experiência de estar só ele e a guitarra ali (ou sobre a vida - pretty much a mesma coisa):

É como estar num acidente de carro. (...) Estar em harmonia com o tempo.


Daí o entrevistador pergunta: – Deve ser bom não precisar mais de fazer o que faz pra conseguir grana...; Porque continua fazendo?

E o cara:
Pela experiência de fazer música


(Foi como dizer: vivo pela vida, vivo pelo ato de viver, vivo porque agora...)

– (...) a felicidade de fazer música é a minha missão.


Daí, eu coloco Eric Clapton, Nena, NelsoM, Vanderlei, Bernardo, Diabo, Bê, tudo na mesma panela (de barro, do jequitinhonha), com cebola, azeite, alho, sal e vou pingando água devagar pra me perguntar...:

– Será que é música?

E tentando responder, penso nas desculpas, penso no perdão, penso na distância da "vida de volta", como diz Vanderlei, penso que estou demorando pra ir correr, penso no recado do Eric Clapton, penso no comprometimento, na missão...

E descubro que tenho que finalmente decidir o que sei fazer melhor (sei?).

Devo confessar, Vanderlei, que no meu caso, não consegui. "Desculpa, perdão, abraço e confissão" só deram cores mais vivas e ricas ao sofrimento. Talvez o blues seja pretty much isso.

Vai ver que minha missão não é escrever, Eric Clapton. É tocar blues.




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sobre

"Não se consegue escrever algo sobre si mesmo que seja mais verdadeiro do que aquilo que se é. Essa é a diferença entre escrever sobre si mesmo e escrever sobre objetos externos. Escreve-se sobre si mesmo da sua própria altura, não apoiado em muletas ou andaimes, mas com os pés descalços."

Wittgenstein (1937)


É que sinto o chão frio.




quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ainda da tempo

Ontem estive lá. Participei da alegria da Rê e dos que estiveram presentes. Fui dormir lendo seu livro. É muito bom ver que existe amor e fé, independentemente da descrença do homem nele mesmo. Li ontem, quase tudo. E me lembrei do meu professor que dizia: dormir no meio da reza é até bom; você dorme em oração. Ontem eu dormi no amor. Sou grato por compartilhar tanta coisa boa que tem dentro de você com a gente, Rê Feldman.
Dia 12 de maio tem mais. Por isso, quem estiver com saudades de dormir no amor, ainda dá tempo. Basta seguir o convite.  http://renatafeldman.blogspot.com.br/









quarta-feira, 9 de maio de 2012

Conto Contemporâneo



Ele:
Você me achou...

Ela:
Não foi tão difícil assim.

Ele:
Foi sim.
...

Esse é um fragmento de um conto de fadas contemporâneo, que utiliza uma fórmula manjada. No filme HULK, o cientista Bruce, animal por natureza, é domado pela força da bela, pelo sutil da fêmea, pelo amor, pela entrega. Depois de se render ao seu lado animal e fazer merda com força, Bruce (HULK) se vê cercado. Por si. Pelos que o odeiam. Destruiu tudo por onde passou, fez inimizades. Seu rastro de estragos foi grande. Só ela acreditava nele. Só ela era capaz de ver o que existia por trás da agressividade, da montanha de músculos, da enormidade bestial que era a carapuça de HULK (Bruce).

Ela, só ela.

Depois de estragar com Tudo, a simples visão que ele teve dela faz com que se entregue. De alguma forma, não aguentava mais. Era muito pra ele. Talvez fosse só isso que aguardava: vê-la. Reconhecê-la.
Penso no olhar de amor. Que vê e reconhece o que há por detrás do erro. Penso no olhar do amor. Que vê através do medo. Penso no olhar do amor, que vê onde há cegueira. Onde é turvo. Quando há falta de esperança...

Quem tem coragem de olhar com o olhar do amor? Quem está preparado? Quem vai escolher o olhar amoroso, apesar de toda a gente, todo o ódio, todo o erro, toda a incompreensão?

