segunda-feira, 12 de março de 2012

O Tempo e as Asas




as asas do tempo se abrem.

querem voar, querem bater, 
planar longe do estar.

as asas do tempo vastas, 
as asas do tempo amplas,
distantetensas, lembranças
tácitas, húmidas, túrgidas.

as asas do tempo brotam nas costas do menino.

as penas do mundo nas asas do tempo.
as penas do humano,
o insano,
o pequenino.

são dores de nascimento, as asas que brotam,
que rompem a pele nos olhos das costas,
que rasgam e crescem, avolumam-se destino e o peso das asas,
as asas do tempo,
o tempo das asas
e o vento...

vento que sopra, asas do tempo,
distância e ânsia, as asas do tempo.
são brancas, são leite, vermelhas, são sangue.

são do meu tamanho as asas do tempo.

o voo que anuncio,  o mar da distância
vai ser o caminho das asas do tempo.

o trigo, o pão, a água, a carne...
o sal do meu corpo, nas asas do tempo,
temperam a espera do hoje do amor:
um dia é presente, um dia que chega,
um diadestino de comemorar.

as asas do tempo a me partir novamente,
eu semente, espero brotar.




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