quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Menino e a paz mundial


Antes de ontem dei uma malhada na filha da Elis no Facebook.

Na verdade, pra quem entende, eu estava malhando algum sem noção (não sei quem assina a direção - isso não importa pra mim e na frente digo o porquê) que não entende a falta que faz uma boa direção pra uma carreira (ou pra um show). Como diz uma amiga minha inteligentíssima que não tem Facebook, a Nane, estamos órfãos é da Elis. E isso já diz tudo.
(Na verdade, ela me falou isso antes de que eu tivesse acesso ao DVD da Maria Rita)

Só para atualizar quem não é meu amigo no Facebook, eu disse que a Maria Rita cantava igual a Elis vestida de Cláudia Leite e com um corpinho de Mercedes Sosa. E depois comentei que só não acrescentei "e com um cabelo de Mariah Carey" que tinha achado que seria maldade.

Claro, fui jocoso para ficar engraçado o comentário, mas o que senti com isso tudo é tristeza. Por alguns motivos.

O primeiro deles é que até o momento dessa postagem, 37 pessoas curtiram o meu comentário e 23 fizeram comentários sobre o que escrevi.

Observe:
quando postei alguns artigos absolutamente interessantes da Eliane Brum observei que 3 ou 4 pessoas curtiram. Quando postei uma entrevista muito bacana, filosófica e esclarecedora do Mário Sérgio Cortella falando do Jesus histórico na Band, 3 pessoas curtiram. E quando falei sobre os 61,8% de aumento dos vereadores de BH - que agora fazem uma campanha publicitária maciça, porque o filme deles ficou queimado de fato, apenas 20 pessoas curtiram o comentário pedindo o compartilhamento.
Ou seja, é muito mais atrativo falar mal do que falar bem.

O segundo motivo da minha tristeza é que quando peço pra meus 1550 amigos (porque tem uns 300 que ainda não aprovei...) de mentira no Facebook pra compartilharem uma ação do Inhotim para ajudar os desabrigados das chuvas, muito menos apoio e compatilhamento foi aferido, do que quando malho a direção do show da Maria Rita. Sem falar na crítica ácida e na falta de noção dos que preferem malhar o Inhotim a pensar nas vítimas das chuvas. Acho que, no mínimo, isso é falta de entendimento: em nenhum momento eu estava fazendo apologia ao Inhotim (apesar de achar que o Inhotim merece, independentemente das críticas que eu possa ter, que não vem ao caso), eu estava era tentando fazer uma pequena parte para ajudar de algum modo os desabrigados das chuvas.

O terceiro é minha crítica à cultura de massa. De algum modo, a Maria Rita ou seu diretor quiseram tangenciar o que é exigido pelo sistema. Sem personalidade. A Nane é que está certa. Estou pouco me lixando se o Rafael Nadal está dançando "Ai se eu te pego ai, ai" - ou seja lá o nome genial que deram pra essa caixa registradora. E mais me lixando ainda se os paraquedistas da tropa de elite do exército iraniano estão na mesma onda. Eu quero mais é que todo mundo jogue as espingardas fora e dançem isso pra encher os bolsos do menino de dinheiro. Onde há dança, não há guerra. Aliás, desculpem mas nem sei o nome do menino e estou com preguiça de olhar no google.

O quarto, é que imagino (pra não dizer "sei") que 99% das pessoas não chegaram até aqui nesse texto, porque viram o tamanho dele. Ninguém (quase ninguém, na verdade) está interessado.

E poderia desdobrar cada coisa aqui de cima, mas acho que quem chegou até aqui, tem um grau de interesse e compreensão capaz de pegar todo o espírito da coisa. Vou só concluir, porque quero tentar deixar o texto mais redondo:
  1. prefiro pensar que o facebook é uma coisa menor, um brinquedo de massa sem profundidade, uma revista Contigo contemporânea, do que pensar que as pessoas é que são tão restritas a ponto de dar mais importância ao que é "maldade" do que ao o que é bondade;
  2. adoro a voz da Maria Rita e acho que ela tem potencial para se tornar a mais nova e genial intérprete brasileira, mesmo com a comparação óbvia e natural com a mãe - até porque, quem não tem Pelé, adora colocar Neymar no pedestal - e fica feliz com isso;
  3. quero que a Eliane Brum seja lida toda segunda-feira pelos meus 1550 amigos do facebook;
  4. quero que o Nadal ganhe de presente um CD da Maria Rita - não um DVD;
  5. quero que o menino saia por turnê mundial, nas zonas de guerra, pros soldados dançaram mais e atirarem menos;
E por último, mas não menos importante, que a Luiza, que está voltando hoje do Canadá, segundo a notícia que vi no Bom Dia Brasil (eu juro - pode conferir), possa finalmente participar da nova campanha mundial de mais um empreendimento imobiliário de sucesso da Paraíba. Assim, fico menos triste.


4 comentários:

Ana Cabral disse...

Mundo doido esse! Né?
O que mais de deixa impressionada é que o "curtir" saiu do virtual para o "real". A todo instante o espírito Big Brother vem a tona e a pessoa que está ao lado "curti" ou não, julga e vota para você deixar a sua própria casa.
Valeu pelo texto!
Abre portas para mais reflexões.

Bê Sant Anna disse...

Grato por comentar, Ana.
O que mais me deixa perplexo é que parece que a Massa, destituída de crítica, como já disseram os filósofos da comunicação, se configura da mesma forma no mundo virtual - onde à princípio, deveria haver tempo para reflexão...

Renata Feldman disse...

Eu li até o fim!
Também sou fã da Eliane Brum!
E do Bê Sant Anna também!
Abração!

Bê Sant Anna disse...

Renatinha Feldman, minha Psicomunicóloga favorita! Amo-te!
Bê ijos na família linda!