domingo, 25 de março de 2012

A receita do inferno




Terceira série do primário, aula de religião, e um aluno comenta, após a explanação do professor:
 - Ah, professor, mas toda vez que eu deito na cama à noite e começo a rezar, eu durmo.
E o professor:
 - Ótimo, quer dizer que você dormiu em oração!

***

Em outra aula, indagado pelo o quê era o inferno:
 - Acho que a melhor maneira de se entender o inferno é pensar em uma mesa posta. Sabe, daquelas mesas de natal mais lindas do mundo? Pois então! Com peru suculento, um delicioso pernil, um arroz de forno, o melhor vinho tinto servido nas taças, uma farofa de frutas bem rica, uma bela e sortida salada, todas as castanhas, uma tábua de frios como nunca foi vista, um grande filé com um molho de cogumelos, os pratos todos já servidos, o melhor linho, os melhores cristais, os talheres de prata e você ali, sentado, com muita fome. Acontece que, inexplicavelmente, já que suas mãos não estão atadas, você não consegue apanhar nenhum alimento, não consegue pegar sua taça, não consegue pegar o seu prato, não consegue fatiar nada, não consegue encostar em uma travessa sequer. Sente o cheiro de tudo, está faminto, sua boca se enche d'água, mas por mais força que faça, algo lhe impede de saborear toda e qualquer iguaria em sua frente...
Pensei muito sobre isso durante muito, muito tempo.

***

Uma coisa é entender. Outra é compreender. À época, depois de refletir, entendi bem o que o professor de religião havia dito. Hoje, compreendo perfeitamente.

Da grade da vida, vejo-a de perto.
E para o jantar de hoje, Ora pro nobis.


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