sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

No Castelo da Suiça se ouve Maracatu.



Cem anos.

Aniversário da minha avó Lygia.

Unhas vermelhas, brinco dourado, alegria incontestável. Meio espanhola (no espírito, porque ela na verdade é Neuschwander - Suiça), gosta de festa. Foi de quem puxei. Vovó traz na alegria o jeito de ver o mundo.

Mesmo depois de ter partido, me ensina. Sua filha, minha tia Margarida, viveu na França por muitos anos, quando não havia internet, quando o telefone era difícil, quando a França não era dentro do Skype. Era em outro planeta. Ela sabiamente, sabia que Longe é um lugar que não existe, como Richard Bach. E sabia que o importante é que sua filha estava dentro dela, independentemente da distância, e com saúde, e bem, e feliz. Mais uma lição que me dá, mesmo das estrelas, todo santo dia...

Minha avó gosta de gatos.

Curioso é pensar que ela partiu no dia 25 de fevereiro, curioso é pensar que foi no final da tarde, depois de passar o dia com a gente, quando foi levada por meu avô, Hélio, que já tinha partido há muito... Eu estava lá, ao lado dela, e acompanhei sua partida. Dei tchau, sentado na estação. Curioso é saber que foi levada no dia do aniversário do meu avô Hélio, dia 25 de fevereiro, também no mesmo dia de nascimento da minha bisavó do outro lado e, mais curioso ainda, o dia que minha filha nasceu. Quando a médica da mãe da minha filha disse que a marca dela era 8 de março, eu já sabia: dia 25 de fevereiro é o dia que ela chega. Afinal, a vida é muito curiosa.

Hoje, vou comemorar o aniversário da minha avó, que está muito presente, independentemente de ter partido. Vou de mãos dadas com ela amanhã pra Recife, encontrar minha filha que está em outro planeta. Afinal, com 11 meses, ela ainda não entra no Skype. Vai ser bom viajar com minha avó no coração, com a mesma alegria dela, repartindo sorrisos com o mundo, me divertindo levemente por estar vivo, por participar, por estar.

Vovó gosta de manga, de tomatão, de bife acebolado temperado com orégano, de bolo, de manjar branco, vovó gosta do meu abraço. Ela diz que o meu abraço é o melhor abraço de todos os netos. É o abraço que vou dar na minha filha quando conseguir vê-la depois de 130 dias. Minha avó adora o mar, assim como minha filha. As duas são garotas do mar, borboletas do mar, espuma das ondas.

Da Suiça, minha avó puxou só gosto do chocolate. Ela é assim, gostosa, doce, e faz a gente feliz.
Exatamente igual a minha filhinha de 11 meses, que me espera na torre do castelo.

Mesmo com 100 anos, vovó galopa comigo pela floresta, num cavalo tordilho, raios de sol e libélulas.




Um comentário:

Ana Cabral disse...

Chegadas e partidas.
Noite passada reencontrei minha mãe em sonho num ponto de ônibus. Mas quando voltei ela já havia partido.
A onda vem e vai. É assim...
Que hoje, amanhã e sempre esse
reencontro seja especial em sua vida.
Recife está em festa.
Linda, quente e colorida igual deve estar seu coração ao rever sua bruguela!