Quem é ela, que vai dizer a ele que apesar de toda bestialidade, ela se coloca nua à sua frente, disposta, entregue, transparente, vasta e profunda? Quem é essa que sabe amar? E sabe seu amor escondido atrás de todo o erro desse mundo?

Há romantismo além do conto de fadas contemporâneo?

Quando seu pai a pergunta sobre ele, ela simplesmente responde:
A falta que eu sinto dele... sabe... eu o amava...


Interessante, no conto, que é ela quem o acha. Penso que ele não tinha mesmo condição de achar a si próprio. Apesar de não conseguir achar a si mesmo, ele reconhece que foi graças a ela que ele foi encontrado, que através dela se achou.

Ela não sabe, porque ama. Mas foi difícil sim. É muito difícil pra quem se encontra totalmente perdido.

Fica, pra mim, uma única pergunta. O nome dele é HULK. Qual será, afinal, o nome dela?




terça-feira, 8 de maio de 2012

Amor em pedaços


Amor em Pedaços ou Amor em Fatias?

Acho que é a primeira pergunta que vou fazer a Renata Feldman quando pegar o livro das suas mãos.

Renata Feldman é uma redatora de mão cheia, uma psicoterapeuta humanista que faz do seu olhar amoroso o espelho do mundo.

Conheci Renata há muitos anos e somos amigos desde então. Ela é uma amiga fiel, uma mãe de primeira, uma esposa dedicada, uma mulher de verdade. Sim, estou elogiando e não vejo porque termos pudor em falar bem de quem realmente merece. Renata é uma menina linda. Só consigo enxergá-la como menina, como a menina que conheci, antenada pras coisas e pras pessoas, pras relações, pro compromisso. Coisa de berço, acho. Não tive a oportunidade de conhecer seus pais, mas... sabe quando você vê que a figura teve berço? É... essa é a Renata.

Empolgada por natureza, nunca entendeu bem minhas escolhas, sempre me achou meio doidão, meio transgressor. Somos amigos complementares, nesse ponto. O curioso é que passo meus perrengues volta e meia e acabo em seu blog, pra "pedir conselhos" virtualmente... O equilibrio de Renata sempre me impressionou. E acho que ela passa isso pros seus textos com muita propriedade.

Recentemente, nos encontramos no espetáculo da Orquestra Sinfônica de Minas, acompanhando Wagner Tiso e Nana Caymme. Sempre desconfiei que esse equilíbrio amoroso de Renata esconde um desequilíbrio apaixonado pelas coisas todas. Não é à toa que se emocionou tanto com a versão que ouvimos de "Eu sei que vou te amar" e "Resposta ao tempo".

Acho que se Renata tivesse me pedido opinião sobre o nome do seu livro, eu teria dito a ela - muito por causa dessas minhas impressões sobre sua forma de ver e de sentir:

Ah, Rê, coloca "Lascas do Amor"...
E deixa o duplo sentido arder pra sempre igual a gente arde por dentro...

#ficaadica:
levanta daí e confere esse livro de uma pessoa magicamente comprometida com seu tempo e com seu sentimento.
Renata Feldman, sou capaz de apostar: esse livro vai mexer com a gente...
Até o lançamento! Vou ser o primeiro a chegar.
http://renatafeldman.blogspot.com.br/

domingo, 6 de maio de 2012

Nós, vovô, vovó, tia Biba, eu e papai.



