sábado, 3 de dezembro de 2011

Un`Altra Volta



Não faço ideia o que isso significa.
Uma outra volta? Meu português aproxima do italiano esperando um falso cognato.
Não entendo a itália. O máximo que sei da itália é Vovó Querida me mandando arquivos de fotos belíssimas da sua antiga Itália em Power Point. Lindas todas.
O macarrão com bacalhau estava com muito alho novamente. Muito.
Já não sei se perdi a referência, ou se o julgamento se deve à falta de outro ingrediente fundamental para o meu jantar no restaurante da Grão Mogol.
À esta altura, Grão, Mongol.
Sou um retardado existencial. Ouço Drão, me ilusiono, escuto Gilberto Gil me falando da ilusão.
Onde plantar?
Também não sei, Gil. Não me pergunte. A noite é muito mais escura do que eu posso supor, sempre. Semana passada fiz o que sempre pedi aos meus alunos: tomar banho de olhos fechados. Mais que um exercício para o cérebro, é um exercício de sensibilidade ímpar. Quero sentir a água molhada, Gil. Mesmo que os pecados sejam todos meus. Não há o que perdoar, por isso mesmo é que há de haver mais compaixão. Você tem razão. Aprendi o perdão no Caminho de Santiago. Hoje, a compaixão me acompanha de perto, de parto, de parto, de nascimento, crescimento, compreensão e entendimento.
Sempre tive mais facilidade em compreender do que em entender, Gil. Un`Altra Volta.
O restaurante quase vazio me falava do alho. Da dor de cabeça que sinto quando como muito alho.
De que quando se está junto, só comendo alho junto. De que quando se está só, o alho se multiplica, o olho se multiplica, olha-se pra dentro de dentro. Entro. E enxergo ao som do saxofonista do restaurante, que começa a noite tocando Jobim.
Não, ele não tocou Gil, por mais que fosse ficar interessante no final do texto.
O que ele tocou fui eu, só, olhando pra dentro, alh-ando pra fora.



http://www.unaltravolta.com.br/

2 comentários:

val disse...

Muito bom!!!!!!

Bê Sant Anna disse...

Grato, Val, por ler e comentar.