quarta-feira, 18 de abril de 2012

Se eu tivesse uma avó com o nome de flor




Se eu tivesse uma avó com o nome de flor eu comprava um vinho, e coberto de amor bordaria um poema, gema sem dilema pra ornar seu colar e poder conjugar o sentido confuso desse verbo amar. Se eu tivesse uma avó com o nome de flor estudava italiano (talvez um piano) e encantava seu canto, suas dores, seu pranto e cantava seu manto, seu santo acalanto. Se eu tivesse uma avó com o nome de flor ia à pé caminhando pra rua do Ouro pra comprar um presente que ela merece, pra dizer que esse neto na sua vida tece muitos gestos e gostos, sonhos amanhece, na esperança divina do tempo encontrar a resposta que busca nas noites insones, das noites escuras que envolvem o luar. Se buscasse na Ouro, no 292, revelasse a Cum Panio do doce Camilo, eu faria a surpresa, e um tempo depois eu viria em sigilo, pra mesa, pois sois a avó favorita!, a pessoa aflita que conhece o caminho do encontro e do olhar. Para esta vovó, de nome pequenino, o mais nobre carinho. Do ninho, a mistura, e seu pão reinventa. Delicada, reclamenta, vovó que alimenta: chocolate, loucura, paixão movimenta! Estou vivo no sonho de lhe abraçar. São tantos pães, e tantas histórias felizes que por magia, quem sabe um dia, amanheça e eu me esqueça que foi pura agonia...
Que frágil sabe que meu abraço é eterno. Que ágil entende que meu calor é paterno. Que inverno é tempo de acordar e acolher. Que o ensinamento é de plantar e colher. Que o meu momento é só de amar mas sofrer...

(Na Cum Panio eu reconheci a companhia do seu jeito, e do jeito que você faria, pra agradar sem medida a vovó Querida, que eu teria, se tivesse, ela, o nome de flor.)


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