Vovó Lili e Vovô Toi,
tudo bem?
Eu sei que sim.
Às vezes pode parecer que não, mas eu sei que sim.
Sei que hoje é um dia especial. Meu pai me contou que há 40 anos vocês se casavam e combinavam a vida que teriam juntos.
Fico feliz.
Sei que esses 40 anos levaram vocês dois até mim. Também. E me trouxeram até vocês.
Com um ano, dois meses e um pouquinho, já dá pra saber do amor, do querer, da saudade, do viver. Meu olhar de filósofa não nega, sou muito humana e muito por causa de vocês dois. Acho que meus pais estão fazendo um ótimo trabalho, apesar de todas as dificuldades. Meu pai, distante, me cuida e me ama, acima de todas as coisas. Minha mãe me trata com carinho e com cuidado. Eu espero a hora de estar com vocês e perceber novamente que as duas fatias da maçã do amor do mundo estão disponíveis pra mim, não só a da minha mãe e da família da minha mãe, mas a do meu pai e da família do meu pai.
É aí que vocês entram. Meu pai me disse em sonho que desejou muito que eu estivesse com vocês hoje. Que pediu pra minha mãe e ela disse não. Engraçado ele ter que "pedir" pra minha mãe. Isso é só agora. Ela não sabe o que está fazendo. Ela é mãe de primeira viagem e não sabe que eu tenho direito ao amor materno e paterno igualmente... Isso é comum. É um erro clássico. Mas a gente erra muito querendo acertar. Todos nós. Eu também vou errar.
Engraçado eu dizer todos nós. Fico pensando que nós são esses, na verdade.
Se dos sonhos, se da realidade, se dos medos, se dos caminhos, se da vida.
Tem muitos nós que ajudam a subir nas cordas, tem muitos nós que marcam muitas coisas, tem nós que marcam a distância e o caminho, tem nós que acabam virando um. Quero crer que é o caso de vocês, vovô e vovó.
Meu pai, mesmo, me fala muito dos nós dele.
Do tanto que chora, do tanto que reza, do tanto que sente saudades, do tanto que dói e ninguém sabe, ninguém vê.
Eu vejo. Eu sei.
Deus não faz nada à toa, eu sou criança ainda, apesar do meu olhar de adulta.
Sei que vocês estão felizes com a chegada da minha tia em Paris, sei que vocês sabem que meu pai ofereceu a minha mãe uma ida a Paris comigo pra comemorar o aniversário com vocês, já que não nos vemos a mais de 170 dias... sei de tudo. E vou saber cada vez mais. Pena que ela tenha dito não. Ia ser muito importante pra mim e pra vocês. Pra nossa família.
Mas sei do amor e do mar, que sou borboleta das ondas.
Quero que Miserinha saia em busca do sonho dele (vocês sabem que o barco do meu pai se chama Miserinha, não sabem?) e atravesse os sete mares em busca da poesia concreta, da verdade absoluta, que insistem em dizer que não existe, do amor infinito, dos tesouros, do Bem, do Bom e do Belo.
Quero que vovô passe por Paris com vovó e tia Biba e entenda que Paris está dentro de nós. Somos a cidade luz, quando quisermos, somos sonho, somos o que quisermos. Meu pai já me ensinou isso.
Quero só comemorar com vocês a beleza desse dia, a expectativa desse dia, a grandeza de suas escolhas, que nos trouxeram todos até aqui... de uma forma e doutra.
Sabe, vô, sabe, vó, eu também vou aprender a escolher durante toda a vida. E espero que saiba escolher o lado do amor, com todas as suas nuances, belezas e cavernas; que as Veredas do amor nunca secam - diz meu pai... que as Veredas do amor são só amor natural, feliz, alegre, vivo, vasto, profundo... são como o amor de vocês.
Saibam que, assim como meu pai, eu me sinto imensamente alegre por ser banhada por esse amor de vocês. Ele nos nutre, a todos, sem cessar. É fonte de vida interna e beleza estruturante, é pilar, é viço, é caibro, é solo, é imensidão do coração.
Sou grata, vovô e vovó, por vocês, por Tia Biba, por Papai.
E compartilho da nossa vontade de estar juntos, assim que der, até quando der, para nosso todo sempre agora.
Sou mais feliz por ter meu pai, e vocês três. Estamos juntos, mesmo com qualquer distância. Afinal, papai também já me ensinou, longe é um lugar que não existe. Né?

