sábado, 11 de fevereiro de 2012

ENCONTRO




Folha em branco.

Do avião se ouve o vento. Recife continua distante, e meu coração perto longe atravessa a ponte da expectativa. Vou com ele. Um anjo me segue, me guia, me leva, me toca. São muitos desejos de bem, muitas mensagens de carinho, muita torcida pra que tudo dê tudo certo. Tudo sempre agora. Tenho asas no coração e na mente, voo pra perto pra sentir e ver que está tudo bem.
Tudo bem comigo, tudo bem com ela, o Eu Caminho mantra do Caminho de Santiago a me guiar cada passo.

Guias. Os anjos do caminho aparecem e vão mostrando a seta amarela que inspira e sacode a gente. Há pouca bagagem. Há pouco a levar, há pouco a buscar. Levo somente uma pedra de coração no meu bolso, que me achou no monte do perdão no Caminho de Santiago.
Lá.

Onde não sei. Não há mais o onde, não há mais o tempo, não há mais nada. No fragmento do tempo, o desejo do ser. Estando. Não há o que levar. Não há o que esperar. Há o amor em mim e o amor da minha filha que vai me ter um pouco num abraço nosso. Me tem por inteiro. Pode ser um gritinho agudo, pode ser um chorinho, pode ser um riso, pode ser uma carinha fechada com cenho franzido. Pode ser só abrigo. Pode ser um suspirinho, dos que ela cansou de dar em meu colo.

Pode ser que cale, pode ser que calo, pode ser que colo.

Pode ser que eu morra num beijo de Beatriz ou num sorriso do meu bem. Pode ser só o mar. E a borboletinha do mar a brincar ondas no meu peito em praia...

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