Um beijo da sua neta que lhes ama.
Beatriz! :D

sábado, 5 de maio de 2012

Haikai das nuvens



E, por um momento, 
fiquei com a esperança 
de não ver a Lua com você.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

AMOR em família


Vai chamar o embarque

8 segundos depois:

To emocionada


Biba está, neste exato momento que escrevo a palavra AMOR, dentro do avião da Airfrance rumo a Paris. Biba é o apelido de Gabriela, que, imagino, dei a ela quando ainda era um bebê de colo, ainda em Brasília.

Barulho de nova mensagem no celular:

Tão feliz! Sonho realizando amo vcs

Eu sei, Biba, nós também lhe amamos.

Minha irmã sempre quis ir a Paris. Minha irmã sempre quis ir a Paris com o meu pai. No dia 6 de maio, no principinho da década de 70, meus pais se casavam. Um pouco antes, meu pai morava em Paris. Era estudante da Casa do Brasil e conheceu minha tia Margarida Maria. Ela disse a ele que deveria voltar ao Brasil pra se casar com sua irmã. Feito.

39 anos depois, nasceu Beatriz, a primeira neta dos dois. Beatriz senta sobre suas pernas como minha mãe. Hoje, meu pais já sabem: meu presente de 40 anos de casados para os dois, no sonho realizado da minha irmã, seria a presença da neta, depois de mais de 170 dias sem vê-la. Mas não posso levá-la para Paris. Aliás, nem para a praia da Boa Viagem, em Recife, onde ela mora. Assim, dei de presente para os meus pais o email em que convidava de surpresa Beatriz para passar esses dias com eles em Paris.

Hoje, quando recebi a primeira mensagem da minha irmã, misteriosamente retornei ao Caminho de Santiago, quando eu estava tão distante de todos os meus familiares e, paradoxalmente, absurdamente perto. É que todos estavam dentro. Hoje, estou mais dentro que nunca do meu pai e da minha mãe, que aguardam a chegada da minha irmã em Paris amanhã. Mais dentro que nunca da minha irmã, viajando com ela, me emocionando com ela, realizando este sonho com ela... com ela e com minha filha, de quem não recebo notícias há 10 dias, mas que está cada vez mais dentro de mim.

Vai ser lindo o encontro do dia 6 de maio em Paris. Meu pai, minha mãe, minha irmã. E eu e minha filha, do lado de dentro. Mais juntos impossível. Isso é o AMOR em família.

Boa viagem, Biba. Vamos com Deus.

*na foto, a janela pra alma da minha linda filha, que sabe de tudo.

Tem coisas que só sentindo.



Não há exatamente o que postar depois do que senti hoje.
Nana Caymmi, Wagner Tiso ao piano, Orquestra Sinfônica, Palácio das Artes.
Ela só repetiu duas músicas: "Eu sei que vou te amar" e "Resposta ao tempo".
Às vezes, Deus faz isso com a gente.
Durante muito tempo, não deu pra escutar a primeira música.
Hoje, ela só tem sentido depois da segunda.
Ainda assim, é linda. E move.

Hoje, me senti ainda mais humano.



http://www.youtube.com/watch?v=sxWUKHnzB3g

terça-feira, 1 de maio de 2012

Túrgida Mente





A noite: chega de vagar.

Ela espera o dia partir.

Um sabe que a soma dá dois.

Outro, só quer saber de só mar.

Um livro que é dado de presente.

As cores da vida vão surgindo cheirosas.

O sangue das veias espalha o vermelho no corpo.

E o sal do amor tempera os braços e pernas e peitos e pelos suados dos dois.

A noite chega devagar.

Enquanto espera o dia a partir daí.

De onde move. De onde se move. Deondemovimentamsementolados, grudados, sucos.

O tempo lambe as costas da expectativa.

Salto agulha.

Cristal que adorna a nuca do soutien.

Uma gravata é nó, o tempo é dó, o desejo é só.

O sonho de voltar a amar

desperta o desejo do olhar

de quem se sabe cego

para sempre.

Antes de mais nada, tem saudades do abraçoedocheiroedomeldabocaquepinga.